agosto 08, 2007

Grande espectáculo em noite de forcadagem

As aliciantes aliadas à expectativa, levaram a que fosse registada uma enchente na Monumental “Ilha Terceira”. O redondel angrense recebia a apresentação daquele que é o mais novo dos Grupos de Forcados do mundo taurino, o Grupo de Forcados Amadores do Ramo Grande. O cartel contava ainda com João Salgueiro, a cavalo, assim como o matador Ivan Garcia, triunfador da Feira de São João de 2006. Toiros das pastagens terceirenses de Rego Botelho (linha Jandilla) (RB), Casa Agrícola José Albino Fernandes (JAF) e Irmãos Toste (IT). Na direcção da corrida esteve o Sr. Raul Pamplona, assessorado pelo Dr. Vielmino Ventura.
Abriu praça João Salgueiro, cravando dois bons ferros compridos ao bonito “Valseiro”, nº74 ferro IT 495kg. Nesta sua primeira lide, o cavaleiro procura interessar o oponente que desde cedo se demonstrou um pouco desligado. Anda na cara do toiro e crava a gosto. Realce para o segundo curto, cravado de alto abaixo, após boa colocação do oponente. Com esta boa lide, o da casaca de veludo azul-escuro, fazia antever o bom espectáculo que se iria desenrolar. No segundo do seu lote, o marialva volta a proporcionar bons momentos de toureio. Da mesma ganadaria, este “Campino” nº 75 revelou alguns sinais de mansidão, entregando-se pouco no momento da reunião. Com maestria, e recorrendo a terrenos de dentro, Salgueiro entende o oponente e deixa-lhe 4 ferros curtos, de grande nível, no alto do morrilho. E porque não há 5º toiro manso, o “Nafe”, nº174 de JAF, revelou-se o melhor toiro da noite. Para ele estava reservada a melhor lide a cavalo da corrida. O de Valada do Ribatejo liga-se ao toiro e recria-se com este. E porque já havia agarrado as bancadas, adorna-se e enfeita o hastado com ferros de grande nível. A encerrar esta sua brilhante passagem por Angra do Heroísmo, deixa um excelente ferro curto, em que consente a investida do toiro, crava e remata a lide deixando as bancadas a seus pés.

Ivan Garcia voltou a espalhar perfume toureiro neste seu regresso à ilha Terceira. Com uma Larga de joelhos recebe o nº441 de RB. Inicia uma série de Verónicas plenas de plasticidade e recorte artístico. Templa e adorna-se com bonitas Chicuelinas. Nas bandarilhas esteve irrepreensível, faz ouvir as bancadas e mostra a razão de ser considerado um dos melhores bandarilheiros da actualidade. Inicia o terceiro tércio com Passes por Alto, para depois, sempre nos médios, desenhar Derechazos recheados de emoção, temple e profundidade. Com a mão esquerda consegue igualmente proporcionar bons momentos de lide. Faz vibrar o público com uma série de circulares com que encerra a lide. Este “Senhorio” acusou falta da Sorte de Varas, no entanto prestou-se a um bom jogo, mostrando boas condições de lide. No segundo do seu lote, nº437 RB, o diestro espanhol voltou a brilhar, no entanto sem o esplendor da sua primeira lide. O toiro “Altivo” deu boa réplica, permitindo um bom desenrolar da lide. Novamente esteve magistral com o Capote, fechando o tércio com vistosas Navarras. Partilhou a cravagem das bandarilhas com o Matador português Sérgio Santos “Parrita”, que se encontrava presente caso fosse necessária substituição. Parrita não esteve feliz com os ferros. Com a Muleta, Ivan Garcia volta a mandar na lide, proporcionando novos momentos do mais fino toureio artístico. Para o fim desta sua aparição em Angra do Heroísmo, saiu o “Norueguês” nº193 JAF, que desde cedo demonstrou poucas condições de lide. Ainda assim o madrileno consegue sacar-lhe boas Verónicas. Parrita entra de seguida na contenda e delicia com arrimadas Chicuelinas. Nada mais restou a fazer senão simular a sorte suprema a este exemplar sem condições para se poder desenrolar lide apeada.
E porque a noite era da forcadagem, assistiu-se a grandes pegas. Nuno Pires brinda a Duarte Bettencourt, mentor destes Forcados Amadores do Ramo Grande, e consuma a pega inaugural do grupo com grande valentia fechando-se à primeira tentativa numa rija pega de fazer levantar os tendidos. Realce para a excelente 1ª ajuda do Cabo Filipe Pires. Na segunda pega da tarde, Alexander Rocha, após ter sido posto fora da cara do toiro na 1ª tentativa, executa uma pega primorosa, aguenta violento derrote, sendo muito bem ajudado pelo grupo que de pronto se fecha para a consumação. Por fim, a pega da noite efectuada por Manuel Pires. O forcado fecha-se muito bem, entra pelo grupo dentro e levanta as bancadas numa explosão de aplausos. O Grupo de Forcados Amadores do Ramo Grande deixou muito boa nota, verificando-se que têm sentido, união e conhecimento.
Nota final para a excelente execução musical por parte da Sociedade Filarmónica União Praiense, destacando-se o seu primeiro trompetista. Assim a Festa tem outro brilho.
Sem qualquer dúvida, esta sim foi a corrida de maior êxito esta temporada nos Açores. Grande espectáculo assistiu a Monumental Praça de Toiros “Ilha Terceira”!

Por Bruno Bettencourt in Rabo Torto

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