outubro 19, 2010

"Congresso Mundial de Ganaderos - Ponte de união cultural através da Tauromaquia "

por João Rocha in aUnião

"O IX Congresso Mundial de Ganaderos de Toiros de Lide, a decorrer na ilha Terceira, de 21 a 23 de Outubro, poderá aprofundar “uma ponte de união cultural, onde os Açores poderão assumir um espaço vital, pela sua imagem de lugar exótico e neutro”.

A opinião é do presidente da Tertúlia Tauromáquica Terceirense, Arlindo Teles, que vê o congresso como uma oportunidade de “grande promoção dos Açores e da Terceira, num universo muito especial que é o nicho do turismo taurino”.

O que representa para a ilha Terceira, em termos concretos, a realização do IX Congresso Mundial de Ganaderos de Toiros de Lide?

Será mais uma jornada de nível mundial que reúne na ilha das mais altas personagens do mundo taurino, neste caso especialmente criadores de toiros, mas não só, de todos os países do planeta taurino. É mais uma iniciativa de grande promoção dos Açores e da Terceira, num universo muito especial que é o nicho do turismo taurino. Terá uma dupla importância: por um lado promove a ilha e os Açores e por outro é mais um passo na afirmação da nossa notoriedade no contexto internacional da Tauromaquia.

O que é necessário fazer, em traços gerais, para acolher a organização de um evento desta ordem de grandeza?

Neste caso resultou do facto de na anterior edição do Congresso Mundial de Ganaderos, em Aguascalientes no México, estarem presentes alguns elementos da Direcção da Tertúlia, para além de vários aficionados da Terceira, que ao se aperceberem que a organização da edição seguinte provavelmente caberia a Portugal, logo começaram a envidar esforços no sentido de conseguir para a Terceira essa realização.

Qual é o papel que compete aos Açores situado entre “dois continentes taurinos”?

Os Açores entre dois continentes taurinos estão simbolicamente no centro geográfico da Tauromaquia Mundial, entre a Europa e a América. Dessa simbologia, pode e deverá ser aprofundada uma ponte de união cultural, onde os Açores poderão assumir um espaço vital, pela sua imagem de lugar exótico e neutro, complementado pela sua enorme aficion à Festa dos Toiros e pelas suas próprias especificidades.

O que marca o presente e eventualmente faça ameaçar o futuro do Toiro de Lide?

O que marca o presente, o passado e o futuro do Toiro de Lide é o facto de ele ser o elemento central desta cultura única que é a Tauromaquia! O que eventualmente pode ameaçar o seu futuro é única e exclusivamente o movimento anti-taurino, cujo acção radical e cega levaria na prática àquilo a que se poderá chamar o paradoxo anti-taurino: acabar com a Tauromaquia é acabar com esta espécie magnífica! Nada mais, nada menos. Qualquer posição que o contradiga é inconsciente ou demagoga ou mal intencionada.

O contributo das ganaderias no mundo taurino é devidamente reconhecido?

Creio que sim, no interior do mundo dos toiros as ganaderias são perfeitamente reconhecidas. No âmbito da sociedade em geral, se calhar já não é assim. Muita gente não quererá reconhecer o papel fundamental das ganaderias como grandes reservas ecológicas, contribuindo para a preservação de muitas espécies da fauna (como o Lince Ibérico, por exemplo) e da flora (como a nossa Marsilea Azorica, como outro exemplo). Neste último caso, especialistas da Universidade dos Açores já referiram várias vezes que a Marsilea Azorica já estaria extinta se no local onde existe estivesse uma exploração em regime intensivo, em contraste com a criação de gado bravo que lá está.

Qual o espaço que se pode reservar à inovação das ganaderias, sobretudo ao nível das aplicações das novas tecnologias aplicadas à genética e reprodução dos toiros de lide?

Sabemos que existem várias novidades nestas matérias, no entanto, deixaria para os especialistas que participarão no Congresso, este papel de esclarecimento que será com certeza útil para todos os aficionados e também para todos os interessados em geral.

Os Açores, em particular a Terceira, têm sabido potenciar a componente turística da festa brava?

Acho que já começámos a dar alguns passos, mas estamos ainda muito no início. Há um longo trajecto pela frente que precisa de ser acarinhado e trabalhado com perseverança e estratégia.

A crescente contestação à realização de touradas de praça pode comprometer a continuidade da actividade taurina?

Em primeiro lugar, a contestação não é só às Corridas de Toiros em praça, não tenhamos esta ilusão. Em boa verdade a contestação – assente numa sociedade cada vez mais urbana, desenraizada das coisas da terra e da vivência natural das pessoas com os animais, sendo esta naturalmente diferente de espécie para espécie, porque as relações com essas várias espécies não são todas iguais – aponta para todas as formas de tauromaquia. As evidências são mais que muitas. Aqui nos Açores já vimos muitos “bem intencionados” a frisarem que não têm nada contra a Tourada à Corda, mas que depois não as querem admitir quando elas se dão na Ribeira Grande ou por aí fora…
Enfim, na minha opinião a actividade taurina vai existir sempre enquanto existirem aficionados! E estes terão o gosto e a vontade de lutar pelo seu direito à sua especificidade cultural e de transmitir às gerações vindouras todo este riquíssimo legado!

Verdade da Festa na Feira de São João

A Tertúlia Tauromáquica Terceirense irá organizar a Feira de São João em 2011. Quais são as grandes mudanças que se podem esperar, desde já, em termos funcionais?

A Tertúlia apresentou à Câmara Municipal um projecto integrado, o já conhecido TAUROTUR, dentro do qual uma das componentes é a gestão da Tauromaquia das Sanjoaninas. Dentro do referido projecto integrado, preocupamo-nos essencialmente com questões estratégicas e menos com questões meramente funcionais. Naturalmente que nos concentraremos nas questões estruturantes para caminhar no sentido de aprofundar/melhorar a categoria e a verdade da Festa, o que deveria ser um objectivo permanente de qualquer equipa de trabalho neste sector, aliás. Como dois exemplos poderemos abordar a importância de captar aficionados para as Corridas, conseguir aumentar significativamente a assistência média nos espectáculos e também a apresentação e o trapio dos animais lidados.

Com esta nova fórmula organizativa, será possível equilibrar as contas da feira taurina?

Temos fortes convicções sobre a forma de desenvolver o projecto e a obtenção de resultados daí adveniente, baseadas na observação do histórico e de exemplos bem-sucedidos por este mundo fora. Por isso, vamos nos esforçar para fazer um bom trabalho, envolvendo todos os agentes, com a ambição e os olhos postos no futuro! Assim, com um misto de sensatez e de audácia conseguiremos gerar os equilíbrios desejados."

0 comentários: