setembro 05, 2006

II Festival Internacional dos Açores de Escolas Taurinas

Realizou-se no passado sábado, dia 2 de Setembro, o II Festival Internacional dos Açores de Escolas Taurinas, uma organização da Tertúlia Tauromáquica Terceirense.
Em boa hora decidiu a T. T. Terceirense organizar este festival internacional, dando a possibilidade aos jovens toureiros de demonstrarem a sua vontade em singrar numa das mais difíceis profissões do mundo. Além disso proporcionou aos aficionados presentes um bonito espectáculo e promoveu a festa brava desinteressadamente, sem fins lucrativos, coisa rara hoje em dia mesmo aqui na nossa pacata terra. De parabéns está a Direcção desta prestigiada colectividade Terceirense pelo brio e asseio que colocou nesta organização.
Ao festival, infelizmente, não aderiu o público desejado ficando a praça com ¾ de casa vazia com muito cimento a aparecer, justificando uma vez mais de que são poucos, aqui na Terceira, os chamados de verdadeiros aficionados.
O espectáculo começou pontualmente, fazendo as cortesias os dois jovens cavaleiros terceirenses Rui Lopes e João Pamplona, que montavam respectivamente o Poker al Oásis, com o ferro da Coudelaria Oásis e Ovni com ferro da Coudelaria Pamplona, fazendo o passeio estiveram Lobo dos Santos, Sérgio Pullido, Pedro Capilla e Manuel Dias Gomes juntamente com o Grupo de Forcados Juvenis da T. T. Terceirense. Foram lidados um novilho de Rego Botelho, um novilho da Casa Agrícola José Albino Fernandes e quatro erales de Francisco Luís Caldeira.

O primeiro da noite, que ostentava o ferro da ganadaria Rego Botelho, coube em sorte ao cavaleiro oriundo da Escola do Centro Equestre “o Ilhéu" Rui Lopes, que o recebeu montando o Balcão, um ruço em fase branca com o ferro de João Moura, esteve correcto o cavaleiro com a ferragem comprida, nos curtos sacou o Açúcar e rubricou uma lide em crescendo onde os ferros a quiebro foram uma constante, destacando-se os 3º e 4º ferros. Nota positiva para a boa brega desenvolvida e para os remates das sortes como manda a regra. Saiu à cara deste bravo novilho, o forcado Luís Alves que se fechou à segunda tentativa.

Lobo dos Santos, aluno da escola da Moita, recebeu o segundo da noite, um eral de Francisco Luís Caldeira como todos os outros lidados a pé nesta noite, por verónicas rematadas por meia e rebolera. No segundo tércio Lobo dos Santos colocou dois vistosos pares de bandarilhas e um meio par a violino. Na muleta andou asseado, desenhando alguns passes sem profundidade, foi volteado mas com garra acabou a sua lide com vistosas manoletinas.

Na lide do terceiro da ordem esteve Sérgio Pullido, aluno oriundo da escola de Madrid, que apenas trasteou com o capote, nas bandarilhas estiveram Rogério Silva com dois bons pares e Rui Silva, na muleta o madrileno deu alguns passes sem conexão ao exigente eral de Francisco Luís Caldeira.

Para a segunda parte saiu a arena João Pamplona, da Quinta do Malhinha, montando a égua Gaiata, para receber o novilho da Casa Agrícola José Albino Fernandes. O João está-se a tornar num caso sério da tauromaquia terceirense, excelente calção e com um sentido de lide no mínimo de gente grande, desenvolveu uma lide completa a um novilho complicado que cedo descaiu para tábuas e que tinha arrancadas violentíssimas que o cavaleiro soube e bem aguentar. Nos compridos destaque para a brega e execução do 2º ferro, para os curtos o jovem Pamplona utilizou o Ezequiel, um Rio Frio e o Ovni, com o primeiro colocou um excelente ferro ao estribo e com o Ovni (ferro Pamplona) colocou um bom ferro em sorte sesgada. Para a pega saiu o jovem forcado Rodrigo Silva a executar um excelente pega ao primeiro intento aguentando os fortes derrotes do novilho.

Pedro Capilla da escola de Sevilha, deu alguns passes com o capote, nas bandarilhas estiveram poderosos os bandarilheiros José Luís Leonardo e Jorge Silva em dois enormes pares de bandarilhas, na muleta usou e abusou da mão esquerda, tendo executado duas boas tandas de naturais, levou duas voltaretas, alongou demasiado a lide e escutou um aviso.

Mas para o fim do festival estava destinado o melhor momento da noite, saiu à arena para lidar o último eral, o aluno da escola de Vila Franca de Xira, Manuel Dias Gomes, filho do carismático forcado e cabo dos Amadores de Lisboa, José Luís Gomes e neto de Augusto Gomes o primeiro novilheiro português a actuar em terras espanholas. Com sangue toureiro a correr-lhe pelas veias Manuel Dias Gomes demonstrou ofício, rodagem e placeamento, e desenvolveu um lide harmoniosa e ligada com boas séries de derechazos e naturais com mando e temple, arrebatando a melhor lide do festival. Esteve toureiro e com maneiras este aluno de Vila Franca.

Dirigiu com acerto e alguma exigência o Sr. José Valadão assessorado pelo médico veterinário Dr. Vielmino Ventura.
Duarte Bettencourt
Para ver a reportagem fotográfica da autoria de Jorge Góis clique aqui

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