junho 28, 2006

3ª Corrida das Sanjoaninas



Realizou-se no passado dia 24 de Junho, dia de São João, a terceira corrida da Feira de São João 2006. Com ¾ de casa forte, decorreu em tom morno aquela que até agora foi a maior enchente destas corridas sanjoaninas.
Os cavaleiros Luís Rouxinol e João Salgueiro lidaram um bonito e bravo curro da Ganadaria Casa Agrícola José Albino Fernandes, as pegas foram a cargo dos Amadores de Alcochete capitaneados por João Pedro Bolota e a lide apeada foi realizada pelo matador português José Luís Gonçalves.
Dirigiu com acerto o Sr. Carlos João Ávila, assessorado pelo Dr. Vielmino Ventura. A abrilhantar esta corrida estava a Banda Filarmónica da Serreta.

Luís Rouxinol, de regresso à nossa Ilha, vestiu uma casaca bourdeaux para receber o número 161, que pesou na balança 460 kg. O toiro da ganadaria Casa Agrícola José Albino Fernandes teve uma saída alegre com o cavaleiro a responder com boa brega, a destacar neste primeiro tércio a colocação do segundo comprido com o cavalo a abrir muito na reunião com o toiro.
Trocando de montada Rouxinol iniciou o segundo tércio bregando bem e arrimando-se com ladeios na cara do toiro para colocar um ferro a cilhas passadas, nesta altura destaque para o bom comportamento do toiro, no segundo ferro o cavaleiro arrimou-se mais, colocando um bom ferro curto, mas o seu terceiro foi sem dúvida nenhuma o melhor de toda a lide, indo o cavaleiro de frente para colocar um muito bom ferro e finalizou a lide com um bom ferro de palmo. Para a pega saiu à praça o forcado Bruno Pardal que se fechou bem a primeira tentativa, recuando bem na cara do toiro, que ensarilhou um pouco antes de reunir, boa segunda ajuda e nota positiva para a coesão que o grupo apresentou.

O segundo da tarde com número 158, pesava 415kg e coube em sorte ao cavaleiro João Salgueiro que vestiu nesta tarde uma casaca castanha bordada a ouro. Destaque para a brega executada, ficando a ferragem para segundo plano, tendo o cavaleiro despachado literalmente os ferros compridos. Para os curtos o de Valada sacou de um cavalo ruço rodado, destacando-se o terceiro e quarto ferro da ordem, bem o cavaleiro arrematando as sortes. Na cara deste toiro esteve o forcado Ruben que sitou com galhardia, fechando-se bem com o toiro a fugir ao grupo, mas este a ajudar com consistência.

José Luís Gonçalves apresentou-se de azul escuro e ouro para receber com parons o bonito exemplar número 160. Variado no capote, José Luís executou verónicas cingidas, chicuelinas rematadas com uma rebolera. Nas bandarilhas destaque paro o segundo par executado pelo bandarilheiro Rogério Silva. Brindou ao público para depois receber o novilho sentado no estribo, executando passes por alto com tremendismo, rematando o início da lide de rodilhas em terra. Destaque para uma boa tanda pela direita, provando a esquerda do novilho com naturais ajudados. Quanto a mim o toureiro devia ter aproveitado mais o lado esquerdo do novilho. Gonçalves é volteado mas sem gravidade.

A segunda parte iniciou-se com o cavaleiro Luís Rouxinol na lide do número 167 de José Albino, o cavaleiro levou um violento toque na montada colocando dois ferros compridos aliviadíssimos. Nos curtos usou dois cavalos, destaque para a boa brega a anteceder um curto de boa nota. Nota negativa para o cavaleiro que foi buscar um par de bandarilhas para finalizar uma lide que não foi de bom tom e mais grave com um cavalo que se via a olho nu que não estava habituado a tal façanha. Saiu à arena para pegar este novilho que pesou na balança 475 kg, o forcado Branquinho que se fechou bem à terceira tentativa, não tendo consumado anteriormente por falta de ajuda do grupo.
Bem o público no fim da volta a chamar o forcado aos tércios para receber a ovação. Que bonito ver que o público terceirense a saber ver e apreciar o desempenho dos artistas distinguindo e bem quem o merece.

João Salgueiro no quinto da ordem que ostentava o número 155, esteve bem na colocação dos ferros compridos, mas com a montada uma vez mais a não se parar para citar o toiro de frente. Nos curtos com o mesmo cavalo agora sim parando-se com o toiro, indo de frente e colocando dois ferros de boa nota, de seguida foi buscar outro cavalo colocando dois bons ferros, chegando bem ao público, finalizando uma lide boa com um bom ferro de palmo. Não foi correcto o cavaleiro de Valada tentar enganar o público terceirense, entrando com o mesmo cavalo que havia toureado o primeiro toiro, mas desta vez desentrançado, fazendo parecer outro cavalo e executando umas malabarices que nada têm a ver com o ensino de cavalos, para não demonstrar que só tinha dois cavalos com que contar nesta feira. Eu e muita gente não vemos mal nenhum nisso, no entanto se não era com maldade para quê tentar disfarçar?
Pegou este toiro, que foi quanto a mim o melhor da tarde, o forcado Pedro Gil que surpreendeu a assistência mandando o grupo para a trincheira, ficando sozinho na arena, só é pena que tenha consumado a pega à terceira tentativa.

O último novilho da tarde coube ao matador José Luís Gonçalves que o recebeu com uma afarolada de joelhos, executando parons rematados com meia despegada mirando os tendidos e chicuelinas rematadas com rebolera. Com a muleta José Luís iniciou a lide com a mão sobre a trincheira executando arrimados passes por alto. Com a mão direita executou duas boas tandas mas com falta de chispa da parte do toureiro, de seguida uma série de molinetes cingidos bem do agrado do público mas sem a verdade que se impõe ao toureio apeado, bem como as martingalas usadas a tourear em redondo (agarrado ao toiro), arrimou-se no fim da lide acabando-a em tom positivo.

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