julho 24, 2006

Triunfo da Forcadagem

Praça de Toiros da Ilha Terceira
4ª Corrida Revista Flash
21 de Julho 2006
Toiros
David Ribeiro Telles
Cavaleiros
Sérgio Vegas
Miguel Duarte
Cavaleiros Praticantes
Rui Lopes
Joana Andrade
Cavaleiro Amador
João Pamplona
Forcados Amadores
Corruche, Tertúlia Tauromáquica
Terceirense e Aposento da Chamusca
Os forcados pertencentes aos grupos dos Amadores de Corruche, dos Amadores da Tertúlia Tauromáquica Terceirense e dos Amadores do Aposento da Chamusca, foram sem sombra de dúvida os triunfadores da 4ª Corrida Revista Flash realizada na passada sexta-feira. Estes, não só honraram o bom nome dos grupos presentes como também de todos os forcados amadores existentes em todo o mundo e não será exagero dizer que foram e são eles, que continuam a dar prestigio, emoção, grandeza e dignidade ás touradas que se fazem um pouco por todo este Portugal dos pequeninos. Triunfaram os forcados numa noite em que alguns dos cavaleiros presentes se esqueceram do que é tourear a cavalo na sua essência mais pura e verdadeira.
No que toca aos que tourearam a cavalo destaque para os terceirenses, João Pamplona e Rui Lopes, com bairrismos à parte, foram os que melhor montaram e os que dentro das condições dos toiros que lhes couberam em sorte, melhor lide lhes impuseram. Os restantes pouco ou nada acrescentaram a este cartaz, com a pior nota para a cavaleira praticante Joana Andrade que se apresentou na capital do toureio açoriana com poucas noções do que é tourear a cavalo.

Os forcados.
Pegaram pelos Amadores de Corruche, o forcado Rui Godinho mais conhecido entre a afícion por “Peitaça”, Ricardo Dias e Hugo Graça, todos eles à primeira tentativa, com destaque para a grande pega executada por este “pequeno” grande forcado Rui Godinho “Peitaça”, justo vencedor do Prémio Revista Flash para a melhor pega da noite.
Pelos Amadores da Tertúlia Tauromáquica Terceirense pegaram Helénio Melo e Marco Sousa em duas grandes pegas à primeira tentativa, onde o grupo insular demonstrou grande coesão nas ajudas sendo o justo merecedor do prémio Coudelaria Lima Duarte para o melhor grupo em praça, destaque para a pega de Helénio Melo sendo este chamado aos médios no final da volta para agradecer a forte ovação tributada pelo público presente.
Pelo os Amadores do Aposento da Chamusca, grupo mais novo em praça, pegaram José Pinto Coelho e Tiago Lopes, este o único forcado a não se fechar à primeira tentativa sendo a pega consumada à quarta tentativa, o público após a pega, com o forcado já na trincheira tributou-lhe uma enorme ovação.

O júri.
Composto pelos conhecidos forcados Horácio Lopes, João Melo e Paulo Pessoa de Carvalho, atribuiu e bem os prémios a concurso.

O toiros.
Os toiros pertencentes ao ganadeiro David Ribeiro Telles (um com Ferro David Ribeiro Telles e os restantes com o ferro Ribeiro Telles Sociedade Agrícola Lda), saíram com trapio adequado à nossa praça com pesos a oscilar entre os 340kg (novilho) e 440kg (toiro), foram cumpridores no geral com alguns toiros a se fecharem em tábuas no final das lides, destaque para o primeiro toiro com o número 21 que pesou na balança 410 kg, que se empregou bem na contenda investindo a galope quando citado pelo rejoneador Sérgio Vegas.

Os cavaleiros.
O rejoneador Sérgio Vegas que se apresentava pela primeira vez em Portugal, teve duas lides com pouca história onde o estilo do rejoneio esteve bem patente, os ferros a cilhas passadas e a falta da brega para a colocação do toiro foram uma constante em ambas as lides, destaque para a sua primeira lide onde apontou um bom ferro comprido, um ferro curto por dentro bem cingido e um de palmo a finalizar a lide. De salientar pela negativa que este cavaleiro usou quatro (?) cavalos na lide do seu segundo toiro, é obra.
Miguel Duarte apresentava-se entre nós em substituição do rejoneador Gomez Molina, depois de na época passada ter passado por terras açorianas, mais propriamente na Ilha Graciosa onde apontou excelentes momentos de toureio, passou pela ilha terceira sem pena nem glória embora com melhor prestação que o cavaleiro anterior, com mais noções do toureio que o seu colega de cartel como era de se impor. Destaca-se a sua primeira lide com um bom ferro curto a quiebro que empolgou as bancadas vindo de pois a menos pela insistência em cravar a quiebro perdendo assim o centro da sorte ficando as sortes desluzidas e sem a verdade que se impõe ao toureio a cavalo.
O jovem terceirense Rui Lopes apresentou-se pela primeira vez entre o seu público, de casaca e tricórnio, demonstrando conhecimento e sentido de lide, deu a volta ao complicado toiro de David Ribeiro Telles, destacando-se da sua lide o segundo e terceiro ferros curtos a quiebro e para a boa brega desenvolvida durante a lide.
A cavaleira praticante Joana Andrade rubricou a pior lide dos últimos 10 anos (sem exagero), velocidade excessiva da montada, ferros pelo chão, colocação péssima da ferragem (dos cornos ao rabo tudo é toiro), pior era impossivél, a acrescentar que só fez deslocar à Terceira uma única montada.
Por último, mas não o último, esteve em praça o amador João Pamplona com o seu toureio desembaraçado, alegre e encastado, levou o rubro em certos momentos da lide, as bancadas. Destaque para o gesto de receber o seu oponente à porta dos sustos aguentando as fortes investidas do bonito novilho, o terceiro ferro curto foi o de melhor nota.

O público.
Como disse e bem o voz-off da corrida era composto por espectadores e aficcionados, pois não se entende que ora repudiavam um mau ferro para depois aplaudir um ferro a cilhas passadas, compreende-se pelo simples facto de à corrida terem aderido muitos emigrantes e americanos estacionados na Base das Lajes, mas no que concerne às pegas souberam e bem tributar grandes ovações aos forcados intervenientes.
O público presente preencheu cerca de meia casa.
Duarte Bettencourt

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