junho 22, 2008

1ª Corrida da Feira de São João 2008

Ontem pelas dezoito horas e trinta minutos deu-se início à feira maior do programa taurino açoriano, a Feira de São João. O tempo ventoso que se fez sentir transformou uma tarde de verão numa tarde de início primaveril. Às bancadas da Monumental de Angra acudiram as gentes terceirenses que preencheram cerca de ¾ de casa para assistir às lides de João Moura filho, João Telles filho, Rui Lopes, Javier Valverde, e às pegas dos Amadores da Tertúlia Tauromáquica Terceirense em tarde de comemoração dos seus 35 anos de existência.
Os toiros estes pertenciam à ganadaria terceirense da Casa Agrícola José Albino Fernandes que tiveram uma média de peso de 458 quilos.
Dirigiu a corrida Carlos João Ávila, assessorado pelo Dr. Vielmino Ventura. Acompanhou as lides de ontem a banda de música da Sociedade Filarmónica Recreio dos Lavradores da Ribeirinha.
A ordem da corrida foi alterada e mais uma vez o público não foi informado, somos tanto mal tratados nesta festa que é nossa. Soube à posteriori que a alteração deveu-se ao facto do matador de toiros Javier Valverde ter de apanhar o avião rumo ao continente, para provavelmente cumprir contrato já firmado.
Sendo assim o matador salmantino toureou o primeiro e o quarto da tarde, no primeiro de nome “Olhão” o matador recebeu-o por verónicas seguidas de chicuelinas rematadas com revolera, em inicio de lide trouxe o toiro toureado com passes por alto para depois lhe dominar com derechasos rematados com passes de peito, o toiro da CAJAF nobre, de investida humilhada e saindo ao cite a galope, foi toureado ao natural demonstrando codicia e empenho, um excelente toiro numa excelente lide. No segundo Valverde esteve esforçado e com ganas, sacando todo o proveito que o toiro lhe podia dar por entre passes desligados e alardes de valentia.
João Moura filho em repetição na Praça de Toiros Ilha Terceira ministrou uma lide correcta ao segundo da tarde lidando e bregando um toiro que galopava com muita suavidade, ao fim do primeiro tércio executado com correcção o jovem cavaleiro de Monforte optou por um toureio de ladeios, característico e marca da casa Moura, conquistando assim o agrado do público, pouco entendido, que prefere este ao toureio frontal, a colocação da ferragem foi correcta embora tenha por vezes perdido o momento da sorte. No seu segundo, sexto da ordem, andou no primeiro tércio como no primeiro do seu lote optando depois por um toureio de batida ao piton contrário que não resultou pois o toiro escasso de forças não permitia o luzimento da sorte, o final da sua lide mais parecia o final de uma lide de rejoneo, o cavaleiro saiu à arena com um ferro curto e dois de palmo.
João Telles filho também ele em repetição, relembre-se que foi ele o máximo triunfador da Feira de São João 2007, lidou o terceiro e o sétimo toiro da tarde. Tanto no primeiro como no segundo do seu lote o cavaleiro da Torrinha andou desembaraçado com boa brega optando por vezes pela colocação da ferragem à meia volta. No primeiro toiro João esteve algo irregular na colocação da ferragem e com alguns toques na montada, acabou a lide com ferro de violino e um de palmo. O seu segundo toiro de nome “Nylon” quanto a mim o toiro que mais transmitia no que concerne ao toureio equestre, o jovem da Torrinha andou ligado com o toiro sobressaindo o terceiro ferro com um terra-a-terra bonito seguindo de boa execução da sorte, de seguida e para finalizar a lide sacou de outra montada e com dois ferros na mão, após a colocação de um violino a égua que montava perdeu as mãos embatendo o cavaleiro violentamente no chão, investindo o touro sobre a montada que caiu sobre o corpo do jovem cavaleiro, temendo-se e até afirmando-se de que o jovem da Torrinha perecia perante os olhos dos aficionados terceirenses, a morte rondou a arena terceirense, por bem foi-se embora e cerca de dez minutos mais tarde o João voltou a si, já na enfermaria, para descanso dos seus e de toda a audiência presente. O jovem cavaleiro sofreu um traumatismo craniano, de prognóstico grave, não se vislumbrando na altura qualquer sequela na zona lombar.
Rui Lopes representou e bem a aficion terceirense nas Sanjoninas no único toiro que lidou. Andou asseado, cumpriu nos compridos e demonstrou ao seu público que tem pernas para andar neste mundo difícil que é o tauromáquico. Após boa brega e colocação do astado, andou variado ao estilo mourista com ladeios e sortes ao piton contrario que chegaram às bancadas. Uma boa lide do jovem terceirense.
Os forcados em dia de aniversário cumpriram nas cinco pegas da tarde. Foram solistas Helénio Melo ao primeiro intento, Jorge Diniz em tarde de despedida ao segundo, Leonardo Gonçalves também ao segundo intento, Marco Sousa numa pega extraordinária à primeira com o toiro a fugir ao grupo e por fim Décio Dias na pega da tarde.
Os toiros da Casa Agrícola José Albino Fernandes bem apresentados foram nobres e lidáveis sem darem problemas de maior aos seus lidadores, destacando-se o primeiro toiro da corrida, pela sua nobreza e bravura.
Lamentável foi a atitude do Director de Corrida ao mandar tocar música no final da lide de João Telles quando se suspeitava da morte do jovem cavaleiro, sobre protestos continuou a triste cena indo ao cúmulo de pressionar o forcado a receber os aplausos. Bom senso acima de tudo.

Duarte Bettencourt

0 comentários: