junho 30, 2009

A Porta Grande para “El Juli”e Indulto para o “Guarda” de Rego Botelho.

por Duarte Bettencour in Diario Insular


Viveu-se no passado dia 26 de Junho, na arena da Monumental Praça de Toiros Ilha Terceira, uma tarde de toiros inesquecível. Quem teve a sorte de poder assistir ao encontro de um toiro bravo com a maestria do matador de toiros Julian Lopez “El Juli”, decerto chamais esquecerá os momentos únicos vividos e sentidos com tamanha emoção.
Matador de renome internacional, bordou o toureio na arena angrense e levou ao rubro o público presente.
Duas voltas à arena, uma com o ganadeiro António Baldaya, com a praça toda de pé aplaudindo o triunfo do toureiro e do ganadeiro. Três toiros, três lições de bom toureio.
“El Juli” nasceu com o toureio na cabeça. Lembram-se dele na noite da Tenta Comentada, organizada pela Tertúlia Tauromáquica Terceirense no ano de 1994? Aí já se vislumbrava um toureiro de futuro, assim o foi, assim o é, um toureiro de época.
Analisando mais a pormenor a Majestosa Corrida, como era anunciada nos cartéis, começo pelo desempenho do Alcochetano filho de uma grada figura da tauromaquia mundial, Manuel Lupi.
O cavaleiro recebeu o novilho 479 de Rego Botelho (RB) montando o “Sado”, para colocar dois compridos, o primeiro de frente com colocação descaída e contrária e o segundo à tira e traseiro. O novilho de RB saiu distraído com sentido nas tábuas, não colocando contudo problemas de maior ao seu lidador, pois de lá saía com facilidade. Para os curtos sacou o “Pesenho” com destaque para o segundo ferro a favor da crença natural e para o quarto, um de palmo cingido.
O segundo de Lupi com o número 499 saiu com outro som, empregando-se no combate, demonstrando que iria servir e bem para a função. O cavaleiro recebeu-o montando o “Valete” para lhe colocar dois ferros compridos sendo o segundo o de melhor nota, já com o “Wiskie” baseou a lide em sortes cambiadas ou ao piton contrário saindo o segundo ferro demasiado pescado, com destaque para o primeiro e quarto ferros da ordem.
No último toiro que lhe coube em sorte, e depois da saída em ombros do seu alternante, o jovem cavaleiro veio com ganas de triunfo, montando o “Sado” deixou um excelente ferro de praça a praça. Lupi andou ligado com o novilho número 476 não deixando se fixar na sua crença adquirida, a porta dos cavalos, já com o “Saon” continuou ligado e desenhando boa brega para colocar três ferros curtos de frente e dois de palmo com que finalizou a sua lide e tarde na arena angrense.
Os amadores da Tertúlia Tauromáquica Terceirense (T.T.T) abriram praça com o forcado Álvaro Dentinho. O novilho saiu para o abraço com alegria, fechando-se bem na cara do oponente o forcado, aguentando dois violentos derrotes para consumar a apega da tarde com a boa ajuda dos seus companheiros.
A segunda intervenção dos forcados da T.T.T. foi concluída à segunda tentativa por Leonardo Gonçalves, que adiantou as mãos nas duas tentativas executadas, para consumar a pega com a ajuda fundamental do grupo.
Para a cara do último toiro da corrida saltou à praça o forcado César Fonseca, que após inapropriada escolha de terrenos para fixação do astado, pegar com dificuldades à terceira tentativa. Saliente-se que o forcado da cara na terceira tentativa ia com o braço direito visivelmente diminuído, mostrando raça e valentia no embate com o toiro. Pormenor importante de salientar foi o de terem saltado a trincheira alguns forcados que tiraram brilhantismo à sorte.
Os toiros enviados pelo ganadeiro Rego Botelho saíram no geral a cumprir e com uma média de peso mos 489kg, destacando-se, e de que maneira, os bravos 3º, 4º e 5º, com destaque sem dúvida para o bravo, e futuro semental (não tenho dúvidas), de seu nome “Guarda” lidado em segundo lugar por Julian Lopez.
E por último “El Juli” o fenómeno. E fenomenais foram as duas lides ministradas aos bravos de RB, “Guarda” e “Helano”.
O primeiro de seu lote com o número 486 saiu a galopar bem, provando o matador com o capote e destapando desde cedo as dificuldades que iria demonstrar durante a lide, o toiro saía solto dos lances e parava-se pela esquerda, mas o lidador sobe, e bem, corrigir a investida a meia altura, mesclada por vezes com investidas humilhadas. Provando de seguida a esquerda que era sem dúvida de má qualidade onde o toiro se parava a meio dos lances, pela direita desenhou boas séries onde a diversidade e improviso do matador foram de entrega, que foi reconhecida pelo público presente. Destaque para os estatuários arrimadíssimos e de muito sentimento com finalizou a primeira lide.
A segunda lide foi de sonho, o toiro saiu a pedir contas e mostrou desde cedo aquilo que trazia dentro, “El Juli” provou-o com o capote para depois e por verónicas iniciar a faena, rematando com meia verónica seguida de revolera, ainda executou arrimadas chicuelinas rematadas por uma vistosa afarolada. A faena de muleta foi de tal forma emocionante que me faltam as palavras para descrever tamanha emoção, só mesmo estando presente para sentir brotar os olés e os arrepios sentidos na arena terceirense. Foram onze tandas com o toiro sempre a investir, com recorrido, com cadência, nobreza, bravura e humilhadas investidas, o que se pode crer mais num animal bravo? Passes com profundidade, temple e maestria. A oitava tanda pela direita foi a melhor que alguma vez presenciei, aí já estava rendido ao maestro madrileno o público presente. Finalizou por circulares invertidos pela esquerda, simulando a morte recebiendo.
A finalizar lidou o quinto da tarde e mostrou o poder que tem na interpretação de cada toiro que lhe cabe em sorte, escolhendo os terrenos apropriados para realizar lide e sacar o que de melhor tem um toiro, foi o que vimos na Monumental Terceirense. Ensinou o oponente a investir deixando sabor a arte e conhecimento, próprios de um grande toureiro. Uma lide em crescendo, com passes de muito temple e profundidade, rematando a lide por circulares.
Enfim uma tarde de glória para toureiro e ganadeiro. A Porta Grande foi aberta pela quarta vez na sua história de prata pelo matador de toiros “El Juli”.

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