junho 23, 2009

Corrida da Oportunidade

por Duarte Bettencourt in Diário Insular

De montera na mão piso esta praça de primeira, carregando com força o pé nesta tão ilustre arena. Antes de mais nada gostaria de deixar presente que os artigos que vos vou trazer nestas páginas serão apenas a opinião de um aficionado à festa brava.
A Feira de São João deste ano teve a sua inauguração no passado dia 21 de Junho, no cartaz podia ler-se Corrida da Oportunidade, e foi exactamente o que podemos presenciar na arena angrense, uma oportunidade aos novos valores da tauromaquia. Pela ilha Terceira tivemos o praticante Rui Lopes, pela Espanha taurina José Manuel Más e por Portugal continental um dos novilheiros de maior expectativa, Manuel Dias Gomes.
O dia amanheceu nublado caindo alguma chuva pela ilha ameaçando em certas alturas a realização da novilhada, mas quis São Pedro ajudar e nem um chuvisco caiu na arena da Praça de Toiros Ilha Terceira. A aficion terceirense preencheu cerca de meia casa.
Às dezoito horas e trinta minutos deu-se inicio às habituais cortesias onde podemos apreciar à montada do cavaleiro, aos trajes dos novilheiros e seus adornados capotes de passeio.
A tarde de toiros iniciou-se com a lide do novilho número 237 dos Herdeiros de Ezequiel Rodrigues pelo cavaleiro do “Ilhéu”, o de ER saiu solto e desde cedo procurou o refúgio das tábuas, demorando-se a fixar no “Pincel”. O cavaleiro terceirense colocou dois ferros compridos, o primeiro numa tira a abrir o segundo de frente abrindo ligeiramente o quarteio. Já com o “Nó” a lide iniciou-se com alguns toques na montada para depois colocar o novilho nos médios e deixar um bom ferro curto, o novilho fazia antever o seu próximo comportamento e fixou-se na sua crença natural, a porta dos curros, e só de lá saía a custo e pela boa brega de Rui Lopes. O cavaleiro lidou-o onde podia e devia rubricando a cravagem de mais três curtos.
Para a pega deste novilho saiu à arena o forcado Jorge Santos dos Amadores da Tertúlia Tauromáquica Terceirense, que na sua ainda jovem carreira rubricou à segunda tentativa uma boa pega de caras.
No quarto da tarde, também de ER com número 225, que saiu com mais alegria do que o anterior, notando-se desde o início a sua tarda investida. O cavaleiro deu-lhe a brega adequada colocando-lhe dois compridos à tira. Para os curtos sacou o “Quarteio” baseando a lide nos ladeios tão na moda, destaque para o terceiro ferro a sesgo onde a colocação e remate da sorte foram de maestria, o toiro cedo perdeu o ímpeto perdendo as mãos por várias vezes, fazendo com que o “Açúcar” nos seus vistosos cites não tivesse o brilhantismo a que nos habituou o seu cavaleiro.
Saltou as tábuas Olger Melo da T.T.T. para se abraçar com garra e convicção à primeira tentativa.
A lide a pé teve dois momentos, o primeiro sem grande história e o segundo com os toureiros a rivalizarem entre si, onde podemos assistir a bons momentos de toureio.
José Manuel Más recebeu o primeiro do seu lote, o novilho número 492 de Rego Botelho, por verónicas. A seguir iniciou-se uma rivalidade saudável com Manuel Dias Gomes a sair ao quite, lidando por párons, saindo a repicar o lidador por chicuelinas. Nesta altura da lide já se notava que o piton direito do novilho seria o de melhor qualidade de investida. Seguiu-se o segundo tércio bem desempenhado pelos bandarilheiros de turno, salientando que ambas as quadrilhas estiveram em plano superior nesta tarde.
A lide inicia-se como mandam os cânones, desde as tábuas até aos médios. O toiro de RB tinha mobilidade, recorrido e humilhava bem, o novilheiro sentiu e acusou a falta da sorte varas não se acoplando à investida do oponente a que era necessário dar mais distância para que a lide tivesse outro sabor.
Na sua segunda lide o novilheiro veio com ganas de triunfo e deixou logo à entrada o seu cartão de visita, recebendo o astado com o número 86 dos Irmãos Toste por verónicas bem ajustadas e rematadas por meia cingida, o alternante saiu ao quite por tafalleras, obtendo como resposta de Más, Lopezinas com muita arte e improviso sendo ovacionado com força pelo público presente. Devido ao exagero dos quites o de IT chegou à muleta já a meio gás, pois à segunda tanda de derechazos o novilho rachou saindo solto dos lances, este tinha nobreza e humilhada investida mas com o pormenor atrás referenciado retirou algum brilhantismo ao desempenho do novilheiro. José Manuel Más acabou a lide por circulares invertidos deixando bom ambiente na arena terceirense. Escusado será de dizer que as duas voltas dadas por Más foram um tanto ou quanto exageradas.
Manuel Dias Gomes no seu primeiro dos irmãos do Cabo da Praia com o número 103, anovilhado de presença mas com peso para a função, recebeu-o por parons e verónicas rematadas por meia, respondeu Más por tafalleras, rematando Dias Gomes por chicuelinas, não muito bem desenhadas. A lide deste novilho teve pouco que contar. O novilheiro provou a esquerda do novilho sendo de seguida desfeiteado, o piton direito era o de melhor som mas também o de maior sentido. Deixou tocar com violência por várias vezes a muleta, numa lide sem história. O novilheiro, e bem, não deu a volta ao ruedo.
O segundo do seu lote, número 496 de RB, foi sem sombra de dúvida o melhor novilho da tarde, um novilho de humilhadas investidas com recorrido e com muita nobreza, o novilheiro soube aproveitar as qualidades do seu oponente rubricando a faena da tarde, no capote Dias Gomes toureou com salero desenhando bonitas verónicas, no quite de Más sobressaiu as navarras. Manuel Dias Gomes iniciou a faena no centro da arena com passes cambiados de muito valor e com reconhecimento do público presente, a faena estava em crescendo quando o novilheiro português foi volteado, mas sem consequências. Com um novilho desta qualidade Dias Gomes rubricou uma boa faena, com temple e suavidade nos passes para deixar bom ambiente entre a aficion terceirense.
Nota positiva para o labor da Filarmónica da Associação Cultural do Porto Judeu pela forma com interpretou o 13 pasodobles com que brindou o público presente.

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