agosto 09, 2006

Tauromaquia e Opinião


Apaixonado pela tauromaquia desde cedo, depressa procurei inteirar-me de tudo o que dizia respeito a esta arte que a tantos mortais apaixona. Eram livros, revistas e jornais, tudo o que eu encontrava sobre o tema, lia de fio a pavio toda a informação contida nestes compêndios, mas tudo era tão pouco.
Fiquei fiel ao burladero do director Queiróz, às farpas do Alvarenga e à regra do bem tourear a cavalo de Sommer de Andrade. Toda esta leitura informativa, formativa e algumas vezes desinformativa, me fez crescer como aficionado. Mas aprendi com o passar do tempo, e com a idade, que muita coisa que li e ouvi não passou muitas vezes, da ilusão que o próprio crítico teria tido ao ver o seu amigo tourear mal, mas a sua escrita formosa fazia camuflar aquilo que uns dias antes o artista não fora capaz de executar.
Hoje em dia já ninguém come gato por lebre e é preciso começar a chamar o seu a seu dono e deixar de tentar iludir os aficionados de que tudo é bonito e bem feito só por se ser amigo de fulano e beltrano e que por não se gostar de sicrano, tudo o que ele executa não presta.
Basta, vamos todos nós aficcionados dizer bem alto que já chega, estamos fartos de tantos compadrios, de interesses instalados e de escribas que só sabem dizer bem de quem gostam e dizer menos bem de quem não gostam, sejamos sinceros, pois a festa precisa de sinceridade, humildade, serviço nobre e voluntário sem segundas intenções. Quando não for bom sejamos sinceros e quando for sejamos sinceros também e quando nos enganarmos tenhamos a hombridade de o dizer.
Bem sei que cada um tem a sua maneira de ver toiros, mas no entanto não digam aquilo que não viram.
Não deixemos às gerações vindouras informações incorrectas sobre a nossa tauromaquia, pois alguém um dia pode-se lembrar de escrever um livro.

Duarte Bettencourt

artigo publicado na revista Festa na Ilha nº 10

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