junho 21, 2006

A segunda da Feira de São João


Decorreu no passado domingo pelas 18 horas, a segunda corrida da Feira de São João 2006, no cartaz da corrida anunciavam-se Luís Miguel Encabo, Ivan Garcia e o terceirense Mário Miguel, também anunciavam-se seis novilhos da ganadaria terceirense de Rego Botelho, mas não se sabendo bem porquê foram apresentados dois novilhos de Oliveira Irmãos, sendo os dois sobreros de ferro de Rego Botelho. Nota negativa para a organização pela falta de informação que presenteou cerca de ¾ fracos de casa. O público merece ser informado e tem o direito a o ser, afinal é ele que paga o bilhete.
Na direcção da corrida esteve irrepreensível José Valadão assessorado pelo Dr. Vielmino Ventura.
A Banda Filarmónica das Doze Ribeiras demonstrou oficio presenteando os presentes com excelentes interpretações de variados passo-dobles.
No que concerne aos artistas passemos então à sua apreciação.

Luís Miguel Encabo, o mais maduro dos três artistas presentes, presenteou a aficion terceirense com duas boas lides, no primeiro toiro da corrida o matador recebeu por verónicas rematadas com meias, de seguida lanceou por chicuelinas rematando com vistosa revolera, no tércio de bandarilhas convidou os restantes intervenientes a compartilhar o tércio num gesto bonito que o público aplaudiu e gostou do que viu, a competição é e será sempre saudável, na muleta o madrileno presenteou-nos com duas tandas de derechasos nos médios rematadas com passes de peito, de seguida o matador provou a esquerda do novilho vindo a destapar o seu pior lado, no fim da lide desenhou bonitas manoletinas, simulando de seguida a morte do astado, deu merecida volta à arena. No seu segundo de Oliveira Irmãos, com o número 744, o matador recebeu-o por verónicas passando de seguida para o segundo tércio onde se destacaram o terceiro par por dentro, após falha do mesmo. Na muleta teve uma lide em crescendo em que a mão direita do matador mandou no novilho de Oliveira e onde os passes longos e profundos fizeram soar alguns olés na bancada. No fim volta merecida para o matador.

Ivan Garcia matador de toiros madrileno, deslocou-se até nós com vontade de triunfar, e no seu primeiro, um novilho de Oliveira Irmãos que ostentava o número 728, isso mesmo o demonstrou, tendo recebido o oponente com verónicas bem desenhadas e rematando com uma meia verónica muito cingida, nas bandarilhas Ivan à semelhança do companheiro anterior convidou os colegas de cartel para bandarilharem com ele. Um tércio movimentado onde a entrega dos artistas foi uma constante, havendo a destacar o par do matador de serviço com site vistoso do alto do estribo colocando um excelente par a quarteio. Na muleta o toureiro recebeu o seu oponente nos médios com passos por detrás que trouxeram muita emoção aos tendidos, depois e com a mão esquerda desenhou naturais de eleição, de seguida e com a mão direita o matador desenhou derechasos de boa nota. O matador apercebendo-se do excelente lado esquerdo do novilho voltou aos naturais onde executou bonitos e profundos passes arrematados com excelentes passe de peito, já no fim da lide e de rodilhas em terra o matador conquistou o público terceirense. O matador ao invés de alguns cavaleiros da nossa praça só entrou na arena após a ovação do público, sendo assim merecida a sua volta à arena. No seu segundo de Rego Botelho, com 505 kg, o novilho mais pesado da corrida, Garcia despachou com o capote tendo dado apenas dois ou três lances por verónicas sem transmissão, pena que os matadores se tem esquecido de presentear o público com quites variados de capote tão do agrado do público terceirense e não só. Nas bandarilhas há a destacar o primeiro e terceiros pares, já que o segundo par foi excessivamente traseiro. No último tércio o matador andou asseado com a muleta, dando-se destaque a uma tanda de naturais, dados com profundeza e sentimento. Após a simulação da morte e recolha do novilho, volta para o matador.


Mário Miguel toureiro terceirense, e que no ano passado houvera sido o máximo triunfador da Feira, com direito próprio se encontrava de novo entre nós. Mário acusou o triunfo da época transacta, e quanto a mim e apesar de ter estado bem, faltou um bocadinho mais de pimenta para que volta-se de novo a triunfar redondo na praça da Ilha que o viu nascer. No seu primeiro, o novilheiro recebeu-o bem por verónicas e chicuelinas muito cingidas, sendo o tércio de bandarilhas compartilhado com os restantes colegas, na muleta Mário Miguel teve momentos bons de toureio onde as séries pela mão direita tiveram mais impacto, no final da lide e já a prolongar, o novilheiro foi colhido com aparato mas sem gravidade. Volta merecida no final da lide.
No seu segundo, que foi recolhido por visível incapacidade física, Mário recebeu o sobrero de Rego Botelho de joelhos em terra executando duas afaroladas que não causaram o impacto desejado no público presente, nas bandarilhas, sorte que executa na perfeição, Mário esteve igual a si mesmo tendo proporcionado um bom e variado tércio, na muleta arrancou passes de valor ao, quanto a mim, pior novilho da tarde. No final volta para o toureio terceirense que se prepara para se tornar no 1º Matador de Toiros dos Açores.

Nota muito positiva pela forma como os artistas foram aplaudidos no final da corrida, pelo muito público que os esperava para atribuir-lhes fortes ovações , sendo a maior atribuída ao matador Ivan Garcia. Sem dúvida uma aficion entendida onde o respeito pelos os artistas se faz sentir a cada momento da lide, onde o silêncio impera e onde o soar dos olés tem a profundidade de olé em Madrid ou Sevilha. Parabéns aos aficionados terceirenses.

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