junho 25, 2010

O dia sempre sonhado da alternativa

Pois assim foi, o sonho tornado realidade do jovem cavaleiro terceirense Rui Lopes.

Ontem na Monumental Praça de Toiros Ilha Terceira fez-se mais uma vez história, pois doutorou-se em tauromaquia a quinto cavaleiro açoriano.
Depois de João Carlos Pamplona, João Miranda, Mário Miguel e Tiago Pamplona, chegou a vez do cavaleiro forjado no Centro Equestre "o Ilhéu" obter por mérito próprio a alternativa de cavaleiro profissional.
Foi bonito o momento sempre sentido da alternativa, as palavras proferidas por Rui Fernandes, seu padrinho, com certeza foram de incentivo e de felicitação.
Vestido com uma bonita casaca vermelho e ouro o cavaleiro terceirense recebeu o toiro número 238 da Casa Agrícola José Albino Fernandes (CAJAF), que pesou na balança 445 quilos, montando o cavalo "Sublime", deixou, depois de duas passagens em falso os dois ferros compridos com que finalizou o primeiro tércio. Voltou das cavalariças montando o "Violino" para cobrar num terra-a-terra vistoso, cinco ferros curtos de boa nota. Rui Lopes entendeu o toiro na perfeição deixando-o colocado nos médios para da porta dos cavalos citar com garbo e cravar ao estribo, rematando com brio e correcção as sortes. Tirou algum brilho às excelentes sortes desenhadas, o facto de o toiro apresentar um problema de locomoção não se empregando no momento da sorte. Passou com distinção na passagem a doutor em tauromaquia o cavaleiro Rui Lopes.
No seu segundo andou precipitado na brega e colocação do toiro nº258 da CAJAF, deixando dois compridos a despachar de colocação traseira.
Sacou o "Quarteio" para em sorte cambiadas chegar ao público presente que lhe tributou ovações fortes, destaque para o segundo ferro, com o cavalo a partir num galope cadenciado seguido de batida ao piton contrário deixando um bom ferro em todo o alto. Por fim trocou de montada para com o velhinho "Açúcar" deixar um grande ferro com que finalizou a lide.

O padrinho em dia de alternativa cede o seu toiro ao seu afilhado, lidando o segundo toiro da corrida, este saiu andarilho como quase todos os seus irmãos de camada, dificultando a sua colocação em sorte, a juntar a isto faltou capacidades lidadoras a Rui Fernandes para dar a volta ao seu oponente, muito por culpa das montadas que fez deslocar à Ilha Terceira. O toiro derrotava alto no momento da reunião dificultando a colocação da ferragem que saiu toda ela de colocação traseira. Não deu e bem a volta à arena o cavaleiro.
No seu segundo com o número 255 da CAJAF, foi quanto a mim o melhor toiro da corrida, o cavaleiro da margem sul montando o cavalo Camões" cravou com desacerto em duas tiras aliviadas e sem se parar deixou dois compridos descaídos e traseiros. Com o "Quartilho" desenvolveu boa brega, colocando o toiro nos médios para cobrar o ferro, destaque para terceiro ferro curto que depois de uma ligeira batida ao piton contrário deixou em todo o alto e no centro da cruz um excelente ferro. O cavaleiro neste segundo toiro para além da excelente brega rematou as sortes de forma cingida, com galopes a duas pistas tão do agrado do público presente que tributou mais uma vez com força o toureio por detrás em detrimento do toureio frontal.

O matador albacetano não teve matéria prima para obter o triunfo redondo com que sonhara, iniciou a lide do seu primeiro com o ferro da CAJAF por dois quites, o primeiro por Parons rematados por meia verónica, o segundo por Chicuelinas cingidas rematadas por Revolera. Ruben Pinar depois de brindar o público presente, com a muleta ensinou o toiro a investir em quatro tandas pela direita com muito temple e profundidade, prova a esquerda com naturais ajudados, para com a direita chegar ao público com circulares invertidos, simula a morte do oponente em sorte natural por Volapié.
A lide do toiro número 53 de Falé Filipe, que saiu em sexto da ordem, iniciou-a o jovem matador por Verónicas rematadas por meia. O tércio de bandarilhas foi a despachar pelos bandarilheiros da sua quadrilha que de igual forma bandarilharam o primeiro do seu lote. Na muleta e depois de voltareta danosa para o toiro, iniciou faena pela direita fazendo crer que iríamos ter toiro de triunfo, infelizmente isso não aconteceu com o toiro em procura do vulto do toureiro, o que acabou por acontecer colhendo o toureiro prendendo-o pela taleguilla, não acontecendo o pior pelo despontar das astes do toiro. Remata a lide por circulares invertidos, simulando ao natural por Volapié.

Os amadores do Ramo Grande tiveram uma tarde irregular alternando bons momentos com outros menos bons. A abrir praça Bruno Anjos, um forcado inexperiente que aliou a sua falta de força à falta de força do toiro, consumando à terceira tentativa numa pega desluzida, onde o forcado complicou o que era fácil.
André Parreira esteve correcto no site e na viagem aguentando bem a investida do toiro para se fechar à primeira tentativa na melhor pega dos amadores da Praia da Vitória. Na terceira intervenção esteve bem e à primeira o jovem e valente forcado Miguel Pires. A finalizar e mais uma vez a complicar o que parecia fácil esteve o experiente César Pires numa pega ao segundo intento com o toiro a reunir alto dificultando o acoplamento do forcado na cara do toiro.

Os toiros trazidos pela CAJAF apresentaram-se rematados de peso mas com pouco trapio. Foram no geral andarilhos dificultando a sua colocação em sorte. Destaco a lide dada pelo exemplar número 255, que saiu em quarto lugar, lidado por Rui Fernandes, para mim o toiro da tarde. Destaco ainda o toiro lidado em terceiro lugar por Ruben Pinar, por se destacar dos demais. A corrida da CAJAF foi remendada com um toiro de Falé Filipe, encastado e de bonita presença, que não luziu o que se esperava dele. Este remendo a que me refiro foi propositado para que o ganadero pudesse aferir da qualidade deste toiro para, por ventura, vir a padrear uma ponta de vacas recentemente adquiridas pelo ganadero terceirense a Falé Filipe.

Depois da colocação alta da fasquia com a primeira corrida da Feira de São João, esta que se realizou no dia do Santo padroeiro, andou uns furos abaixo daquilo que se esperava.

Duarte Bettencourt

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