julho 01, 2009

Pedrito de Portugal e Vítor Ribeiro em dia de Chuva e Toiros.

por Duarte Bettencourt in Diário Insular


A ameaça de chuva tem sido uma constante durante esta Feira de São João, mas nesta tarde ela caiu sobre a arena da Monumental Ilha Terceira de uma forma bastante incomodativa.
O cartel desta tarde era composto inicialmente pelo cavaleiro Vítor Ribeiro e por José Pedro Prados “El Fundi”, que devido a colhida, com uma cornada de vinte centímetros no interior da perna esquerda, na Feira del Corpus de Toledo, foi substituído pelo matador de toiros português “Pedrito de Portugal”. Anunciavam-se seis toiros da Casa Agrícola José Albino Fernandes, mas foram lidados apenas quatro desta ganadaria, sendo os restantes pertencentes à ganadaria continental de Falé Filipe. Os forcados do Ramo Grande ficaram incumbidos da realização das três pegas da tarde.
Vítor Ribeiro apresentou-se entre nós muito bem montado, trazendo até à Ilha Terceira alguns dos melhores cavalos que compõem a sua quadra, da qual destaco a presença do famoso “Nicotina”.
Para a lide do primeiro do seu lote, o da margem sul veio montado no “HK” rubricando uma brega correcta, dobrando-se com o novilho número 222 da Casa Agrícola José Albino Fernandes (JAF), um novilho com pouco trapio mas que não complicou. Colocou dois compridos, com destaque para o segundo de praça a praça, dando vantagens ao toiro, cravando ao estribo em su sitio. Montando o “Obelix” continuou na senda da boa brega para deixar quatro ferros curtos de boa nota, três deles de praça a praça, saindo sobre forte ovação.
Para a pega deste toiro saltou a trincheira o jovem forcado Miguel Pires, que rubricou uma boa pega ao primeiro intento bem coadjuvado pelo seu grupo.
O segundo da tarde, com o número 21 e de ferro Falé Filipe (FF), adquirido por JAF, saiu para o matador de toiros “Pedrito de Portugal”. Foi sem sombra de dúvida um toiro bravo, com recorrido e que humilhava bem, servindo e de que maneira para o triunfo do português. No primeiro tércio recebeu o de FF por parons seguidos de chicuelinas rematadas com revolera, o segundo quite alternou chicuelinas e tafalleras, rematando com uma bonita afarolada.
Os segundos tércios foram preenchidos pelos bandarilheiros da sua quadrilha, com destaque para a facilidade com que bandarilha Cláudio Miguel vencendo bem o piton e cravando de alto a baixo.
Com a montera sobre os pés iniciou a faena no centro da arena por passes cambiados, dando o mote a uma excelente faena de muleta. Iniciou pela direita com temple, desenhando derechazos com profundidade rematados com um passe de peito. Entra na segunda tanda com um molinete, para depois deixar pela direita uma excelente série. Pela esquerda o toiro de início transmitia menos, mas o de “Portugal” com a muleta a meia altura e sem mudar os pés desenhou naturais de muito sentimento. Começa por circulares invertidos pela direita, para cambiar de mão rematando com um ajustado passe de peito. O toureiro entende na perfeição o seu oponente rubricando uma faena de luxo premiada com duas voltas à praça.
Montando o “Boneco”, Vítor Ribeiro passa por três vezes em falso, muito por culpa do toiro número 223 de JAF, que no início da lide demonstrou ser um pouco tardo na investida, esperando o cavaleiro, mas a carregar por detrás do cavalo. O cavaleiro acaba por deixar dois ferros compridos de boa nota. Já com o “Nicotina” coloca cinco curtos de excelente execução partindo para o toiro num galope cadenciado, cravando com raça e ao estribo. Mais uma boa lide de Vítor Ribeiro.
Pelos do Ramo Grande pegou Alex Rocha não se fechando bem, indo preso por um braço no piton direito, mas com a ajuda do grupo a consumar à primeira tentativa.
No início da segunda parte da corrida “Pedrito” recebeu o 240 de JAF, o diestro português esteve voluntarioso, mas sem matéria-prima para poder-se luzir. Uma lide sem história.
O quinto da ordem marcado a fogo com o ferro número 230 de JAF, saiu para o cavaleiro Vítor Ribeiro que montando o “HK” o recebeu dobrando-se bem por dentro, bregando com eficiência para deixar dois compridos, o primeiro de melhor colocação. Para o segundo tércio saiu montado no “Recorte” deixando três ferros curtos com batida ao piton contrário sendo a colocação correcta, rematando as sortes por ladeios cingidos. Sacou por fim o “Nicotina” para fechar uma tarde de êxito com dois curtos a encurtar terrenos cravando ao estribo. É de salientar a boa equitação que o cavaleiro leva dentro. Notando-se a ausência de sangue nas barrigas dos seus cavalos.
Para a cara deste cumpridor, e para mim o melhor toiro da tarde no que concerne ao toureio a cavalo, a estreia não muito feliz de Rodrigo Silva pelos Amadores do Ramo Grande, saindo lesionado com uma luxação no ombro direito, sendo dobrado por César Pires, numa excelente pega.
O último da tarde chuvosa, com o número 23 de ferro FF, saiu solto dos lances iniciais de capote, vindo depois o matador a desenhar bonitas verónicas rematadas por meia verónica.
Na lide de muleta “Pedrito de Portugal” andou ligado com o oponente que tinha mais dificuldades de investida que o seu irmão de camada, saindo derrotando por cima no remate das series. O toiro tinha recorrido e humilhava, sacando o de “Portugal” bom passes pela direita. Prolongou em demasia, como o já tinha feito no primeiro do seu lote, e escutou um aviso. Simulou com o estoque por volapié, sendo ovacionado no final da lide.
Destaque para o cornetim Paulo Borges a executar excepcionais toques de saída para a lide apeada, sendo sempre fortemente ovacionado.
Dirigiu com acerto Carlos João Ávila.
Nota muito positiva para o público presente, que não arredou pé ante as péssimas condições climatéricas, brindado e bem os artistas mesmo com as mãos ocupadas pelos guarda-chuvas.
É urgente a cobertura da arena angrense para que se possa organizar sem medo festejos de qualidade.

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