junho 28, 2006

Concurso de Ganadarias encerra Feira de São João 2006

Realizou-se no passado domingo dia 25 de Junho, pelas 21 horas e trinta minutos, a última corrida da Feira de São João 2006 que apresentou uma magnifica moldura humana. Compunham o cartel, os cavaleiros Joaquim Bastinhas, Luís Rouxinol e João Salgueiro, os grupos de forcados Amadores de Alcochete e os Amadores da Tertúlia Tauromáquica Terceirense capitaneados respectivamente por João Pedro Bolota e Adalberto Belerique, os toiros pertenciam às ganadarias locais de Rego Botelho, Casa Agrícola José Albino Fernandes e Herdeiros de Ezequiel Rodrigues. Dirigiu com acerto o Sr. José Valadão assessorado pelo Dr. Vielmino Ventura. A banda que abrilhantou o festejo foi a Filarmónica Recreio dos Artistas.

Saiu à praça o primeiro toiro da ganadaria de Herdeiros de Ezequiel Rodrigues com o número 197 e com 450 kg de peso, coube em sorte ao cavaleiro Joaquim Bastinhas que se apresentava envergando um casaca de cor vermelha bordada a ouro. O cavaleiro de Elvas recebeu-o à porta dos sustos sem grande emoção, visto que “fugiu” assim que viu a sua cor ao fundo dos curros, na ferragem comprida pouco ou nada há a referir a não ser três ferros demasiado aliviados sendo o primeiro de fraca colocação, traseiro e descaído. Para a ferragem curta destaque para o segundo ferro, o melhor de entre os três que colocou, de notar a falta de rematar as sortes e a falta de frontalidade na cravagem dos ferros.
Para a pega saiu o forcado de Alcochete João Pedro que se fechou bem à barbela, à segunda tentativa.
O toiro de Herdeiros de Ezequiel Rodrigues saiu atípico, celeiro e manso sendo assobiado a quando da sua recolha aos curros. No fim da lide volta para cavaleiro e forcado, nota para a forma como o cavaleiro deu volta à arena deixando muitas vezes o forcado para trás, recebendo ele sozinho as palmas que muitas eram para o forcado da cara.

O segundo da noite com o número 200 da ganadaria de Herdeiros de Ezequiel Rodrigues, saiu em sorte ao cavaleiro Luís Rouxinol, que sofreu violento toque na montada ao cravar o primeiro comprido, o seu segundo ferro foi o melhor, sendo o terceiro muito aliviado e até pescado como se diz entre nós. Para os curtos Rouxinol arrimou-se mais no primeiro e segundo ferro, colocando o terceiro a cilhas passadas quase a passar a garupa, assim não e o público assistiu assobiando mostrando que ao contrário do que muitos dizem sabe ver e apreciar uma lide, fechou a série de curtos com um violino de boa nota. Na pega deste “ezequiel” esteve valente o forcado terceirense José Vicente fechando-se à segunda tentativa com uma excelente ajuda de Marco Sousa.
O segundo toiro de Herdeiros de Ezequiel Rodrigues saiu manso mas com melhor comportamento que o seu irmão de camada, veio-se a fechar em tábuas mas não dificultou a lide ao cavaleiro.

Para João Salgueiro, que envergou nesta noite uma casaca de veludo azul, saiu o terceiro da noite com o ferro de Rego Botelho, número 421 que pesou na balança 485 kg. O de Valada recebeu o astado com dois ferros compridos, sendo o primeiro colocado por dentro e o segundo, depois de melhor brega e colocação do toiro, foi descaído. Para os curtos o cavaleiro veio ao de cima colocando dois bons ferros, colocou ainda um terceiro ferro sem som depois do toiro ter saltado a trincheira, onde por culpa do bandarilheiro da sua quadra o ter induzido a tal, tendo o toiro ficado tocado da mão direita, por fim cravou um bom ferro em sorte sesgada. Saltou à arena o alcochetano Rui Batista que só consumou à sexta tentativa sendo o bicho literalmente agarrado após aviso do director de corrida.
O toiro de Rego Botelho de bom tipo e apresentação teve um comportamento de mais a menos, tendo piorado o seu desempenho em função do salto para a trincheira.

Depois do intervalo, muito à moda portuguesa, saiu à praça o número 151 da Ganadaria Casa Agrícola José Albino Fernandes, que coube em sorte ao cavaleiro Joaquim Bastinhas que depois de duas passagens em falso colocou três ferros compridos, sendo o primeiro assobiado quanto à sua colocação, demasiadamente traseiro e descaído, o terceiro foi o de melhor nota. Na ferragem curta e com o mesmo cavalo que houvera toureado Tiago Pamplona no dia de sua alternativa, Bastinhas colocou um bom ferro por dentro, dois ferros à tira indo de seguida trocar de montada para colocar mais um que não chegou aos tendidos e um de palmo em terrenos de tábuas, tendo fechado em tom positivo uma lide de menos a mais.
Na pega deste toiro esteve o terceirense Marco Sousa que esteve irrepreensível na forma com sitou e recuou na cara deste toiro, consumando à primeira tentativa uma das melhores pegas da noite. Na volta à arena para cavaleiro e forcado, as palmas foram quase todas para o de casaca de ramagens tendo se ouvido nos tendidos “boa Marco”, “estas são para ti”. No fim da volta o cavaleiro fez o impensável, saltando a trincheira atrás do forcado para que este não fosse aplaudido no médios como é costume entre nós quando se quer distinguir as palmas do cavaleiro para o forcado, muito mal visto ficou, entre os muitos que assistiam à corrida, o gesto desnecessário de Joaquim Bastinhas.
O toiro da Casa Agrícola José Albino Fernandes cumpriu no geral tendo se mostrado um pouco distraído com o desenrolar da lide, nota positiva para a apresentação deste toiro.

O quinto da noite coube em sorte ao cavaleiro Luís Rouxinol e ostentava o ferro da ganadaria de Rego Botelho, com o número 429 e com 535 kg de peso. O cavaleiro recebeu-o com três ferros compridos em que o cavalo abria muito na viagem, desluzindo um pouco a sorte executada. Nos curtos o cavaleiro armou o taco colocando três ferros que chegaram ao público, destaque para a brega desenvolvida pelo cavaleiro. Colocou ainda um ferro de palmo e um par de bandarilhas, que tirou mérito à lide, pois foi colocado muito traseiro e um pouco descaído.
Na cara deste toiro esteve o forcado do grupo de Alcochete Vasco Pinto que esteve bem a citar, com o toiro a sair de pronto consumando uma excelente pega à primeira tentativa.
O toiro de Rego Botelho escasso de carnes foi um dos toiros mais bravos da corrida fazendo jus ao que por tradição se diz, não há quinto mau.

Para lidar o sexto da noite, com número 136 com 435 kg de peso e que ostentava o ferro da Casa Agrícola José Albino Fernandes, saiu o cavaleiro João Salgueiro que cravou três ferros compridos de boa nota, na ferragem curta Salgueiro colocou cinco ferros curtos com destaque para o segundo ferro. O quarto ferro foi a cilhas passadas assim como o quinto e o primeiro de palmo, redimindo-se no ultimo ferro de palmo. O cavaleiro voltou a fazer o número do cavalinho ruço, desentrançando-o, voltando a tentar enganar o público presente. A razão desta cena triste só o cavaleiro o pode responder.
Para a cara destre bravo toiro saiu o forcado terceirense João Pedro Ávila que executou um pegão à primeira tentativa, com uma técnica irrepreensível na melhor pega da noite.
O impensável aconteceu na volta à arena, com a entrada do dito cavalo ruço de Salgueiro a vir receber também as palmas do público em tom de triunfo, assim não, é muita representação para um dia só. Muito mal esteve o cavaleiro de Valada neste teatro enganador, pois o cavalo não merecia tamanha distinção.
O toiro da Casa Agrícola José Albino Fernandes foi bravo do principio ao fim da lide.
No fim da corrida foram entregues os prémios do Concurso de Ganadarias e da Feira de São João.
Prémios da Feira de São João 2006

Melhor lide apeada
José Luís Gonçalves, na lide do toiro número 163 da Casa Agrícola José Albino Fernandes, o sexto toiro da 3ª Corrida.

Melhor par de bandarilhas
Ivan Garcia, no par colocado ao toiro número 420 de Rego Botelho, o primeiro toiro da 2ª Corrida.

Prémios Concurso de Ganadarias

Melhor lide a cavalo
João Salgueiro, na lide do toiro número 421 de Rego Botelho, o terceiro toiro da corrida.

Melhor pega
João Pedro Ávila, na pega ao toiro número 136 da Casa Agrícola José Albino Fernandes, o sexto toiro da corrida.

Prémio Bravura
Ao toiro número 136 da Casa Agrícola José Albino Fernandes, o sexto toiro da corrida.

Prémio Apresentação
Ao toiro número 151 da Casa Agrícola José Albino Fernandes, o quarto toiro da corrida.

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