julho 01, 2007

3ª Corrida da Feira de São João – “El Cid” toureiro de raça e valor desmedido.

Ontem pelas 18 horas e 30 minutos realizou-se a terceira de quatro corridas de toiros, que compõem o cartaz da Feira de São João 2007.
Um cartel de feira em qualquer parte da geografia taurina, que contou com a presença de José Luís Gonçalves, Manuel Jesus “El Cid” e Eduardo “Gallo”. O curro foi enviado pela ganadaria de Rego Botelho. Dirigiu com acerto o Sr. Raúl Pamplona.

O matador de toiros português José Luís Gonçalves, de branco e ouro, recebeu o toiro “Deglamador” número 438 com 465 quilos de peso, com alguns parons de bom recorte artístico mesclados com verónicas, para de seguida rematar o quite com meia verónica. Com a muleta José Luís esteve abaixo do nível esperado pelo público presente, demasiado vulgar, sem conseguir ligar os passes, demorando eternidades entre cada passe, tentando mostrar ao público que o vento que se fazia sentir era o principal obstáculo ao bom desenrolar da lide, que em tom de verdade se diga apenas mostrou que o toureiro português acusou o abrir praça em corrida tão importante. Demonstrou ainda falta de entendimento das características do seu oponente. O toiro de Rego Botelho teria com certeza outra lide.
No seu segundo, marcado a fogo com o número 444 de nome “Rivaldo”, iniciou a contenda com um quite por verónicas por alto, rematado por meia cingida, com a muleta iniciou a lide com passes por alto junto de tábuas para em seguida desenhar um bonita série pela direita, provou a esquerda do astado fazendo soar alguns olés na bancada, com o desenrolar da lide José Luís Gonçalves acusou falta de temple, prolongando em demasia a faena. No final da lide obteve ovação e deu volta à arena.

Manuel Jesus “El Cid” o cabeça do cartaz da Feira de São João deste ano, não deixou os seu créditos por mão alheias, desenhando duas lides profundas de conhecimento e entendimento dos terrenos dos toiros que lhe couberam em sorte. O matador apresentou-se entre nós trajado de azul e ouro, recebendo o “Fulminante” com um excelente quite por verónicas cheias de sentimento, rematadas com rebolera, que fizeram soar os primeiros olés da tarde. Com a muleta o matador iniciou a faena com um série cingida e profunda pela direita, para iniciar a segunda série pela direita com um molinete arrimadíssimo numa série templada e de muito bom som, toureou por naturais e aí o toiro número 443 de Rego Botelho metia um pouco o piton esquerdo, o vento prejudicou a certa altura o bom desenrolar da lide, que Manuel Jesus sobe dar a volta, no final da lide o toureiro desenhou alguns passes em redondo acabando a lide em tom superior, uma lide com muita ligação e toureria, digna de registo. O toureio foi muito aplaudido no final e durante a volta à arena.
No seu segundo, um toiro que tinha dificuldade em humilhar, o de Salteras deu a lide adequada ao “Trovão”, sacando o que tinha e não tinha para dar, deu bons passes quer pela direita quer pela esquerda, tirando todo o partido que este toiro tinha para dar, saindo por cima do astado numa lide arrimada cheia de mando e poderio. O matador deu volta sobre forte ovação.

Eduardo “Gallo” apresentou-se à aficion açoriana pouco confiante e deixando a ideia de que terá ainda muito caminho para trilhar neste mundilho taurino. Vestindo um traje de luces verde e ouro, o salmantino não se entendeu com o “Napolitano”, despachando-o ao fim de poucos minutos de lide, não há história a contar deste toiro que coube em sorte a “El Gallo”. O toiro de Rego Botelho apresentava algumas dificuldades, mas que teria com certeza outra lide se o matador que o coube lidar lhe tivesse ministrado a lide adequada. O público soberano assobiou a actuação deste jovem matador.
No segundo do seu lote Eduardo “Gallo” esteve um pouco melhor mas com o desenrolar da lide veio a demonstrar falta de quietude e de confiança, tendo-se deixado alcançar pelo piton do “Lagerado” a meio dos passes, por duas vezes. No final não deu volta e foi assobiado.

Os toiros de Rego Botelho, que pesaram em média 468 kg, eram bonitos em apresentação, mas variados nas condições de lide. Destaque para o toiro “Fulminante”, número 443 que pesou na balança 445 kg, lidado em segundo lugar “El Cid”.

Se pode haver um triunfador da corrida de ontem, ele só poderá ser um, Manuel Jesus “El Cid”, toureiro de raça e valor desmedido, que deixou entre os terceirenses a vontade de o voltar a ver.
Duarte Bettencourt

0 comentários: