agosto 08, 2009

Ana Batista, Ramo Grande e C. A. José Albino Fernandes

por Duarte Bettencourt in Diário Insular

Foram estes os triunfadores da terceira Corrida das Festas da Praia. Ana Batista esteve soberba na lide do seu primeiro toiro, os Amadores do Ramo Grande estiveram enormes e a Casa Agrícola José Albino Fernandes apresentou dois toiros de nota alta.
A Corrida das Festas da Praia agendada que estava para quarta-feira dia 5 de Agosto, foi adiada para o dia seguinte devido ao mau tempo que se fez sentir naquele dia. O tempo voltou a estar de mau humor para com a aficion terceirense, mas a chuva que se fez sentir durante o espectáculo não intimidou os três quartos de casa preenchidos.
Após as cortesias foi realizada uma singela homenagem, pela da Câmara Municipal da Praia da Vitória e pela Tertúlia Tauromáquica Terceirense ao antigo bandarilheiro António Badajoz, pelos seus sessenta anos de alternativa.
António Ribeiro Telles apresentou-se à aficion terceirense montado no “Hermoso” para receber o toiro número 231 da divisa vermelha e verde da Casa Agrícola José Albino Fernandes (CAJAF), gravito de cornamenta, de excelente comportamento, a galopar com vontade, sem crenças e a arrancar-se de pronto ao site do cavaleiro. António colocou dois compridos com destaque para o segundo numa tira cingida deixando o ferro ao estribo e rematando como mandam os cânones. No segundo tércio sacou o “Nico” para deixar quatro ferros, com destaque para o quarto, com o toiro nos médios, realizando a viagem com rectidão num ferro ao estribo de cima a baixo rematado por dentro, sem dúvida um ferro de excelente nota a relembrar o toureio sério e à portuguesa.
No segundo toiro que lhe coube em sorte, um toiro de bonita apresentação mas de inferior comportamento dos Irmãos Toste (IT), andou o cavaleiro esforçado mas abusando na velocidade das suas montadas, rubricou uma lide onde alternou bons momentos de brega com alguns toques nas montadas, sendo certo que o toiro número 90 dos IT não cumpriu para a função, rachando-se ao segundo ferro procurando o refúgio das tábuas. O cavaleiro no seu terceiro ferro deixou patente o conhecimento que leva dentro deixando um ferro de mérito em sorte sesgada.
Ana Batista cavaleira forjada na Universidade da Torrinha, mostrou como ainda hoje se pode utilizar a mesma montada do principio ao fim da lide, este cavalo de nome “Capote” foi de uma generosidade extrema própria do cavalo Lusitano, aguentando e bem as duas lides da cavaleira de Salvaterra. Coube-lhe em sorte o toiro número 234 da CAJAF, um toiro nobre e de grande qualidade a servir e bem para o êxito da cavaleira. De praça a praça deixou dois excelentes ferros compridos rematados de forma correcta por dentro e dobrando-se com o toiro. Nos curtos colocou quatro ferros de antologia de frente e ao estribo realizando a faena da noite, foi muito aplaudida pelo público presente que não arredou pé ante as adversidades atmosféricas, brindando a cavaleira com bastante entusiasmo reconhecendo o seu labor.
No seu segundo de ferro IT marcado a fogo com o número 95, que saiu de igual comportamento ao seu irmão de camada, cedo descaiu para tábuas dificultando a lide a Ana Batista, certo é que a cavaleira acusou neste toiro uma falta de entendimento do comportamento deste, saindo a lide de fraca qualidade ficando longe da qualidade da sua primeira actuação.
Mário Miguel em estreia absoluta como matador de toiros na sua terra, no seu primeiro toiro de Rego Botelho com o número 482, de excelente apresentação e trapio, apontou bonitos e ajustados quites por verónicas rematadas com meias verónicas cingidas, realizando depois um quite por chicuelinas rematadas por revolera, nas bandarilhas armou o taco e cravou três pares de grande nota, metendo no bolso a aficion presente que lhe tributou a ovação da noite, nota curiosa para a coloração das bandarilhas que mostravam as cores da bandeira açoriana. A lide de muleta pouca história teve para contar pois o toiro de RB não prestou para a contenda desenhando o seu matador alguns derechazos com profundidade rematados com passe de peito, o toiro era perigoso pelo piton esquerdo e rachou-se com brevidade parando-se no meio dos lances, saindo por vezes solto em direcção à crença natural da porta dos curros, sendo inclusive simulada a sua morte à porta destes.
No seu segundo, e sem necessidade arriscou o matador colocando-se em frente à porta dos sustos, para de rodilhas em terra receber o toiro número 483 de RB, saindo esta sorte de perigo em colhida aparatosa, momentos de aflição viveram-se na arena angrense. Recomposto do susto, mas combalido, Mário Miguel ainda desenhou algumas verónicas rematadas com meia verónica. O segundo tércio foi realizado pelos bandarilheiros terceirenses, com destaque para os dois pares de Jorge Silva. A lide de muleta, com o matador visivelmente debilitado, não resultou no campo artístico, sendo o matador incentivado e acarinhado pelo seu público pela sua entrega e abnegação. O toiro de RB de excelente apresentação (565kg) teria tido uma melhor lide se este imprevisto não tivesse acontecido.
Os forcados do Ramo Grande viram-se obrigados a pegar os quatro toiros da corrida e não deixaram os seus créditos por mãos alheias, rubricando as quatro intervenções à primeira tentativa. O grupo demonstrou coesão, espírito de entreajuda e técnica numa noite que ficará certamente para a história deste novel grupo.
Foram solistas César Pires, Hugo Neves, Alex Rocha e Miguel Pires. Destaque para a segunda e quarta intervenção dos do Ramo Grande, com os forcados a aguentarem os derrotes violentos dos seus oponentes, fechando-se com decisão e vontade. Miguel Pires após brilhante intervenção foi ovacionado nos médios.
Dirigiu com acerto José Valadão.
Mais um dia de chuva e toiros. É preciso que em conjunto façamos todos os esforços para cobrir a arena angrense, para que seja viável organizar eventos sem o fantasma do mau tempo que assola as ilhas atlânticas.

0 comentários: