outubro 25, 2010

O primeiro dia do Congresso


Cheguei atrasado, o que não é em minha pessoa habitual, mas ainda consegui assistir à abertura dos trabalhos com as intervenções do Presidente da Associação Regional de Criadores da Tourada à Corda, Duarte Pires, que alertou os participantes no congresso para que no dia destinado à tourada à corda tivessem cuidado com o toiro na rua, pois o toiro é rei na terra do bravo, de seguida usou da palavra o Presidente da Associação Portuguesa de Toiros de Lide, João Andrade, referindo-se à Ilha Terceira como o Centro Geográfico da Tauromaquia , leu ainda um texto enviado pelo Secretário de Estado da Cultura, Elísio Summavielle, num claro apoio à tauromaquia vindo de um alto membro do Governo da República. Andreia Cardoso Presidente da Câmara anfitriã apontou a Ilha Terceira como o centro mundial da discussão taurina, Joaquim Pires em representação do Governo Regional, apresentou os comprimentos do Presidente do Governo, Cárlos César, e referiu-se à grande vivência e convivência entre o toiro e a população da Ilha mais Taurina do Mundo, referiu também que em cada casa terceirense há um potencial ganadeiro ou capinha. Mais uma vez e em dois congressos mundiais sobre a temática taurina, o representante da Câmara Municipal da Praia da Vitória, nem da palavra usou para comprimentar os congressistas, sinal óbvio de como é tratada a tauromaquia na cidade do Ramo Grande.

Estava então iniciado o congresso, que de seguida contou com a afável e interessante prosa do grande historiador Maduro Dias, em “Os Açores entre dois continentes taurinos” lembrou a batalha da Salga, de 25 de Julho de 1581, onde a população venceu os invasores espanhóis lançando dois esquadrões de gado bravio sobre as tropas, vencendo mas não evitando a invasão castelhana dois anos depois, onde nas Contendas tentando o mesmo método de defesa, os espanhóis venceram-nos toureando-os, na sua grande intervenção referiu ainda que não foram precisas praças de toiros para se dar festejos taurinos, imporvisando-se em vários sítios, como por exemplo a antiga Praça da Restauração, hoje Praça Velha, onde se deram durante muitos anos festejos taurinos em honra de São João Baptista. De seguida tivemos a oportunidade de ouvir um excelente texto de uma ganadera de terceira geração, Mariana Baldaya, que referindo-se à sua ganadaria, deixou bem patente que o futuro ganadero terceirense está assegurado, a jovem ganadera e a sua ganadaria simbolizaram as restantes casas de bravo da ilha que tem asseguradas nos seus descendentes a continuidade da criação de bravo nesta terra de Jesus Cristo, voltando à intervenção de Mariana Baldaya não podia deixar de referir os dois puiazos dados ao poder politico local e regional, relembrando que a cobertura da praça e a legalização da sorte de varas são peças fundamentais para a evolução da festa brava na Ilha Terceira. Estes dois puiazos foram bem sentidos pelos representantes destes poderes que foram investidos com os votos de todos nós, enhorabuena ganadera.

A primeira mesa redonda, sob o titulo “Análise da situação económica das ganadarias”, contou com a moderação de Joaquim Grave e com a presença dos ganaderos Ignacio García Villaseñor, Carlos Nuñez, António Veiga Teixeira e Eduardo Martín Peñato Alonso. O ganadero Eduardo Peñato apresentou-nos a conclusão de um estudo económico sobre a festa brava no geral, concluindo que só 6,5% das receitas geradas pelo espectáculo taurino chegavam ao ganadero, Villaseñor relembrou o primeiro congresso que se realizou no seu pais, México, em 1993 e proferiu algumas afirmações polémicas, como por exemplo de que a festa dos toiros deixou de ser há muito tempo, festa dos toiros e passou a ser a festa dos toureiros, António Veiga Teixeira, afirmou que o peso económico da classe ganadera é quase nulo e que a classe carece de capacidade de defesa frente ao envolvimento externo agressivo porque atravessa da tauromaquia, por fim o ganadero Carlos Nuñes afirmou que hoje em dia vivemos um tempo politico muito interessante como por exemplo, o caso Cataluña.

A segunda mesa da manhã expôs “... a segurança profissional do ganadero” e contou com a moderação do jornalista Carlos Ruiz Villasuso e com a participação dos ganaderos Miguel Gutierres, Joaquim Grave, Álvaro Nuñez Benjumea e Victorino Martín García. O tema central desta mesa redonda não foi abordada na sua essência, tocou-se em vários temas, um dos quais polémico como as fundas que se colocam nos toiros, onde Joaquim Grave defendeu que os toiros devem ser lidados da forma como estão no campo, e que com este procedimento de enfundar os toiros estamos a dizer ao público de que todos os toiros são astifinos e não o são de verdade todos, Victorino, falou da exigência que se está pedindo aos ganaderos, que o toiro representa a natureza viva e que o trapio não é igual a muito peso, Alvaro Nuñez compartilhou da mesma opinião de que um toiro com menos de 500 quilos não é sinónimo de menos trapio, já Gutierres sugeriu a melhoria qualitativa dos espectáculos taurinos.

No repasto na casa do Ministro da República a falta notória de organização transformou o almoço num verdadeiro cálvario para quem fora convidado a almoçar na casa representativa da republica na nossa região autónoma. Feliz foi a organização em admitir e corrigir o pequeno percalço nas refeições seguintes.

Duarte Bettencourt

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