agosto 03, 2010

Corrida das Festas da Praia

Perante uma boa moldura humana, que preencheu cerca de ¾ de casa, decorreu a já quarta edição da corrida de toiros incluída nas Festas da Praia, este ano sobe forte contenção orçamental e que o seu futuro dependeria do resultado económico da mesma.

A seguir às habituais cortesias, sempre pomposas e elegantes, tivemos em praça João Salgueiro que recebeu o “Quimo”, com 415 quilos de peso, montando o “Morango”, para deixar dois ferros compridos, o primeiro à tira e o segundo à meia volta, num tércio sem interesse, onde a demora na colocação do astado deveu-se essencialmente ao facto do toiro ser andarilho não se fixando em nenhum terreno.
O toiro da Casa Agrícola José Albino Fernandes (CAJAF), demonstrou nos lances iniciais de capote uma investida suave e por baixo, comportamento este que manteve durante toda a sua lide.
No segundo tércio, ou tércio de bandarilhas, o cavaleiro de Valada, montou o “Chapoulin” para deixar os dois primeiros ferros curtos de boa nota, de frente e ao estribo, para de seguida intentar realizar a paradinha, sorte executada por este com grande brilhantismo, que saiu desastrosa com o cavalo a atravessar-se no momento da batida ao piton contrário, saindo a sorte desluzida após toque na montada. Finalizou a lide com um ferro vulgar abrindo em demasia o quarteio. No final não deu e bem volta, agradecendo nos tércios.
A lide ao quarto da ordem, com o nº102 que pesava 495 quilos, foi realizada com as mesmas montadas com que toureou o primeiro toiro, o primeiro tércio foi novamente realizado sem história com passagens em falso à mistura e sem parar a montada para iniciar a sorte. O toiro dos Irmãos Toste (IT), rematado de carnes, investia a meia altura muito por culpa da sua morfologia, o segundo tércio trouxe muita parra e pouca uva, com o cavaleiro a vencer os aplausos do tendido após a realização de cravagens com tentativas de piruetas mal executadas e completamente fora do toiro, e com as três piruetas com que rematou a cravagem do terceiro ferro curto. Destaca-se a brega realizada antes da colocação em curto, de frente e ao estribo do segundo ferro da ordem. Desta feita dá volta à arena, demonstrando mais uma vez que quem decide dar a volta é o cavaleiro, quando com artifícios e malabarismos convence o público menos conhecedor.

As pegas dos dois toiros lidados por João Salgueiro estiveram a cargo dos Amadores da Tertúlia Tauromáquica Terceirense. Foram solistas Tomás Ortins e José Vicente ambos ao primeiro intento, num misto de técnica e poderio. Bem estiveram os ajudas, coadjuvando e complementando a consumação das sortes.

João Salgueiro da Costa apresentou-se pela primeira vez entre nós mostrando-nos que é uma grande promessa da tauromaquia nacional.
A lide do segundo da noite com nº274 que pesou 445 quilos, que se mostrou reservado, com arrancadas de manso e sem apertar no momento do ferro, dificultando com este comportamento a colocação da ferragem. O da CAJAF não elegeu afincadamente terrenos de querença ajudando à realização da sua faena. O primeiro tércio foi pautado por várias passagens em falso, tendo o jovem cavaleiro elegido como montada o “Ortigão”. Na mesma senda do anterior tércio, passou várias vezes em falso por dificuldades apresentadas pelo oponente, para deixar de frente, em viagens rectas, três ferros de boa nota, montando o “Mon Cherry”.
O quinto da ordem, o “Pirata” de seu nome, que pesava 490 quilos, tinha quatro anos de idade e ostentava o ferro dos IT, este teve um comportamento que veio de menos a mais, não tendo transmitido no primeiro tércio indo em crescendo até ao final da lide, proporcionando a Salgueiro da Costa a lide mais destacada da noite.
O cavaleiro deixou dois ferros compridos à tira, para no segundo tércio desenvolver excelente brega, com ferros soberbos de frente, carregando ligeiramente a sorte, para deixar ao estribo quatro ferros de nota superior. Destaca-se o quarto ferro cravado de alto a baixo em terrenos de compromisso. Saiu da praça sobe forte ovação.

Pegaram os dois toiros que couberam em sorte ao jovem ribatejano, os Amadores do Ramo Grande em duas pegas à primeira tentativa executadas por André Parreira e Alex Rocha, com destaque para a boa prestação dos restantes elementos do grupo.

O jovem matador sevilhano Oliva Soto vinha anunciado como o novo ídolo de Sevilha, sua terra natal e mostrou à aficion terceirense que é com certeza uma grande esperança do toureio mundial. Se continuar com o temple que emprega nas suas faenas, a arte e o pelisco de toureiro cigano, será de certeza figura grada da tauromaquia.
O primeiro do seu lote, “Cotorrito” de seu nome, pesou na balança 480 quilos, mostrou desde cedo um bom galope e que pela sua morfologia humilhava quanto baste. O jovem diestro recebeu-o por chicuelinas e delantales, com perfume a Sevilha, rematando as duas séries por revoleras. O de Rego Botelho (RB) mostrou recorrido que juntado às anteriores características antevia uma boa lide. Os subalternos deixaram três pares de bandarilhas de grande nota.
Com a muleta Soto mostrou acima de tudo um grande acoplamento à investida do toiro. As tandas resultaram curtas pois e após o terceiro ou quarto passe o de RB procurava o vulto. Lide esforçada do matador sevilhano apontando bons momentos com a direita, com derechazos profundos, templados e sentidos. Rematou a lide por molinetes e manoletinas.
Não se entende nem se percebe a razão pela qual o Director de Corrida, Sr. Carlos João Ávila, não concedeu música nesta lide, quando em lides de inferior qualidade ministradas pelos cavaleiros, concedeu-a sem demora. Dois pesos e duas medidas com certeza.
Por lances de tanteo recebeu Oliva Soto, o toiro nº37 de RB, que demonstrou logo de inicio não ser claro de investida. Mais uma vez um segundo tércio bem executado pelos bandarilheiro de serviço onde se incluía o terceirense Jorge Silva. A faena de muleta decorreu sobre o tónico da falta de recorrido do oponente. Destaca-se a quarta tanda pela esquerda com muito temple e profundidade, com o toiro a vir a mais. Encerra a sua lide com passes a pés juntos pela direita e por manoletinas, numa lide em que a música rompeu desde cedo (???).

Nota positiva para a execução dos passedobles pela Filarmónica da Sociedade Progresso Lajense, vulgo Sociedade Nova das Lages.

Duarte Bettencourt

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