setembro 09, 2008

Corrida dos 35 Anos

Realizou-se ontem, dia 8 de Setembro, na Praça de Toiros Ilha Terceira a Corrida Comemorativa dos Trinta e Cinco Anos do Grupo de Forcados Amadores da Tertúlia Tauromáquica Terceirense. Fizeram as cortesias, por entre actuais forcados, antigos e juvenis, cerca de cinquenta e dois elementos, foi bonito rever fardados forcados como João Hermínio, António Baldaya, António Pontes, Mário Manteiga, Carlos “Texugo”, António Ortins, Hildebrando Ortins, “Xinxas”, Rui Silva, entre outros mais recentes como Luís Filipe, José Luís, Luis “Ramalhete”, Hugo “Maravilhas”, relembrando apenas os que vislumbrei por entre a meia centena de forcados que se fardaram, as minhas desculpas a quem aqui não nomeei, muitos que dos quais se sentaram nas bancadas e que com o seu contributo fizeram com que o grupo chegasse à bonita idade de trinta e cinco anos.
Do cartel faziam parte o escalabitano José Manuel Duarte e os locais Tiago Pamplona, Rui Lopes e João Pamplona, na lide de toiros de sete ganadarias, quatro continentais e três insulares. A concurso estavam as ganadarias de Branco Núncio, Ernestro de Castro, Murteira Grave, Rego Botelho, Casa Agrícola José Albino Fernandes e Vila Galé, extra concurso esteve a ganadaria de Herdeiros de Ezequiel Rodrigues.
Passando a analisar a corrida propriamente dita, tivemos uma noite com poucos motivos a recordar. Começo pela forcadagem pois em dia de festa foram eles os protagonistas. Foram solistas Adalberto Belerique à primeira tentativa numa atitude exemplar de Cabo de Grupo a abrir praça em noite de grande significado, César Fonseca à segunda a aguentar valentes derrotes laterais, fechando-se e bem à córnea, Marco Sousa irrepreensível nas três tentativas que teve de executar por falta de ajuda do seu grupo, José Vicente à primeira na pega da noite com o toiro a fugir ao grupo com o forcado bem fechado à córnea, Décio Dias à segunda corrigindo os erros da primeira tentativa em que este um pouco tardo no alegrar do toiro reunindo mal, Helénio Melo à quarta a dobrar João Pedro Ávila, numa pega onde a qualidade do toiro não permitia sequer a sua consumação e onde a desorientação do grupo foi de tal forma notória que o toiro foi agarrado estando a formação, pasme-se, composta por dez elementos tendo saltado à arena outros cinco, para não dizer mais, com a porta dos curros aberta e com o Director de Corrida a mandar recolher o toiro, uma nódoa numa noite de excelentes pegas e outras tantas boas ajudas, por último pegou Álvaro Dentinho à primeira com o toiro a viajar por entre o grupo.
Quanto às lides, na primeira José Manuel Duarte esteve correcto nos compridos, já com os curtos esteve vulgar não dominando o centro da sorte cravando quase sempre a cilhas passadas, sendo contudo a lide possível ao invalido e manso Núncio, no seu segundo com ferro Rego Botelho, um toiro que não rompeu, o cavaleiro de Santarém cravou dois compridos de boa nota, destacando-se nos curtos o primeiro e o terceiro da ordem pela forma como atacou de forma recta o oponente cravando ao estribo arrematando a sorte como mandam os cânones.
A noite esta foi de Tiago Pamplona, a sua primeira lide foi também a possível com o boi da ganadaria de Ernestro de Castro, um manso perdido que apenas deixou cravar a ferragem da ordem por ter uma pequena mangada na altura da reunião, a juntar a isso o toiro saiu inválido dos curros onde teve de passar cinco dias, mas a isso farei referência mais à frente. Mas a noite sorriu para o jovem Tiago ao receber o bravo toiro da ganadaria da Casa Agrícola José Albino Fernandes, uma lide acertada nos compridos lidando e cravando de alto a baixo destacando-se o terceiro de praça à praça, o ferro da noite, nos curtos o cavaleiro da Quinta do Malhinha esteve num bom nível finalizando a lide com um soberbo ferro de palmo.
Rui Lopes enfrentou o pior lote da noite, o primeiro de Murteira Grave era manso e descaia para terrenos de tábuas, tinha muito sentido e carregava forte na montada a seguir à consumação da sorte, o segundo um toiro de Vila Galé de comportamento atípico, foi um manso perdido e com arrancadas muito violentas. Sem matéria prima é impossível bordar toureio, o cavaleiro de “oIlhéu” esteve sempre por cima dos dois oponentes, onde o esforço na realização das lides foi compensada pelo reconhecimento do público.
O amador João Pamplona lidou extra concurso e deveria ter sido também extra corrida conforme o Regulamento Tauromáquico em vigor, um novilho dos Herdeiros de Ezequiel Rodrigues, João andou desembaraçado nos compridos e cumpriu sem romper no segundo tércio.
Um concurso de ganadarias tem por obrigação ser uma manifestação de bravura e apresentação dos toiros das casa ganadeiras presentes, o de ontem foi única e exclusivamente uma limpeza de currais, excepção feita aos toiros apresentados pelas ganadarias terceirenses, com destaque para o toiro Orpheu, o número 178 da Casa Agrícola José Albino Fernandes, o melhor toiro para cavalo da temporada taurina terceirense. É certo que em fim de temporada seja complicado arranjar um curro completo na nossa Ilha Terceira, mas se se tem organizado a corrida com maior antecedência, os nossos toiros teriam de certeza melhores condições de lide. A primeira parte da corrida foi uma mansada geral, com os toiros a acusarem cinco dias de viagem e outros tantos fechados nos curros da praça, daí a invalidez do primeiro e segundos toiros da corrida. O toiro lidado em sexto lugar com o ferro de Vila Galé tinha rumado às ilhas açorianas com destino final à Ilha Graciosa, tendo sido nesta preterido para sobrero. Rumou depois à Ilha de Jesus Cristo para demonstrar a todos os aficionados presentes que a nossa camada brava está uns furos acima de algumas camadas de bravo do nosso rectângulo à beira mar plantado.
Quanto a prémios tivemos com toda a justiça o prémio apresentação entregue ao toiro Bailado com o ferro Vila Galé e sem sombra de dúvidas e sem protestos o prémio bravura ao toiro Orpheu da Casa Agrícola José Albino Fernandes, casa esta que atravessou durante toda esta época um excelente momento ganadeiro. Parabéns ao ganadeiro.
Assim terminou mais uma época taurina açoriana. Pró ano, com’outro que diz, há mais.

Duarte Bettencourt


Fotografias de Duarte Bettencourt à excepção da do cavaleiro José Manuel Duarte da autoria de Francisco Romeiras publicada no site Tauromania

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