setembro 16, 2006

"Moita: Um Só Toiro, Um Só Triunfo – Miguel Ángel Perera"

Por Solange Pinto in www.toureio.no.sapo.pt

"15 de Setembro na Moita do Ribatejo, mais uma corrida integrada na Festas em Honra da Nossa Senhora da Boa Viagem, desta feita uma corrida toda ela dedicada ao toureio apeado.
Noite gelada, menos de um quarto de lotação e um cartel do agrado de uns e provavelmente do desagrado dos que não estiveram na Moita na passada sexta-feira... Nuno Manuel “Velásquez”, Miguel Ángel Perera e o recente Matador de Toiros Mário Miguel, frente a um curro de toiros de Conde Cabral.

A Nuno Manuel "Velásquez" coube um lote complicadíssimo e que foi sem dúvida a maior condicionante das suas duas actuações. No primeiro toiro e depois de ter recebido de capote de forma discreta, iniciou faena, andando esforçadíssimo, tentando arrancar passes lúcidos, mas acabando por resultar uma faena deslucida pela falta de ligação entre os muletazos.
O seu segundo oponente conseguiu superar negativamente as más características do seu primeiro toiro, Velásquez mais não pode fazer que cumprir o tércio de capote conseguindo ainda arrancar duas bonitas verónicas. De muleta nada havia a um toiro que não investia e que de nenhum modo serviria ao toureio apeado.

O Matador de Toiros espanhol Miguel Ángel Perera trouxe a estrelinha da sorte, o sorteio ditou-lhe o único lidável Conde Cabral da noite. Embora de capote estivesse discreto, Miguel construiu uma faena de muleta bonita, de olés, de aplausos e de grandes ovações. De pés bem juntos desenhou três ou quatro muletazos perfeitos junto das tábuas, deu continuidade à faena bem no centro da arena onde esculpiu um magnifico toureio em redondo com a mão direita, alternando em séries de naturais esteticamente perfeitos... Muletazos e mais muletazos, pareciam não ter fim... E com a praça já ao rubro ainda conseguiu surpreender quando de pés bem cravados no chão executa vários circulares, lindos, magníficos!
Como “não há bela sem senão”, o quinto toiro da ordem e segundo do lote de Perera era dos que não tinha lide, ainda assim e de muleta conseguiu arrancar alguns passes bonitos embora isolados e sem ligação, faltando assim a continuidade que se pretende e que torna bonita uma lide com a flanela vermelha.

O 35º Matador de Toiros português, Mário Miguel trazia ganas de triunfo, mas infelizmente os toiros do seu lote em nada colaboraram. Recebeu à porta gaiola o seu primeiro recebendo os aplausos do público. Bandarilhou na perfeição, mostrando faculdades e habilidade, destacamos os dois primeiros pares. Já de muleta na mão iniciou faena no centro da arena com o pêndulo dando continuidade com o toureio em redondo. A vontade de investir do toiro pouco durou, tirando todas e quaisquer hipóteses ao toureiro açoriano de arrancar passes estéticos.
A sua segunda lide resume-se tão só aos pares de bandarilhas que cravou com facilidade, sendo o primeiro de muito boa execução. De muleta nada houve a fazer a um toiro que se fechou imediatamente em tábuas.

Como já referimos do curro enviado pelo ganadeiro Conde Cabral, só o segundo toiro deu bom jogo, sendo os outros cinco ordinários e mansos. O quarto da ordem foi ovacionado pela boa apresentação. Os pesos rondaram os 480 quilos.

Dirigiu a corrida sem problemas ou incidências a registar o Sr. António Barrocal.


Nuno Manuel Velásquez – Aplausos/ Aplausos
Miguel Ángel Perera – Volta/ Aplausos
Mário Miguel – Volta/ Aplausos"

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