junho 26, 2009

Triunfo de Ruben Pinar em Corrida de Prata.

por Duarte Bettencourt in Diário Insular

No dia do patrono das festas maiores do concelho de Angra do Heroísmo, realizou-se a segunda corrida da Feira de São João denominada Corrida de Prata. Um cartel de homenagem aos cavaleiros, que no dia 21 de Junho de 1984 inauguraram a Monumental Praça de Toiros Ilha Terceira. Passaram-se 25 anos e quis, e bem, a Sociedade Tauromáquica Progresso Terceirense juntamente com a Comissão para a Tauromaquia das Sanjoaninas 2009, homenagear os fundadores da referida sociedade, os cavaleiros, o cabo dos forcados, o ganadeiro e o Director de Corrida que estiveram presentes nesta inauguração histórica. Foram ainda homenageados a Tertúlia Tauromáquica Terceirense e o Dr. Duarte Soares.
Após este gesto simples mas significativo deu-se inicio à corrida com a saída do novilho número 97 da ganadaria dos Irmãos Toste, um novilho com trapio que coube em sorte ao cavaleiro terceirense Tiago Pamplona. Montando a “Gaiata” recebeu-o à porta gaiola, sem contudo concretizar a colocação da ferragem, esta atitude mostrou que o jovem Tiago vinha com vontade de triunfar e com esta transformo-a numa lide de êxito. No primeiro tércio colocou três ferros compridos de excelente nota onde executou uma brega acertada e sem a ajuda dos seus bandarilheiros, coisa rara nos tempos que correm. Sacou o castanho “Universo” para continuar a boa brega desenvolvida e colocar três curtos rematados por dentro. Finalizou Tiago Pamplona com um ferro de palmo, cingido chegando ao conclave.
Saiu para a cara deste bravo o forcado experiente Marco Sousa dos Amadores da Tertúlia Tauromáquica Terceirense, que com valentia pegou-o à quarta tentativa. Dificuldades nas ajudas fizeram com que assim fosse o derradeiro desfecho desta pega.
Seguindo a apreciação do lote do cavaleiro da Quinta do Malhinha, um toiro com pouca força e que faltava no momento da reunião, Tiago exagerou na colocação de três ferros compridos retirando alguma força ao seu oponente. No capote o toiro apresentou desde cedo uma investida violenta saindo do lance com as mãos por diante sinónimo daquilo que viria a fazer no decorrer da sorte da pega de caras. O cavaleiro do Posto Santo, andou alegre, esforçado e comunicativo não atingindo com o “Ovni” o brilhantismo que atingira no toiro anterior, contudo colocou dois ferros ao violino, que sendo uma sorte de recurso chegou com facilidade às bancadas, por fim coloca um excelente ferro de palmo com uma reunião ajustada.
Foi chamado a pegar o toiro número 88 dos IT, Álvaro Dentinho da T.T.T., que após duas tentativas falhadas por violentos derrotes do oponente, viu-se obrigado a ser substituído pelo colega José Vicente que com as ganas que o caracteriza, consumou a pega ao terceiro intento.
Marcos Tenório teve uma passagem discreta pela Monumental Terceirense. No seu primeiro de ferro IT e que ostentava o número 87 recebeu-o montado no “Terceira” uma estreia absoluta que não comprometeu, deixando o seu cavaleiro colocar um bom primeiro ferro comprido. Nos curtos sacou o “Bombom” que andou com demasiada velocidade tirando brilhantismo às sortes. Por último sacou o “Tivoli” arrimando-se mais, deixando no final da lide um de palmo cingido e de boa colocação.
Para a cara deste bravo dos IT, que galopava bem e que mostrava que ia entrar pelo grupo dentro, saiu o forcado do Ramo Grande Nuno Pires, que encurtando a alegre investida do oponente se fechou com ganas realizando a pega da tarde. Foi reconhecido o seu desempenho com uma especial chamada aos médios para lhe tributarem uma enorme ovação.
O de Elvas recebeu o segundo do seu lote montando o “Ben-Hur”, colocando dois compridos à tira, levando um violento embate na cravagem do segundo. Trouxe de novo à arena o “Bombom” para realizar à semelhança do seu primeiro toiro uma lide onde imperou a velocidade. Destaque para o segundo ferro da ordem, que aguentando a investida do novilho número 96 dos IT, deu vantagens e cravou de alto a baixo. Com o “Tivoli” andou regular rematando a lide com um de palmo.
A escolha do Cabo do Ramo Grande recaiu no forcado Manuel Pires que com valentia se fechou à terceira tentativa por falta dos ajudas no momento certo. A salientar o bom desempenho do contra-caras Vítor Oliveira, que esteve enorme nas três tentativas.
A tarde era de prata mas foram de ouro as duas actuações de Ruben Pinar frente aos novilhos da divisa azul e branca de Rego Botelho. O seu primeiro, com o número 477, de nobres investidas, recorrido, bonito em tipo mas feio de cornamenta, Pinar recebeu-o por parons mesclados com verónicas rematadas por revolera. Por chicuelinas desenhou o seu segundo quite de muito bom som.
Nos toureiros de prata que executaram o segundo tércio destaque para os pares de bandarilhas do terceirense Jorge Silva, demonstrando que na Terceira também temos bons toureiros.
A lide de muleta baseada essencialmente na boa direita do novilho, onde o toureiro de Albacete deu passes com profundidade e ligação desenhando uma faena de luxo rematada com desplante garboso e simulando por volapié. Grande lide de Pinar a um toiro nobre e bravo vindo das pastagens da Caldeira Guilherme Moniz.
Escolheu o matador, para fechar a sua actuação, o novilho número 497, que demonstrou desde o início um problema de investida, a que o seu “matador” soube e bem interpretar, misturando ajustadas verónicas com lances recuando, tentando ensinar o toiro a investir. Com um bonito quite por navarras encerou o primeiro tércio. Com a muleta começou por estatuários cingidos, começando o novilho a sair solto dos lances tirando algum brilhantismo ao inicio da faena. Inicia pela direita provando de seguida o de RB por naturais, que a partir da quarta série começou a investir melhor, deixando transparecer os grandes conhecimentos técnicos do matador que tendo lhe saído um novilho com dificuldades de acoplamento na investida, conseguiu fazer faena e triunfar. Prolongou em demasia a faena rachando-se o novilho no final da lide, mas mesmo assim e de rodillas em terra por molinetes, se despediu da aficion terceirense com duas merecidas voltas ao ruedo. Ruben Pinar pode vir a ser figura do toureio.
Para o fim da já longa tarde/noite de toiros (três horas e meia de corrida) saiu um novilho para o cavaleiro mais jovem da dinastia Pamplona, escasso de presença, mas de uma enorme bravura que sobrepôs à sua escassa apresentação. João Pamplona esteve soberbo recebendo o 98 dos IT com o “Pincel” com dois ferros de frente abrindo ligeiramente o quarteio, para depois e montando o “Pablo” desenhar sortes frontais com domínio perfeito do centro da sorte, cravando quatro curtos de nota alta. A sua juventude e raça toureira fizeram-lhe esquecer de rematar as sortes, mas foi um pequeno senão numa lide plena do jovem Pamplona.
Para a pega saiu o jovem Tomás Ortins dos amadores da T.T.T para nos brindar com uma excelente pega ao primeiro intento, numa intervenção divida com o grupo do Ramo Grande.
Dirigiu com acerto Carlos João Ávila numa corrida demasiadamente longa, em parte devido às homenagens iniciais e à dificuldade na recolha do quarto da ordem.
Nota positiva para o desempenho e modernidade trazida pela Orquestra do Angra Jazz.

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