julho 25, 2010

Tiago e João Pamplona em noite de muitos triunfos

Realizou-se no passado dia 23 de Julho na arena da Monumental Praça de Toiros Ilha Terceira, a XIV Corrida de Toiros a favor da União das Misericórdias, organizada pelo empresário João Duarte.

A fraca afluência de público às bancadas deveu-se essencialmente à presença em cartel de quatro jovens cavaleiros, da proximidade desta corrida com a das Festas da Praia e pela já tão mal fadada crise que assola o pais de norte a sul, incluindo as ilhas. De qualquer forma era um cartel que trazia a frescura da juventude, a competição de três grupos de forcados com provas dadas e a presença de um curro completo da divisa azul e amarela dos Irmãos Toste. Os ingredientes foram lançados mas não tão bem recebidos pela aficion local que com a sua incomparência nas bancadas mostrou o seu desagrado.

Abriu praça o jovem cavaleiro local Tiago Pamplona, que por ser o cavaleiro mais antigo contrariava o que publicitava o cartaz da corrida. Nesta sua primeira intervenção o cavaleiro terceirense teve uma prestação positiva e em crescendo, destacando-se o quarto ferro curto, montando o “Universo”, onde porfiou até ao ultimo momento a investida toiro dos Irmãos Toste, abrindo ligeiramente o quarteio para cravar de alto a baixo, no melhor ferro da sua actuação. Finalizou esta primeira lide com um ferro de palmo, saindo sob forte ovação. A lide do seu segundo foi de grande nível com um primeiro tércio de fazer inveja às grandes figuras do toureio. Cravou o seu primeiro comprido montando a “Gaiata” numa sorte de gaiola de grande valor, com o toiro a parar à saída dos curros, deixa mais um de grande nota para deixar o terceiro, um grande ferro de poder a poder. Com o “Universo” deixa o primeiro ferro de frente e ao estribo, para finalizar a lide com dois ferros soberbos montando o “Ovni”, com cites em passo espanhol deixando o toiro partir para deixar de alto a baixo dois ferros de antologia.

Ao cavaleiro praticante João Pamplona coube-lhe em sorte o quarto da ordem, deixando três compridos de boa nota, montando a “Rana”, para o segundo tércio sacou o “Pablo” e após o primeiro ferro curto escutou música. O jovem do Posto Santo teve uma lide soberba onde a brega e colocação do toiro foi executada sem a intervenção da sua quadrilha, dando imenso valor ao trabalho desenvolvido pelo cavaleiro. Cravou quatro ferros curtos de frente e ao estribo, rematando as sortes como mandam os cânones, finalizou a sua lide com um excelente ferro saindo sob forte ovação.

Manuel Ribeiro Telles Bastos é um exímio praticante da arte de marialva no seu mais puro conceito classicista. Recebeu o primeiro do seu lote montando no “Poeta” para cravar três ferros compridos, com destaque para o primeiro de praça a praça, de frente e ao estribo. Telles Bastos montado no velhinho “Imotivo” deixou bem patente a marca e o conceito que leva dentro com uma lição de toureio frontal e ao estribo com que brindou a aficion terceirense. Foram quatro curtos e um de palmo que de tanto arrimarsse levou um ligeiro toque na montada. A lide do seu segundo toiro foi na senda da primeira com destque para o segundo ferro comprido. No segundo tércio sacou o “Xerife” para continuar a desenhar as sortes de frente e ao estribo, com excelentes preparações das sortes, destacando-se o ultimo ferro, de palmo, de frente e ao estribo. Uma verdadeira lição de toureio a cavalo à portuguesa.

João Moura Jr. nas suas duas lides recebeu os astados montado no “Flamenco” para deixar a ferragem da ordem a despachar, sem se parar e à meia volta. No seu primeiro toiro andou vulgar com a ferragem curta, com os ferros a saírem quase todos a cilhas passadas, obtendo grande empatia com o público quando rematou as sortes com galopes a duas pistas e com recortes vibrantes montando o “Belmontin”. No seu segundo melhorou substancialmente a sua prestação com ferros mais arrimados, e com recortes e remates das sortes vibrantes, chegando bem à bancada, que continua a dar mais relevo ao que se faz por detrás em detrimento do toureio frontal. Sacou por ultimo o “Spartacus” que com cites vistosos em empolgantes terra a terra, cravou dois curtos e dois de palmo com destaque para o quinto ferro curto de boa execução técnica e o último de palmo com que encerou a sua boa prestação.

Nas pegas assistiu-se a sete pegas de excelente nota, com os três grupos a rivalizarem saudavelmente entre si. Pegaram pelo Real Grupo de Moura, Pedro Acabado, João Cabeça e Valter da Estrela, pelos da Tertúlia Tauromáquica Terceirense, Álvaro Dentinho e Leonardo Gonçalves e pelos do Ramo Grande, Alex Rocha e Miguel Pires. O grupo visitante a quando da preparação para a consumação da pega ao quarto toiro da noite, convidou dois elementos dos dois grupos visitados, num acto de salutar camaradagem e amizade que une ou deveria unir todos aqueles que vestem a jaleca de ramagens dos forcados portugueses.

Não esquecendo por último a excelente prestação do curro de toiros enviado à praça de toiros Ilha Terceira pelos irmãos do Cabo da Praia. Foi o curro mais completo desta temporada na e quiçá dos últimos anos, no que concerne ao toureio a cavalo, sendo sem sombra de dúvida merecida a volta ao ruedo pelo seu representante Nelson Toste.

A empresa lembrou o Homem, o Director, o Cavaleiro e o Aficionado Raul Pamplona, numa homenagem simples mas muito sentida no intervalo da corrida.

Quando os toiros investem, quando os cavaleiros mostram o seu real valor e os forcados o estoicismo que os caracteriza temos corrida importante, e foi isso que aconteceu sexta-feira passada na Monumental Ilha Terceira.

Duarte Bettencourt

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