janeiro 30, 2006

"Farpas", "O Crime" da Tauromaquia

Foi publicado no sítio Toiros e Paixão e com o título " "Farpas", "O Crime" da Tauromaquia " , o artigo que abaixo transcrevemos . O referido texto é transcrito na integra, com autorização prévia do sitio http://www.toirosepaixao.comao qual agradecemos desde já. O artigo foi assinado por João Pedro Couto fundador e colaborador do acima referido sítio. O texto pode e deve ser, também lido, em http://www.toirosepaixao.com/visualizar.php?aid=81
"Farpas", "O Crime" da Tauromaquia

Não sei se "As Farpas" de Eça de Queirós e de Ramalho Ortigão foram fonte de inspiração para este semanário taurino, mas espero que não o tenham sido. Se o foram, desvirtuaram-lhes por completo o objectivo, gizado por estes dois mestres da literatura portuguesa. "As Farpas" originárias a que me refiro, encabeçadas por Eça de Queirós e Ramalho Ortigão (mas que representavam toda uma geração e um descontentamento generalizado ou pelo menos de uma grande facção) nasceram com um objectivo e respeitavam um estilo: as coisas estavam mal e era preciso mudar, então nada como espicaçar o espírito adormecido das populações com ironia cáustica e incisiva.
Não é o que acontece hoje em dia, no que respeita à tauromaquia, apesar de parecer haver algumas semelhanças: o panorama actual e futuro não é dos melhores; é preciso fazer alguma coisa; essa atitude passa por se denunciar o que vai mal. No que respeita às semelhanças ficamos por aqui tudo o resto são diferenças. É diferente o nível de Eça de Queirós e Ramalho Ortigão do nível do Sr. Miguel Alvarenga. Era diferente o objectivo dos dois Mestres, que era mudar a mentalidade do país, do que é o objectivo actual do Sr. Alvarenga que passa pela comercialização do seu semanário. Eça e Ramalho lutavam pelo melhor de um futuro, não se alimentavam dos podres e das mentiras para viver e para vender. E poderia continuar com as diferenças que são mais que muitas, mas infelizmente não temos tempo nem espaço para aqui escrever todas.
É um fenómeno relativamente actual, este da comunicação social (com a mistura da sua vertente virtual) e dos seus meandros e ramificações. Neste caso específico nasce com os tablóides britânicos e com os "fait-divers" franceses, chegando a cada país de uma forma particular à qual associamos, em Portugal, três ou quatro títulos de imprensa escrita (eu sei, estou a ser optimista) e em especial uma cadeia de televisão. No que diz respeito em específico à tauromaquia temos então este "Farpas" que faz a sua vida à custa de escandalos, notícias inventadas ou distorcidas e "O Diabo" a quatro, que muitas vezes pouco trazem de tauromaquia, arrogando-se, o director em sua coluna, a dizer que abala as mentalidades dos aficionados. Ora, o que na minha opinião abala é a carteira, pois pagar dois euros por este semanário é deitar dinheiro à rua. Até no tabaco o dinheiro é melhor gasto, pois pelo menos nos maços vem, e em letras bem grandes, que fumar prejudica a saúde; o mesmo não acontece ao olharmos uma capa do "Farpas", pois não há nenhum aviso que diga que a sua leitura afecta a saúde. Mas afecta, e muito. Afecta a saúde da tauromaquia que de si já é muito debilitada e passa por momentos difíceis. Afecta a aficion de quem gosta de toiros e que se quer informar. Afecta o gosto e põe em risco a vontade das pessoas quererem saber mais e melhor. Perpetua, desnecessariamente, guerras, brigas, quezílias que só servem para fazer descrer o maior amante da Festa. Interesses obscuros, amizades e clientelismos, mudanças de atitudes e de palavras, tudo isto é exponenciado ao máximo para se conseguir vender "gato por lebre" tendo apenas em conta o benefício económico. Tudo isto se pode considerar como "O Crime" do Sr. Alvarenga.
A última vítima foi Duarte Bettencourt, da Ilha Terceira, que no seu blog pessoal exprimiu o seu descontentamento sobre o cartel de lide a cavalo das Sanjoaninas 2006. Suficiente para notícia de capa do "Farpas" como "Crítico arrasa Bastinhas". Ora um jornal que, e com muito respeito pelo trabalho de Duarte Bettencourt pois por lá já passámos, faz notícia de capa de algo que aparece num blog que tem duas semanas e 300 visitas não pode ser respeitado nem levado a sério. Arriscamo-nos a vermos publicado num jornal de grande tiragem parte da discussão que tivémos no café acerca de futebol dizendo que pomos em causa o trabalho de treinadores profissionais. De surreal a inaceitável...
Portanto termino este mero artigo de opinião (o qual me arrisco a ver numa reportagem na TVI, sei lá...!?!) a fazer um pedido à aficion em geral e em particular a quem pode empreender num projecto deste género. Em Portugal temos falta de imprensa especializada no que respeita à tauromaquia. Ainda recentemente apareceu mais uma revista que não teve o mínimo problema em ganhar o seu nicho de mercado. Temos falta em quantidade (duas revistas portuguesas, o resto é estrangeiro) e em qualidade (sem desfazer o bom trabalho efectuado pelo Novo Burladero e pelo belo serviço que nos presta, mas era importante termos boas opiniões sobre outras coisas e mais isentas quanto às pessoas; acho que aí se chegaria pela concorrência saudável). Peço encarecidamente que se publique mais e com qualidade; não é por mim, é por todos e para que ninguém tenha que comprar o "Farpas" com a desculpa que "não há mais nada"...
Em jeito de conclusão, até porque já passa das "24Horas", e para o barrete servir a todos, "até para se falar mal é preciso saber" como nos demonstraram os ilustres referidos.
Nota do autor: Quem me conhece sabe que este não é o meu estilo, mas tendo em conta a situação e o assunto, achei por bem descer ao nível da retórica e da crítica caustica para conseguir demonstrar bem a minha opinião, conseguir transmitir a minha mensagem e, por fim, poder jogar de igual para igual com o semanário taurino em questão.
Espero que o artigo seja digno da herança cultural transmitida por Eça e por Ramalho, senão, ficam aqui, desde já, as minhas desculpas aos Mestres.

João Pedro Couto in www.toirosepaixao.com

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