julho 25, 2009

Praça cheia para assistir ao clã Moura

III Corrida do Emigrante

Ontem pelas vinte e uma horas realizou-se na Praça de Toiros Ilha Terceira a III Corrida do Emigrante.

O cartel anunciava o Quarteto da Apoteose nos 25 anos da Praça de Toiros Ilha Terceira, eram eles João Moura, João Moura Jr., João Augusto Moura e Miguel Moura.

Quatro toiros atravessaram o atlântico vindo da ganadaria de Dª Maria Guiomar Cortes de Moura e dois das pastagens da Caldeira Guilherme Moniz de Rego Botelho.

Actuaram os dois grupos locais da Tertúlia Tauromáquica Terceirense e do Ramo Grande.

Com uma moldura humana de fazer inveja, as bancadas da nossa Praça encheram para assistir à festa familiar da família Moura.

O veterano João Moura lidou o novilho nº 334 de Dª Maria Guiomar Cortes de Moura (CM) que pesou na balança 505 kg. O cavaleiro de Monforte recebeu o astado montando o “Pinguim”, que após brega correcta deixou dois compridos rematados com cingido galope a duas pistas, elevando e de que maneira a sua actuação. Com o mesmo cavalo colocou dois curtos de boa nota rematando de forma brilhante. Depois com o “Katanga” o toiro veio a menos, vindo a lide pelo mesmo caminho. Esteve bem o cavaleiro mas sem deslumbrar.

Seu filho e alternante recebeu o número 317 de CM, com 475 kg, montado no “Lince”, o de Cortes Moura saiu distraído e demorou-se a fixar, numa tira a abrir João Moura Jr. colocou o primeiro comprido numa reunião pouco cingida e de coloação descaída e contrária, o segundo superou em qualidade quer na colocação da ferragem quer na abordagem ao ferro. Trouxe o “Salteador “ para rubricar a faena da noite estando por cima do voluntarioso e quase telecomandado Cortes de Moura. Destaque para o segundo ferro onde preparou bem a sorte deixando um excelente ferro de cima a baixo rematando de forma soberba. Nota para a noção de espectáculo que Moura Júnior leva na cabeça pois antes de colocar o seu quinto ferro, um de palmo, levantou a mão ao público pedindo palmas qual saltador em comprimento em dia de final Olímpica.

A lide a duo de pai e filho ao novilho número 343 de CM não teve história para contar, com um novilho desencastado mas pesado (515 kg) a não colaborar para o êxito anunciado. Foram ferros e mais ferros, muitos deles a garupa passada, tornando-se a lide demorada e enfadonha.

Miguel Moura pôs de pé a praça não pela lide efectuada, que foi de desacerto e sem qualquer critério na execução das sortes, mas devido à sua tenra idade entendida pelo público festivaleiro e de fraco conhecimento técnico que encheu a Praça.

As pegas do 1º e 4º da noite estiveram a cargo dos amadores da T.T.T. por intermédio de Marco Sousa e Nelson Furtado, ambos ao primeiro intento, mostrando-se o grupo coeso nas ajudas.

As pegas realizadas ao 2º e 6º da noite pelos amadores do Ramo Grande tiveram como solistas Nuno Pires, que saiu inconsciente da Praça sendo dobrado por César Pires que pegou à terceira tentativa. Alex Rocha finalizou pelos do Ramo Grande à primeira tentativa.

João Augusto Moura, demonstrou verdura no seu toureio. É certo que teve oponentes de Rego Botelho de desluzida bravura, mas que com certeza teriam uma melhor lide se tivessem por diante um toureiro mais maduro. O segundo do seu lote de número 494, tinha melhores condições de lide que o seu irmão de camada (nº 485), de humilhadas investidas e galopando para o engano. O novilheiro iniciou a lide com a mão direita desenhando alguns derechazos de mérito, provou a esquerda do novilho destapando desde cedo o seu lado menos bom. Em vez de ter passado de imediato para a mão direita sacando o que de bom tinha o novilho, não, voltou à esquerda toureando o seu oponente nos terrenos de dentro demonstrando um desentendimento notório entre a lide a administrar e a que foi administrada.

Enfim uma noite com pouca história.

Duarte Bettencourt

0 comentários: