abril 26, 2008

"Festival Luis Fagundes" por Bruno Bettencourt

por Bruno Bettencourt in Rabo Torto
"O “Festival Luís Fagundes” organizado pelo Grupo de Forcados Amadores do Ramo Grande (GFARG) inaugurou a temporada taurina nos Açores, ontem dia 24 de Abril, evento testemunhado pelos ¾ de assistência, registados nas bancadas da Monumental “Ilha Terceira”. Em cartaz estavam os cavaleiros Gilberto Filipe, Tiago Pamplona, Rui Lopes (praticante) e o amador João Pamplona (filho), para as lides de produtos das ganadarias terceirenses de Rego Botelho (RB), Casa Agrícola José Albino Fernandes (JAF), Ezequiel Rodrigues (ER), João Cardoso Gaspar (JG), Francisco Sousa (FS) e Duarte Pires (DP). Pegas a cargo do grupo organizador.
O relógio assinalou 19h30 e fez-se ouvir o toque de clarim para o início das cortesias que foram antecedidas de um momento de silêncio durante o qual o GFARG prestou sentida homenagem a Luís Fagundes, falecido elemento do grupo.
Gilberto Filipe lidou o primeiro da ordem, nº 70 JG, com entendimento. Diante de um oponente distraído e de investida pouco clara, procurou andar ligado com o toiro. Após algumas passagens em falso na cravagem dos compridos, trocou para a égua “Lentilha” com a qual cravou 4 bons ferros curtos numa lide, que apesar das dificuldades impostas pela rês de ferro JG, foi regular. O segundo do seu lote trazia o nº212 no costado e vinha das pastagens de JAF, o melhor da noite. Apesar de não mostrar sinais claros de bravura proporcionou um muito bom jogo na arena, mantendo o ritmo de investida até ao fim da lide. O de Alcochete suplantou a sua primeira saída à arena, andando com o toiro e conseguindo chegar às bancadas com a cravagem dos ferros curtos. Destaque para o seu 3º ferro em que consente a investida e crava ao estribo.
O nº83 de DP, 2º da noite, saiu da porta dos chiqueiros para ser lidado por Tiago Pamplona. O cavaleiro iniciou a lide com dois ferros compridos algo traseiros, mercê da investida pouco franca do toiro. Na segunda parte da lide, o marialva mostrou entendimento perante este adversário que veio de menos a mais durante a função. Completou uma boa faena com 3 boas cravagens. Para o cavaleiro da Quinta do Malhinha estava reservado ainda o 5º da noite, nº74 RB. O toiro que se mostrou voluntarioso a princípio, foi perdendo qualidades ao longo da lide. Pamplona mexeu com o animal, entendeu-se com a montada e construiu uma boa prestação que palmo a palmo foi arrancando aquilo que de bom havia no hastado. Destaque para o bom ferro, de alto a baixo, ao estribo com que encerrou a lide.
O praticante Rui Lopes lidou o exemplar nº42 de FS, gravito e desprovido de nobreza. Lopes não entendeu bem o opositor e permitiu repetidos toques na montada. Tentou pôr em prática uma forma de lidar claramente influenciada pelos ensinamentos que tem adquirido no seio da família Moura, mas que não se adequou a este toiro que, embora saindo das sortes sem se fixar, mostrou-se intempestivo na investida. Ficam os 4 ferros curtos bem cravados. No seu segundo toiro, ER nº 210, Rui Lopes esteve diferente. Mais pragmático e sereno, aproveitou as boas condições do produto da divisa verde e branca para desenhar uma lide mais pensada em que se observaram bons momentos de toureio. O toiro, que viria a diminuir andamento de forma clara, viu-se enfeitado com um 4º ferro curto de bom nível.
Para o final da noite estava reservada a lide que mais agitou os sectores do redondel angrense. João Pamplona (filho) recebeu o novilho nº88 de DP com a garra toureira que lhe é característica. Perante um adversário que procurava tábuas na primeira parte da lide, o benjamim da família Pamplona procurou-o e plantou bravura onde ela não existia. Após dois ferros curtos de grande nível, voltou a trocar de montada para encerrar com mais uma dupla de ferros muito bem postos. Com uma lide alegre e ritmada, agarrou definitivamente a maior ovação da noite. Um bom ensaio para a prova de praticante que se avizinha.
Tarefa difícil teve o GFARG. Frente a oponentes de investida pouco clara, muitas foram as tentativas necessárias e os percalços. O primeiro a saltar à arena foi o cabo Filipe Pires que após 3 tentativas viria a sair de maca. Para o dobrar esteve César Pires, que numa pega mais sesgada se fechou à barbela de forma poderosa. Manuel Pires fechou-se à 3ª tentativa na cara do segundo da noite. Frente a um toiro que ensarilhava fortemente, fechou-se à barbela e aí se manteve apesar de ter sido levado para fora do grupo. Destaque aqui, igualmente, para o eficiente trabalho prestado pelo 1º ajuda. André Parreira pegou o primeiro toiro, do lote de Rui Lopes, fechando-se com valentia à 3ª. Hugo Neves fechou-se bem à 2ª tentativa. Bruno Anjos quebrou o enguiço da noite e pegou à 1ª o exemplar de RB fechando-se à córnea com alguma dificuldade. Na cara do 6º da noite esteve Nuno Pires que realizou uma boa pega à 2º tentativa. A fechar, Valter Silva realizou uma grande pega à barbela.
Comentário final para a boa apresentação da generalidade dos animais. No entanto, apesar de algumas ganadarias presentes apenas se apresentarem em praça por ocasião deste género de festivais, fica a nota negativa para o défice de nobreza e bravura presenciados, notando-se claramente quais os efectivos mais trabalhados. Ficou demonstrado que os conceitos de bravura são diferentes e que as características necessárias para a Tourada à Corda não são as mesmas para uma Corrida/Festival.
Nota ainda para a violenta colhida do bandarilheiro Rogério Silva, da quadrilha de Tiago Pamplona, aquando da recolha do exemplar nº83 DP.A dirigir, sem dificuldades, esteve Carlos João Ávila assessorado pelo Dr. Vielmino Ventura.
Bruno Bettencourt"

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