junho 29, 2010

A última corrida, que era para ser a terceira, da Feira de São João

Realizou-se ontem, dia 27 de Junho, a agendada terceira corrida da Feira de São João, denominada de Grandiosa Corrida. Relembre-se que a mesma foi adiada devido à chuva que se fez sentir na passada sexta-feira.

Depois das cortesias a Comissão para a Tauromaquia das Sanjoaninas 2010 prestou uma homenagem a Raul Pamplona, recentemente falecido. Na arena da monumental de Angra estiveram seus filhos e netos, agradecendo as palavras de Mário Rodrigues e as palmas de todos os presentes.

Tiago Pamplona depois deste momento sentido, lidou o "Quimero" da Casa Agrícola José Albino Fernandes. Recebeu-o à porta gaiola não conseguindo deixar o ferro, para depois e à meia volta cravar o primeiro da ordem. Com a "Gaiata" deixou mais dois ferros compridos de excelente nota, com o toiro colocado nos médios. Para o segundo tércio traz o "Universo" executando as quatro sortes exibidas essencialmente à tira, mas de excelente preparação e colocação do astado. Destaque para o quarto ferro, cravado de alto a baixo, muito aplaudido pelo público presente. Remata a sua primeira lide com dois ferros de palmo, com destaque para o segundo que foi arrimado e ao estribo, terminando a lide em bom plano. No seu segundo opta pela "Gaiata" para despachar os compridos e ainda cravar dois bons ferros curtos, de muito bom som, já com o "Ovni" depois de uma primeira passagem em falso o cavaleiro do Posto Santo deixa um violino de cravagem descaída, recupera o pequeno desaire com um ferro enorme, dando primazia ao oponente, carregando sorte, cravando de alto a baixo in su sítio, deixando quanto a mim o melhor ferro curto de toda a Feira, teve tempo para deixar mais um violino e um de palmo, saindo da arena sob forte ovação.

O jovem cavaleiro Tiago Carreiras desta vez não conseguiu obter as boas actuações com que tinha brindado na véspera a aficion açoriana. O cavaleiro alentejano teve duas lides de fraca qualidade destacando-se a cravagem dos dois últimos ferros curtos, das suas duas actuações. Devo também acrescentar que o Tiago lidou o pior lote da corrida com dois toiros de distintas ganadarias mas com comportamentos idênticos no momento do ferro, onde derrotavam alto dificultando a cravagem da ferragem da ordem. Destaca-se a forma com este cavaleiro encara as suas lides, finalizando-as aquando do seu melhor ferro não indo nas cantigas da velha história de mais um ferro.

O jovem praticante João Pamplona só teve uma oportunidade nesta feira, onde teve uma actuação uns furos abaixo daquilo a que nos tem habituado. O João andou irregular na abordagem à tira com que desenhou todas as suas sortes, que resultaram aliviadas, com ferros de colocação descaída e contrária.

Os amadores da Tertúlia Tauromáquica Terceirense tiveram uma tarde de altos e baixos. Leonardo Gonçalves pega ao segundo intento depois do toiro lhe ter adiantado um piton no momento da reunião. Adalberto Belerique dá o exemplo, fechando-se bem à córnea e de pernas à primeira, na melhor pega da corrida. O valente José Vicente deu praça fechando-se com a habitual raça que o caracteriza à primeira tentativa. Mas no melhor pano caiu a nódoa, com a quarta pega da tarde, onde se magoaram à segunda tentativa Helénio Melo e à sua terceira tentativa João Pedro Ávila, com fractura de costela e pneumotorax, acabando-se por se fechar no lado direito do bruto Marco Sousa na sua segunda tentativa. É verdade foram sete as tentativas com os avisos da praxe. Não posso deixar de voltar a afirmar que há toiros impegáveis e quando isso acontece não é desprestígio nenhum, para nenhum grupo de forcados, deixar o toiro ir vivo para o curral. Mais vale isso do que as graves lesões que se podem causar aos valorosos forcados portugueses. A última pega foi realizada por Gonçalo Toste, oriundo da escola de forcados da T.T.T., à segunda tentativa numa excelente pega.

O matador nascido nas Baleares mas radicado à muito em Badajoz, mostrou à aficion terceirense o seu toureio de empatia com o público, em duas lides de entrega total. Antonio Ferrera veio à Ilha Terceira com o intuito de triunfar, segundo o próprio matador, perante uma aficion competente e entendida na apreciação da arte de montes. Mas a sorte não esteve do lado de Ferrera com a saída à praça de dois toiros complicados da ganadaria de Rego Botelho, o primeiro com o número 2, que saia solto desde o inicio ao segundo lance de cada série e que elegeu os terrenos junto a tábuas do lado direito dos curros como querença. Depois de muito porfiar o matador de toiros consegue sacar a água do fundo do poço com passes pela direita e em redondo, passes estes que pareciam impossíveis de sacar no inicio da lide. Ao segundo do seu lote recebeu-o por verónicas rematadas por meia. O toiro número 16 de Rego Botelho não tinha recorrido e o toureiro dando passe por passe conseguiu construir faena, chegando com força aos tendidos. Lide de volta à arena e não de duas como acabou por dar, com alguma contestação de pequena parte do público.
Nas bandarilhas esteve enorme, principalmente com o seu segundo chegando bem ao público o último par a quiebro recortando-se depois na cara do toiro até o parar.
Nota curiosa foi por mim obtida junto do toureiro, perguntando-lhe o porquê da ausência de música nas suas lides. A resposta foi breve e concisa, os toiros eram muito complicados e ele precisava de muita concentração para lhes ministrar as lides.

Uma nota final aos toiros. Sem qualidade não se pode presenciar o bom toureio. Destaco os dois toiros lidados por Tiago Pamplona, o 254 da CAJAF e o número 21 de Rego Botelho que sem deslumbrar cumpriram. Os toiros apresentados pela CAJAF nesta corrida se não eram todos, de origem no gado chamado da terra, eram quase todos.

Despeço-me destas Sanjoaninas num até breve, numa próxima corrida de toiros a que vá assistir, para depois vos trazer ,dentro das minhas possibilidades, o melhor e o pior daquilo que ocorre numa praça de toiros em dia de corrida.

Duarte Bettencourt

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