junho 26, 2007

A primeira das Sanjoaninas

No passado domingo, dia 24 de Junho, dia de São João, a praça de Toiros da Ilha Terceira encheu-se de ¾ de casa de público, para assistir à primeira corrida da Feira da São João 2007, integrada nas festas Sanjoaninas.
O dia amanheceu nublado e com alguns chuviscos, mas teve boas abertas durante a manhã e princípio da tarde tornando-se nublado novamente para o fim da tarde.
No exterior da praça já se sentia o “cheiro” a toiros. Muitos dos que há muito não se viam, cruzavam dois dedos de conversa e à medida que o relógio avançava, os nervinhos miudinhos próprios de um início de feira já se faziam sentir.
As 18 horas e 30 minutos bateram no relógio da praça e as cortesias avançaram ao som de um passodoble executado pela Filarmónica Recreio Serretense. O Forcados Amadores da Tertúlia Tauromáquica Terceirense sob o comando de Adalberto Belerique iniciaram as mesmas, seguidos do matador de toiros “El Capea” e restantes quadrilhas, a cavalo vieram João Moura filho de casaca bourdeaux bordada a ouro e Leonardo Hernadez filho de traje campero cinzento, por último os pastores das ganadarias locais de Rego Botelho e Irmãos Toste, na direcção da corrida esteve o Sr. Carlos João Ávila assessorado pelo Dr. Veterinário Vilemino Ventura.

O jovem cavaleiro João Moura filho, apresentou-se à aficion terceirense com ganas de triunfo, no seu primeiro toiro o niño Moura esteve correcto na brega e colocação do toiro dos Irmãos Toste, desenhando uma lide séria e dentro dos parâmetros do toureio clássico, foi de frente para o toiro e colocou quanto a mim os melhores ferros da tarde e mostrou a muitos que também toureia de frente e pelos cânones do toureio equestre. No segundo do seu lote Moura chegou mais ao público com o seu toureio de ladeio, numa execução de toureio de menos verdade mas de mais espectacularidade, que chegou muito bem aos tendidos, saindo em apoteose após a colocação de dois palmitos ao violino. Agradou o toureio sério e variado deste menino prodígio da tauromaquia mundial.

Já o seu alternante, Leonardo Hernandez filho, esteve correcto no primeiro toiro que lhe coube em sorte toureando de frente e arrematando as sortes como mandam as regras. No seu segundo as coisas já não correram tão bem, o jovem rejoneador não se entendeu com o bonito toiro dos Irmãos Toste, que pesou na balança 515 kg, deixando aos presentes uma lide sem história.
Uma chamada de atenção ao rejeonador Leonardo Hernandez filho. Aqui como em qualquer praça portuguesa que se preze, o cavaleiro só deve dar volta à arena quando a isso tem direito, caso isso não aconteça, como foi o caso, não deve o cavaleiro ouvir palmas à custa do labor do jovem forcado da cara, que no caso concreto executou a pega da tarde. Mais, o cavaleiro tendo a noção disso em vez de sair pela porta dos cavalos saiu pela trincheira com o forcado José Vicente, que merecia da parte do público uma chamada aos médios, para aí sim ser-lhe tributado a ovação merecida.

O Grupo de Forcados Amadores da Tertúlia Tauromáquica que se apresentou sozinho em praça pegou os quatro toiros da ganadaria de Irmãos Toste, todos à primeira tentativa. Foram caras e por ordem de intervenção os forcados João Pedro Ávila, numa pega segura e de boa execução técnica, Décio Dias “Nini”, numa cara correcta, Marco Fontes “Foca”, numa rija e bem conseguida pega fechando-se com garra à barbela e por último o forcado da tarde, José Vicente, que com garra e determinação aguentou o violentíssimo derrote do toiro, consumando a pega da tarde.

“El Capea” filho do matador “Niño de La Capea”, apresentou-se entre nós com um toureio variado de capote, desenhando os lances com muita classe e toureria fazendo soar alguns olés a quando da série de verónicas templadas e bem desenhadas que deu ao primeiro toiro de Rego Botelho, neste mesmo toiro e acusando a falta da sorte varas, o toureiro salmantino não entendeu o oponente, que a meu ver tinha muito mais para dar. Já no seu segundo, um nobre e bravo toiro de Rego Botelho, “El Capea” esteve em sintonia com o toiro e aproveitando a nobreza deste, sacando-lhe alguns derechasos profundos e sentidos, mesclados com mandados passes de peito.
Uma chamada de atenção a quem de direito. Os toiros da parte apeada da corrida saíram à arena muito afeitados, sei que assim tem de ser neste Portugal das touradas, mas no caso concreto não acham que foi demais?

Por fim os toiros, estes vieram bem apresentados e com boas condições de lide, umas vezes aproveitadas pelos intervenientes outras não, destaque para o 1º toiro da corrida, de nome Dançarino, com o número 73 de Irmãos Toste, lidado por João Moura filho, na parte equestre e o 6º da corrida lidado por “El Capea”, na parte apeada, que quanto a mim foi um toiro nobre e bravo da ganadaria de Rego Botelho, que ostentava o número 451 de nome Descoronado.

Foi assim a primeira de quatro corridas que compõem a Feira de São João 2007.

Duarte Bettencourt

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