outubro 29, 2010

O terceiro e último dia do IX Congresso Mundial


É verdade que já se passou uma semana da realização deste grande evento taurino, mas como a minha vida não é só tauromaquia, venho hoje trazer-vos o relato do terceiro dia do IX Congresso Mundial de Ganaderos, com as devidas desculpas pelo atraso, aqui ficam estas linhas de um aficionado atento.

No passado sábado, dia 23 de Outubro, as portas do Teatro Angrense abriram-se para receber o terceiro e último dia do congresso. A primeira mesa redonda abordou o tema “ Selecção”, onde intervieram José Ignácio Garcia, numa abordagem ao livro genealógico da raça brava como uma ferramenta importante para melhorar e dar garantia de qualidade ao produto final que é o toiro bravo. Álvaro Acevedo moderou esta mesa onde ainda intervieram Francine Yonnet, ganadera francesa, que frisou que em França se está a incutir, através de uma cultura empresarial, que as corridas boas são aquelas que se cortam muitas orelhas, sendo ela de uma opinião exactamente oposta. O ganadero português João Folque relembrou que cada ganadero tem um toiro em sua cabeça e que a suma da criação se centra no desenvolvimento da agressividade deste belo animal, que é o toiro. O matador de toiros Vítor Mendes na sua eloquência habitual defendeu a sua forma de interpretar o toiro e o toureio, numa discussão acesa entre o toiro cómodo e o toiro duro. Tomáz Campuzano toureiro que deixou uma bonita imagem entre nós e que ficará na história da Tauromaquia Açoriana por haver estoqueado um toiro a “puerta cerrada” num pátio de uma Quinta na freguesia da Terra-Chã, celebrando com o feito os cem anos da morte a estoque de um toiro bravo precisamente no mesmo local, defendeu que as figuras deveriam ter o gesto importante de matar diferentes encastes nas feiras importantes. Em seguida o colóquio foi deveras interessante, destacando a intervenção de Joaquim Grave dizendo alto e em bom som que os toureiros quando se retiram acordam um dia mais valentes, numa resposta às afirmações dos dois toureiros presentes nesta mesa redonda. Álvaro Nuñez Benjumea saiu em defesa dos toureiros que se põem em frente dos toiros depois de uma intervenção descabida do ganadero mexicano de San Mateo, de que os matadores iam ao México de passeio única e exclusivamente tourear corridas cómodas.

A segunda mesa do dia sob o tema “ Usos e aplicações das novas tecnologias aplicadas à genética e à reprodução”, contou com a presença de dois médicos veterinários. Daniel José Bartolomé apresentou um estudo com utilização de GPS para localizar as vacas nas herdades, percebendo assim quais os locais, por exemplo, onde mais gostam de pastar, apresentou ainda um estudo da variação da frequência cardíaca nas diversas fases da lide e um projecto futuro da medição da velocidade no treino dos animais nos “correderos” das fincas. António Gómez Peinado apresentou a reprodução na ganadaria brava desde a inseminação à polémica clonagem.

Regressando aos trabalhos depois de um coffee break, tivemos a mesa redonda “Análise da ganadaria desde a perspectiva dos meios de comunicação social”, onde participaram Francisco Morgado, Jose Carlos Arevalo, Miguel Angel Moncholi e Carlos Ruiz Villasuso. Morgado defendeu que é preciso dar mais visibilidade ao rei da festa e pediu aos congressistas um voto de solidariedade para com a acção pró-taurina que se realizava na mesma altura na cidade de Santarém, promovida pelo presidente da edilidade Francisco Moita Flores. Arevalo defendeu que o toiro desde que sai à arena mostra indícios do seu comportamento em frente ao toureiro, sugeriu que o periodista taurino deve-se acercar do toiro bravo no campo, conhecer in loco os vários encastes e maneio das ganadarias. Moncholi situou a imagem na era da comunicação global e Vilasuso defendeu que hoje em dia não se faz periodismo taurino mas sim critica taurina, admitiu também que alguns meios de comunicação o fazem mas não na sua grande maioria.

Seguiu-se a mesa “ A ganadaria como sector líder no fomento da união dos sectores taurinos. Constituição de um organismo internacional do ganadero.” Com a presença de João Andrade, Carlos Nuñez e Miguel Gutierres que divulgou que o seu país, Colombia, como o próximo anfitrião do Congresso Mundial de Ganaderos de Toiros de Lide que se realizará em Fevereiro de 2013.

Seguiu-se um almoço regional na Casa do Povo de São Sebastião, seguido de tourada à corda com toiros de Rego Botelho, Casa Agrícola José Albino Fernandes, Herdeiros de Ezequiel Rodrigues e Humberto Filipe. Foi bonito de ver a moldura humana que preencheu o anfiteatro natural da tourada à corda na Ilha Terceira, fala-se numa assistência a rondar as 2500 pessoas, mostrou-se mais uma vez que na terra do bravo a aficion é maioritariamente à tourada à corda.

No fim destes três dias de convívio com gradas figuras do campo bravo mundial, ficou o amargo de boca de a organização não se ter lembrado, ou se calhar até se lembrou, de realizar uma mesa redonda com ganaderos, cientistas, críticos, toureiros, forcados e porque não aficionados terceirenses. Vieram muitos de fora, de fora se falou muito, mas se não fosse a ganadera Mariana Baldaya, nada se tinha falado do toiro e sua criação em TERRA DE BRAVOS.

Duarte Bettencourt

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