setembro 23, 2008

"NOS AÇORES, MAIS CORRIDAS? Inúmeras questões a equacionar e a resolver ! "

Publico com a devida vénia o artigo do crítico tauromáquico Mário Rodrigues, publicado ontem, 22 de Setembro, no jornal aUnião.

"Três dias antes da efectiva realização da Corrida dos 35 anos do Grupo de Forcados Amadores da Tertúlia Tauromáquica Terceirense, Adalberto Belerique expressava o desejo de ver mais alargado o conteúdo da temporada açoriana já que o actual número de corridas e festivais não é suficiente para manter o nível do Grupo.
Na entrevista a “Diário Insular”, Adalberto Belerique diz textualmente:” Sim, penso que era importante existirem mais corridas. Não é fácil mantermos o nível que temos tido com o número de corridas que existem na Região. Era importante que se começasse a realizar corridas de toiros em mais algumas ilhas” (fim de citação).
Com efeito, a declaração do Cabo dos Amadores da TTT reflecte apreensão quanto à manutenção da qualidade e entusiasmo dos elementos do Grupo num universo onde apenas podem pegar, no máximo, doze corridas ( esta temporada foram 7 Corridas, 1 Festival e 1 Corrida em Lisboa), tanto mais que, agora, o total dos eventos tem de ser dividido com os Amadores do Ramo Grande. Por outro lado, a proliferação de grupos de forcados no Continente inviabiliza, cada vez mais, as idas lá fora, mesmo que a deslocação seja ao Campo Pequeno, como sucedeu em 2007 e 2008.
A verdade é que, mais que a qualidade, as distâncias e os lobbies ditam leis !
A solução para o Grupo dos Amadores da TTT, como o será para os Amadores do Ramo Grande, está no alargamento da temporada açoriana mas...como...quando...onde...com quê ?
Será que a aficion da Graciosa, de S. Jorge e da Terceira, ilhas onde existem praças fixas, comporta maior número de espectáculos ? Em que moldes financeiros ? Em que datas ? Que qualidade de artistas e toiros ? Começar mais cedo e encerrar mais tarde ? Com que tempo ? É ou não é verdade que parte dos espectadores na Praça do Monte do Mestre Chico (S. Jorge) e na Praça do Monte D`Ajuda (Graciosa) também se senta na Praça Ilha Terceira ?
A solução está então na expansão do fenómeno taurino e tauromáquico noutras ilhas mas não parece que tal se possa concretizar num futuro mais ou menos próximo.
Os exemplos estão aí para demonstrá-lo.
Há três anos (em 2005, concretamente ), as corridas de praça voltaram a Santa Maria -que possui uma tertúlia tauromáquica - e a ilha toda foi aos toiros, 43 anos depois do último espectáculo do género. Mas...atenção... o evento foi suportado por dinheiros públicos (não se pagaram bilhetes, nem transporte e montagem da praça, nem nada, por via das celebrações do Dia da Autonomia!). Entusiasmo e excitação houve-os aos montes. E depois ?
No mesmo ano, o Faial, que já não via toiros de praça há mais de 30 anos, teve montado na praça da Hortaludus um festival com 6 cavaleiros, 2 grupos de forcados, curro de Rego Botelho.
Que aconteceu?
Talvez porque os ingressos eram pagos - má política numa acção de relançamento -a desmontável nem atingiu meia casa. Daí para cá...nada!
Nos tempos actuais, os investimentos a realizar para a expansão do espectáculo taurino (de praça) não são certamente prioritários. Por mais que custe admitir, S. Jorge, Graciosa e Terceira vão manter-se sozinhas na realização de “touradas de praça” por muitos e bons anos. Até porque não bastará dispor dos recintos, fixos ou desmontáveis...
A estas podem muitas outras questões ser acrescentadas. Do ramalhete, a mais visível prende-se exactamente com o ponto fulcral, à volta do qual gira toda a Festa: o Toiro !
Na Região, onde se iria procurar e buscar as reses para esse hipotético aumento de espectáculos taurinos, sabendo-se que, na realidade actual ( 11 Corridas, 2 Festivais e 2 Festivais Infantis em 2008), escasseou o produto com qualidade nas Ganadarias das Ilhas ?
As dúvidas são do próprio Cabo dos Amadores da Tertúlia Tauromáquica Terceirense na entrevista atrás citada. Aliás, cerca de 28% dos toiros corridos nas praças da Região nesta temporada ostentavam ferros e divisas de Ganadarias do Continente.
Para além do tamanho das explorações, da falta de mato e pastagens, das condições climatéricas, há a juntar a tudo isso as doenças e maleitas que teimam em afectar o Bravo, um produto de selecção difícil e onerosa, melhoramento demorado sem garantias de sucesso, a requerer e a juntar a alma e o coração dos ganadeiros aos elevados custos de manutenção e maneio.
São três ou quatro anos de canseiras a criação de um toiro...para sair à Praça 1 tarde...quantas vezes sem qualquer êxito, sem dar a mais pequena alegria !

Mário Aguiar Rodrigues"

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