julho 23, 2007

Corrida do Emigrante

Realizou-se sábado dia 21 de Julho pelas 21 horas e 30 minutos na Praça de Toiros Ilha Terceira, a Corrida do Emigrante, que registou uma enchente até às bandeiras, fruto da excelente promoção deste evento e claro da composição do cartel, que se mostrava muito apelativo.
Do cartel faziam parte os cavaleiros António Telles e Rui Salvador, o matador de toiros Vítor Mendes, os grupos de forcados Amadores da Tertúlia Tauromáquica Terceirense e uma selecção de forcados da Califórnia, os toiros anunciados pertenciam à ganadaria de David Ribeiro Telles (4) e Nuno Casquinha (2).

António Ribeiro Telles de regresso à ilha Terceira,teve duas actuações modestas, muito aquém das expectativas. No primeiro do seu lote, o cavaleiro da Torrinha teve pela frente, um manso da ganadaria do Vale do Sorraia, propriedade de David Ribeiro Telles com o número 30 nos costados e que pesou na balança 490 quilos, que tendia para terrenos de tábuas. O cavaleiro entendeu o oponente e colocou toda a ferragem pelo corredor de dentro, estas sortes não permitiram a frontalidade do toureio de António Telles que são o cartão de visita do Maestro da Torrinha.
No seu segundo outro manso, desta feita da ganadaria de Herdeiros de Ezequiel Rodrigues (?) com 400 quilos de peso, o cavaleiro andou demasiado vulgar, onde as passagens em falso foram uma constante e com os ferros a saírem por detrás das cilhas.

Rui Salvador andou no mesmo plano do seu alternante na lide do primeiro do seu lote, um descastado da ganadaria terceirense de Herdeiros de Ezequiel Rodrigues (?) que pesou 445 quilos, o cavaleiro de Tomar cravou dois compridos a cumprir com o toiro a não empregar-se no momento da sorte, dificuldade esta que prejudicou toda a lide do cavaleiro. No segundo do seu lote, de Vale do Sorraia com o número 28 e com 440 quilos, Rui Salvador teve a melhor lide da noite, com uma lide esforçada culminada com um bom ferro curto depois de um brega vistosa e boa colocação do toiro em sorte.

No final da tourada foi oferecido um toiro pela organização para ser lidado a duo por António Telles e Rui Salvador, a lide não resultou pela falta de entrosamento entre os cavaleiros, quer na brega, quer na colocação do toiro, coisa muito comum nas lides a duo. Chegou às bancadas os ferros colocados à queima do cavaleiro de Tomar (?).

Vítor Mendes nos seus 49 anos de idade lidou dois toiros da ganadaria de Nuno Casquinha. Variado com o capote, destacando-se nas chicuelinas sempre arrimadas, nas bandarilhas brilhou com bons pares a quarteio, imagem de marca do matador português. Nas faenas de muleta, no seu primeiro, que se metia um pouco por dentro, esteve algo irregular toureando à base da mão direita, provando a esquerda do toiro apenas no final da lide, tendo-lhe ministrado apenas dois naturais. Já no seu segundo, um bonito e nobre exemplar de Nuno Casquinha, podemos apreciar a uma lide mais completa, com alguns passes sentidos pela direita e outros tantos profundos com a mão esquerda, desenhando uma lide agradável de seguir. Nota positiva para a apresentação do lote de toiros que coube em sorte a Vítor Mendes, o primeiro com 455 quilos e o segundo com 425, ambos bonitos de hechuras, astifinos e encastados.

Pelos Amadores da T.T.T. foram forcados da cara e à primeira tentativa, Jorge Ortins a aguentar violento derrote de cima para baixo com o toiro parado, Décio Dias (Nini) numa pega fácil e bem fechado à barbela e José Vicente na pega da noite a aguentar um derrote na viagem fechando-se irrepreensivelmente à barbela. Nesta última pega, que estava fora do inicialmente previsto, deveria o grupo anfitrião ter convidado pelo menos quatro elementos do grupo visitante como mandam as boas regras da educação e cavalheirismo próprios da cultura do forcado português.
Pela selecção (?) de forcados da Califórnia foram solistas (e foram mesmo) os forcados Paulo Toledo à segunda tentativa muito bem fechado à barbela e Francisco Gonzalez “Espanhol” na pega mais emotiva da noite, em que o forcado andou sozinho na cara do toiro sem nunca ser ajudado pelo grupo, sorte para o forcado e para o grupo pelo toiro nunca ter derrotado.
Não entendo como é possível um grupo de forcados se apresentar em praças portuguesas trajados da forma como estes o fizeram, sem saberem por exemplo como saltar a uma arena e o mais caricato o de decidirem quem faz o quê no momento da alinharem para a pega, assim não.

O mais da corrida.
A excelente moldura humana que encheu até as bandeiras a monumental Praça de Toiros da Ilha Terceira.
A excelente publicidade feita à corrida pois sem ela a mesma não teria tido o sucesso de bilheteira que teve.
A excelente escolha dos nomes que compunham o cartel, que só por si eram sinónimo de casa cheia e para um simples facto que foi o de a trincheira se encontrar praticamente vazia, coisa muito rara nos dias de hoje.

O menos da corrida.
A falta de informação ao público que enchia as bancadas da alteração dos toiros a serem lidados. Estavam anunciados toiros de David Ribeiro Telles (Ganadaria Vale do Sorraia) e foram lidados, por falta de peso dos anteriores, dois toiros da ganadaria local de Herdeiros de Ezequiel Rodrigues.
A anunciada selecção de forcados da Califórnia não passou mais do que a junção de dois grupos de forcados, os do Grupo de Forcados de Tulare e os do Grupo Forcados Filhos dos Açores de Artesia, e contavam-se atrás da trincheira doze elementos, oito de um grupo e quatro do outro.

Duarte Bettencourt

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