junho 19, 2006

Tiago Pamplona, Alternativa com distinção




Decorreu no passado sábado a primeira de quatro corridas que compõem a Feira de São João 2006, em praça estavam os cavaleiros Joaquim Bastinhas, João Salgueiro e Tiago Pamplona, na lide de toiros de duas ganadarias distintas, a continental de Samuel Lupi e a terceirense de Irmãos Toste. As pegas foram da autoria dos Amadores da Tertúlia Tauromáquica Terceirense. Dirigiu a corrida o Sr. Raul Pamplona assessorado pelo Dr. Vielmino Ventura, a banda de música presente era a banda Filarmónica da Ribeirinha (vulgo Meio da Rua).
A praça estava preenchida em ¾ da sua lotação, não parecendo ser esta uma corrida das Sanjoaninas. Mas passemos à apreciação dos artistas que compunham o cartel, começando pelos que mais se destacaram no conjunto das duas lides efectuadas por cada um.

Tiago Pamplona apresentou-se envergando uma casaca verde azeitona, muito bonita e a lembrar a casaca usada por seu pai no dia da sua alternativa, alternativa esta que foi também concedida por Joaquim Bastinhas já que são passados 22 anos. O alternativado brindou a lide a seu pai e avô tendo se notado que da sua face caíram algumas lágrimas. Tiago esteve irrepreensível tendo demonstrado maturidade na forma como lidou e bregou o bonito toiro de Samuel Lupi. Uma lide em crescendo em que se destacam o terceiro ferro comprido, o quarto ferro curto muito cingido e a brega e colocação do toiro. A salientar a nobreza do toiro nº 39 de Lupi de seu nome Encastado, e o era mesmo, que pesou na balança 485 kg, sendo o toiro mais pesado da corrida. Nota também para a forma carinhosa como o público da sua terra brindou o quarto cavaleiro de alternativa dos Açores com fortes aplausos e muitas flores.
No seu segundo Tiago brindou a lide a Marcos Tenório Bastinhas, um sinal da amizade que une estas duas famílias, saiu à praça um novilho de Irmãos Toste bem apresentado como os restantes deste ferro, um toiro colorau que pesava 408 kg, que ao sair dos curros, com saída airosa embateu na trincheira violentamente, causando danos físicos ao toiro. De notar de que a culpa deste embate violento deveu-se ao facto de bandarilheiro ter deixado o capote atrás e sobre a trincheira tendo o novilho investido no capote, o novilho em causa foi substituído pelo sobrero de Samuel Lupi (?). Nota negativa para a indecisão do Director de Corrida em mandar recolher o toiro deixando que o cavaleiro colocasse o primeiro ferro comprido, também não percebi o porquê da substituição pelo sobrero de Lupi, a meu ver a decisão foi pura e simplesmente monetária visto que o referido toiro já houvera sido pago, não encontro outra razão. Mas passando à lide propriamente dita foi uma lide positiva na brega e colocação do toiro mas a deixar pouco ambiente nas bancadas, não se fazendo sentir o carinho demonstrado pelo público no seu primeiro, a destacar o quarto ferro curto e a colocação meritória de um de palmo, acabando desta forma a sua lide em tom positivo.

João Salgueiro que já cá não vinha à uns bons anos, apresentou-se de casaca azul de veludo para lidar o Rondeño de Samuel Lupi, que pesava 460 kg. Nos compridos o cavaleiro de Valada despachou literalmente a ferragem não se parando com o cavalo, e indo à tira para deixar dois compridos, tendo sido tocado na montada ligeiramente, trocou de cavalo destacando-se o segundo ferro curto a quarteio e o citar o toiro de costado tanto ao gosto da aficcion terceirense, colocou um de palmo fechando bem uma lide em crescendo. Salgueiro no seu segundo, um novilho de Irmãos Toste que pesou na balança 400 kg, que causou sensação ao saltar a trincheira em busca do capote que esvoaçava à sua frente, indo embater nos cabos de aço que protegem o público de visitas indesejadas. Depois do público se acalmar e observar o que o cavaleiro executava na arena Salgueiro voltou a despachar a ferragem comprida, mas com o mesmo cavalo colocou dois ferros curtos de mérito, sendo de destacar o terceiro ferro curto, este já com outra montada, tendo maior impacto nas bancadas, o quinto foi o de melhor nota e a fechar um de palmo para fechar em grande uma lide em crescendo. Nota negativa para um elemento da organização das corridas que sacou do ferro de palmo, que seria entregue ao cavaleiro pelo moço responsável, fazendo aquilo que não devia deixando má imagem àqueles que assistiam à corrida, costuma-se dizer cada macaco no seu galho.

Joaquim Bastinhas voltou à Terceira treze anos volvidos, vindo apadrinhar a alternativa de Tiago Pamplona. Bastinhas não esteve nos seus melhores dias não chegando às bancadas, que outrora se rendiam ao seu toureio. Ouviu música (?) aliás a música soou por várias vezes sem que para ela os artistas tenham tido o mérito para a ouvirem. O toiro de Lupi com o número 48 e com 465 kg não complicou mas o cavaleiro de Elvas teve uma lide a menos, não chegando aos tendidos, havendo a destacar apenas o primeiro comprido com o toiro colocado nos médios indo de frente para o toiro, colocando um bom ferro à tira, o cavaleiro no fim da sua lide saiu ao médios para receber a ovação e alguns assobios (poucos), bem o cavaleiro não dando volta.
Joaquim Bastinhas no seu segundo com ferro de Irmãos Toste, ostentando o número 71 de nome Boneco, um novilho muito bem apresentado e com uma pelagem bonita pouco vulgar entre nós (berrendo), saiu com pata incomodando o cavaleiro, pois o toiro só via o cavalo o que era um bom sinal, depois e ai já em exagero os peões de brega lancearam em demasia vindo o toiro de mais a menos, prejudicando o desenrolar da lide, o cavaleiro elvense colocou três ferros compridos sendo o último o de melhor nota, no inicio do segundo tércio o cavaleiro coloca dois ferros a cilhas passadas, muito em voga hoje em dia mas que não passa despercebido ao público terceirense, depois um terceiro ferro por dentro com o toiro a carregar mais, sendo este o melhor ferro desta sua segunda lide, depois de colocar mais um ferro e mais um de palmo, não se percebeu o porquê de o cavaleiro ir buscar uma par de bandarilhas sem que para isso a lide o merecesse e nem o público assim o exigisse, sentiu-se um burburinho nas bancadas e alguns assobios, mas mesmo assim o cavaleiro avançou para um par a duas mãos só consumado à segunda passagem, tentando assim o cavaleiro sair em tom de triunfo. Foi pena pois o público esperava mais de Joaquim Bastinhas. Deu volta o cavaleiro.

Nas pegas estiveram João Pedro Ávila na pega da tarde, numa excelente pega à primeira tentativa com o toiro a entrar pelo grupo dentro, valente o forcado na cara deste Lupi. Para a cara do segundo saltou à praça Leonardo Gonçalves que depois de corrigir os erros da primeira tentativa, onde adiantou as mãos, pegou bem à segunda tentativa. A terceira pega da tarde coube ao forcado Hugo Jesus, que depois de alguma atrapalhação e nervosismo pegou o toiro à quarta tentativa, com boa segunda ajuda de Fabrício Rico. Na cara do quarto da tarde saiu à arena Marco Sousa muito bem no site mas o toiro criou dificuldades ensarilhando muito não sendo possível a consumação da pega, pegou à segunda com o toiro a derrotar alto com uma excelente ajuda de João Pedro Ávila. Na consumação da quinta pega da tarde teve o jovem Décio Dias “Nini” que aguentou barbaridades na primeira tentativa, aqui mal o grupo a não fechar a pega, na segunda tentativa bem a jovem promessa da forcadagem terceirense, fechando-se bem na cara do novilho dos Irmãos Toste. No último da tarde o forcado Jorge Diniz esteve irreconhecível pegou o toiro apenas à quinta tentativa, enfim há dias maus. Nota negativa para o Director de Corrida não atribuído um sinal de aviso ao grupo na terceira e quinta pega.

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