maio 19, 2009

"II Festival Luís Fagundes - Marcelo Mendes: Chegar, Tourear e Triunfar! "

por Mário Aguiar Rodrigues in aUnião
"Bom ambiente e louvável moldura humana para a abertura da temporada na Praça de Toiros Ilha Terceira.
As condições atmosféricas ajudaram, se bem que, de quando em vez, tenham caído uns pinguitos, sobretudo na segunda metade da função,
Quanto ao espectáculo, houve coisas boas e bonitas e outras que nem tanto.
Da matéria prima, os novilhos, pode afirmar-se que alguns ofereceram prestável colaboração e que o quinto - por regra costuma ser bom - não contribuiu em nada para o serão que, de modo geral, foi agradável de seguir, muito também por via do brilho da execução dos rapazes das jaquetas enramadas do Grupo de Forcados do Ramo Grande.
No entanto, a maior contribuição para a valorização da noite veio da intuição toureira de Marcelo Mendes, um praticante que, tal conquistador, veio, toureou e triunfou.

O triunfo de Marcelo Mendes
Como fora afirmado no lançamento do Festival, Marcelo Mendes era a única estreia no redondel terceirense. Havia, de facto, alguma expectativa quanto à real valia deste praticante, para quem os cavalos luso-árabes são as montadas de preferência.
Pois bem, o jovem da Quinta da Chapuceira exibiu qualidades e intuição, um tanto de entrega e arrojo, de forma a proporcionar momentos de toureio de nível e emoção suficientes para merecer dos tendidos aplausos e flores, bem assim, a música que o Director do Festival, José Valadão, entendeu conceder-lhe.
A lide ao “1”, de Rego Botelho, segundo do lote, terminou em festa com os espectadores, de pé, a tributar prolongado aplauso, muito por mérito dum par de bandarilhas a duas mãos, executado com alegria e à-vontade, a que não foi alheia a disponibilidade de “Útil”, um cavalo toureiro.
A lide ao último do Festival confirmou afinal o que já vinha da primeira intervenção: concentração, boa escolha de terrenos, grande dose de alegria e esplêndida ligação com o público.
Marcelo Mendes caiu em graça logo quando, na lide ao terceiro da noite , soube aproveitar as qualidades do “224”, de Herd.s de Ezequiel Rodrigues, um novilho de escassas carnes mas de apreciável comportamento.
Marcelo é um cavaleiro ainda à procura de lugar e sítio mas, a continuar com inteligência e coração, vai lá chegar de certeza.
Se o “Útil” merece referência especial, pois foi com ele que se cimentou o triunfo de Marcelo Mendes, devem ser aqui mencionados o “Lindo” e o “Quilas”, cavalos luso-árabes da confiança do cavaleiro.
Pelo que demonstrou no decorrer do II Festival Luís Fagundes, Marcelo Mendes afigura-se como nome a gravar na agenda para futuros contactos.

Não foi a noite sonhada
Para Tito Semedo, a Praça de Toiros Ilha Terceira não tem segredos. Não é a primeira vez , e não será a última, que toureia por estas bandas onde, por norma, cumpre bem o seu papel de cavaleiro.
Na noite de sexta-feira, 15 de Maio, o cavaleiro de Santana da Serra não conseguiu mostrar a sua condição de bom lidador, ao contrário do que recentemente se passara na Ovibeja, evento onde disputou, taco a taco com Maestro João Moura, o troféu para a melhor lide.
Se bem que os cavalos apenas tenham chegado de véspera, não foi por aí que Tito deixou um certo “amargo de boca”.
Frente ao primeiro, o “238”, de Herd.s de Ezequiel Rodrigues, Semedo , a utilizar os cavalos “Império” e “Maravilha”, andou esforçado mas não teve correspondência da parte do oponente.
Na segunda intervenção, frente ao “219”, de CAJosé Albino Fernandes, quem sabe se “espicaçado” pelo desempenho de Marcelo, Tito Semedo elevou a fasquia. Entendeu-se com o “parceiro” e a lide saiu melhorada. A montar “Maravilha” e “Imponente”, o cavaleiro de Santana da Serra aproximou-se bem mais do seu real valor, tanto na brega, como na colocação, desenho e remate das sortes.

A cabeça de Rui já estava na Califórnia
Nas vésperas de partir para a aventura americana, Rui Lopes teve noite para esquecer na passagem pelo II Festival Luís Fagundes.
Nos dois novilhos do lote, o “100”, de Rego Botelho, e o “221”, de CAJAF, Rui esteve perto do desastre.
Nunca se encontrou embora, em certos momentos, tenha dado a sensação de que “agarrara” o tempo e o mote para inverter o apagado desempenho. Certamente, com a cabeça já a viajar para Stevenson, Califórnia, Rui Lopes viu-se em situações de grande apuro com as montadas a suportarem violentos toques.
Com o primeiro, viu-se em apuros por falta de atempada intervenção dos bandarilheiros e, na lide ao segundo, esteve à beira de acidente aparatoso. A violência do toque do novilho -intragável, por sinal -arrancou-lhe o estribo esquerdo.
Na noite que não devia ter acontecido, Rui Lopes procurou valer-se das competências das suas montadas, “Teimoso”, “Nó”, “Sublime”, “Quarteio” e “Açúcar”, mas o II Festival Luís Fagundes não era mesmo ocasião para triunfar. Mas, como diz o ditado, “por morrer uma andorinha, não se acaba a primavera”.

Forcados do Ramo Grande
Para além de tudo o mais, os Forcados do Ramo Grande encaravam o II Festival Luís Fagundes como o treino ideal de preparação para os compromissos da Feira de São João, durante a qual vão ser chamados em três tardes.
Gente de cepa rija, do antes quebrar que torcer, os Amadores do RG contribuíram com a sua parte para o brilho do Festival.
Das seis pegas, apenas uma não foi efectuada ao primeiro intento. Foi exactamente a pega ao quinto da ordem, à terceira tentativa, que mandou Nuno Pires para a enfermaria a fim de ser suturado a profundo golpe no queixo.
Com um ou outro pormenor técnico a necessitar de aperfeiçoamento, César Pires, André Parreira, Bruno Anjo, Miguel Pires e Alex Rocha desembaraçaram-se da tarefa à primeira.
Filipe Pires, o Cabo do Grupo, tinha todas as razões do mundo para mostrar-se agradado e contente.

A lembrança de José Porto
O falecimento recente de José Porto, que foi forcado de excelência no Grupo dos Amadores da Tertúlia Tauromáquica Terceirense, foi lembrado com um minuto de silêncio no início do Festival Luís Fagundes."

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