junho 30, 2007

2ª Corrida da Feira de São João 2007

Decorreu ontem, dia 29 de Junho, pelas 18 horas e 30 minutos na Monumental Praça de Toiros Ilha Terceira a 2ª Corrida da Feira de São João 2007. Com ¾ de ocupação das bancadas, a corrida contou com a presença em cartel dos jovens cavaleiros Tiago Pamplona e João Telles filho, dos forcados da Tertúlia Tauromáquica Terceirense, dos Amadores de Moura e do matador salmantino López Chavez. Lidaram-se toiros da ganadaria Casa Agrícola José Albino Fernandes. Na direcção da corrida esteve irrepreensível o Sr. José Valadão.

Ao início da tarde o dia apresentou-se chuvoso e pouco apetecível para ir aos toiros, mas com o aproximar da hora da corrida o tempo melhorou significativamente, proporcionando um ambiente próprio da corrida de toiros, sol e toiros.
O tempo que se fez sentir antes da corrida, afastou algum público das bancadas.

O cavaleiro terceirense Tiago Pamplona abriu praça para lidar o toiro Ninféu, número 191 e com 470 quilos, o cavaleiro terceirense bregou bem e melhor colocou o toiro, para depois em sorte lhe cravar bem no alto do murrilho três ferros compridos de boa nota. No segundo tércio o cavaleiro da Quinta do Malhinha fez descer a sua actuação, abusando das batidas ao piton contrário, desviando a trajectória do oponente, fazendo com que as reuniões fossem algo aliviadas, colocando de forma irregular a ferragem da ordem. No final da lide, bem esteve o cavaleiro em não querer dar volta à arena.
No seu segundo toiro o cavaleiro tinha reservado à aficion terceirense a lide da tarde. O cavaleiro recebeu o Nato, com o número 181 e 470 quilos de peso montado na Gaiata, com ela colocou três compridos de boa nota e de boa colocação, de novo o cavaleiro realizou um boa brega e colocação do toiro em sorte. Continuando com a mesma montada, coisa rara nos dias que correm, o cavaleiro terceirense colocou três ferros curtos com especial destaque para o primeiro, ao estribo e arrematado como mandam as regras e para o terceiro num arrimado ferro ao violino, finalizou a lide a este bravo Albino com um palmito de excelente colocação, saindo sobre forte ovação do conclave.

Para as pegas do lote de toiros de Tiago Pamplona foram solistas pelos Amadores de Moura, Luís Monje e César Fonseca em duas caras de grande nível, ambas à primeira tentativa, o grupo esteve coeso e a dar vantagens aos oponentes. Destaque para o desempenho do rabejador de serviço Pedro Acabado, o cabo do grupo.


João Telles filho apresentou-se à aficion terceirense de casaca e tricórnio depois de em 2005 ter estado entre nós ainda como amador. Nesta altura o jovem cavaleiro denotava ter natural desenvoltura para a lide equestre, o que mantêm até os dias de hoje, só que com o passar do tempo e com as muitas idas ao país vizinho, de lá trouxe um pouco do rejoneio que ali se pratica, senão vejamos, no seu primeiro toiro depois de um brega excelente e com o toiro nos médios o despacha com um ferro à meia volta, para o segundo comprido e sem se parar coloca o segundo, só no terceiro e de praça a praça fez lembrar o Joãozinho Telles. Para o segundo tércio sacou outro cavalo e colocou três curtos, para no final sacar outro para colocar um par de bandarilhas que saiu desunido aquando da reunião. Uma lide irregular de João Telles filho.
No seu segundo toiro, o primeiro tércio afina pelo mesmo diapasão do executado no seu primeiro toiro, dois ferros compridos a despachar, nos curtos destaque para o primeiro e segundo da ordem e para o palmito que finalizou a lide ao sexto da tarde.

Para as pegas do Nómada, número 198 e do Navegador, número 186, que pesaram na balança 450 kg e 500 kg respectivamente estiverem os Amadores da T.T.T., na cara destes estiveram Jorge Ortins, à primeira tentativa com o toiro a fugir ao grupo e Marco Sousa numa cara dura à terceira tentativa. Nota positiva para a juventude das ajudas a mostrarem sítio e com excelentes condições técnicas.

López Chaves, toureiro de toiros duros e difíceis, encaixou-se perfeitamente neste cartel tendo demonstrado ofício e vontade de agradar. No primeiro toiro que pesou 495 kg, o matador esteve por cima do seu oponente que cedo demonstrou perigosidade de investida pelo piton esquerdo, a este toiro faltou trapio, bonito de apresentação mas de poucas hechuras. O matador salmantino deu-lhe a lide possível baseada na mão direita destacando-se a terceira série de derechazos arrematados com um bonito passe de peito, destaca-se também a entrega total do matador durante toda a lide, agradando ao público presente. No seu segundo, o toiro mais leve da corrida, de nome Marco, com 415 kg, López Chavez, recebeu de joelhos em terra com dois afarolados, para de seguida lancear por verónicas. No terceiro tércio o matador iniciou a lide de muleta de rodilhas em terra, levando o toiro de tábuas até aos tércios, aí toureou pela direita com alguns passes de mérito, provou a esquerda do toiro, mas este saía solto dos lances. Destaque para a última série pela direita, templada e sentida. Nota de grande seriedade para com a festa deu-nos López Chaves, o matador só saiu a agradecer a faena e dar a volta, quando para isso foi solicitado pelo público presente, coisa rara hoje em dia e que muitos dos artistas que pisam as arenas portuguesas deveriam seguir de exemplo.

O curro bem apresentado da Casa Agrícola José Albino Fernandes, que pesou em média 467 quilos, teve o seu expoente máximo no quinto toiroda tarde, um cardeno de nome Nato que saiu em sorte ao cavaleiro terceirense Tiago Pamplona, um bravo que honrou a fama da sua casa ganadeira. Os restantes cumpriram, com excepção do primeiro toiro de López Chavez.


Duarte Bettencourt

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