março 12, 2008

Aficionados


Na semana passada fui encontrar para os lados do Cabo da Praia uma história de aficion onde foram e são protagonistas os senhores João Aguiar e Tiago Homem. A história começa à sensivelmente quatro anos ao adquirirem aos ganadeiros Irmãos Toste uma vaca brava. Desta vaca nasceu um novilho cruzado e para que este pudesse ser criado sem problemas de maior compraram para seu companheiro, a um criador da Agualva, um novilho bravo filho de uma vaca deste e de um toiro do ganadeiro Humberto Filipe.
Passou-se algum tempo desde o dia em que ouvi falar que dois amigos da freguesia do Cabo da Praia tinham criado num curral dois toiros bravos, na altura pensei cá para mim, “Isto está mas é tudo doido, agora criar toiros atrás de casa!”. Por ironia do destino um certo dia estive à conversa com o senhor João Aguiar, e por surpresa minha vim a saber que ele era um dos dois amigos de que ouvira falar, nessa nossa conversa de divagação taurina, vi que a aficion era grande e que por brincadeira tinham levado a sério a criação destes toiros, depois de uma troca de impressões logo surgiu o convite para visitar os seus toiros.
O tempo passou, até que na semana passada tive o prazer os ver, dois bonitos exemplares, com tamanho e presença, destacando-se pelo seu trapio o novilho adquirido.
Como qualquer outro ganadeiro depositaram esperanças na lide dos seus exemplares e a oportunidade surgiu com um treino conjunto do cavaleiro Rui Lopes e dos Amadores do Ramo Grande, mas como se diz na gíria taurina “os toiros são como os melões, só depois de abertos é que se sabe se são bons ou não” e infelizmente o comportamento deles em praça não foi o melhor, não se prestando à contenda. Só por curiosidade, os toiros pesaram na balança 580 e 535 quilos respectivamente.
Há quem seleccione uma vida inteira e não obtenha os triunfos desejados, e estes dois amigos aficionados bem queriam que os seus produtos dessem a lide sonhada.
O ser criador de bravo tem destas coisas.

Duarte Bettencourt

Aficionados

0 comentários: