maio 21, 2011

Rego Botelho em Grande no Campo Pequeno

Com o aproximar do dia, o bichinho foi crescendo e de um dia para o outro decidi ir até Lisboa para assistir à estreia, na primeira Praça do país, da ganadaria de Rego Botelho. Foi um dia bonito e intenso com a viagem até à capital a decorrer em grande ambiente taurino, ambiente este que à chegada aos arredores da praça vivi na companhia de amigos e aficionados terceirenses. Foi um dia em que em Lisboa se respirava a Ilha Terceira, virava-me para um lado e lá estava um amigo ou conhecido que também como eu se deslocara ao Campo Pequeno com o intuito de assistir à exaltação do toiro bravo açoriano e à manifestação da aficion açoriana em terras continentais.

Três quartos de casa foram preenchidos pelo público anónimo, onde se incluíam cerca de um milhar de aficionados terceirenses.

Nas cortesias os cavaleiros Joaquim Bastinhas e Luís Rouxinol, os matadores Antonio Ferrera e Luis Bolivar, os forcados da Tertúlia Tauromáquica Terceirense e as restantes quadrilhas.

Momento de grande expectação se viveu quando se abriram as portas dos curros por onde iria sair “Brujito”, o primeiro de Rego Botelho, para ficar na história da tauromaquia terceirense como o primeiro astado açoriano a pisar a primeira arena do país.

“Brujito” pesou na balança 535kg, ostentava o número 9 e foi lidado sem dó nem piedade pelo cavaleiro Joaquim Bastinhas em noite muito negativa. Viagens à tira, reuniões desajustadas e cravagens quase sempre a cilhas passadas para não dizer a garupa passada, faltando rigor e aprumo na lide do de Elvas. O que não faltou foi o número das bandarilhas, mas que nem assim enganou os mais atentos. Deu volta(?). Haja respeito esta é a primeira praça do país, com lides como esta nem deveria ser chamado a ocupar lugar em futuros carteis no Campo Pequeno.

Para a cara deste bravo exemplar saltou à arena o valente forcado terceirense Marco Sousa, que após não se ter fechado de pernas, consumou ao segundo intento bem preso à barbela, a aguentar o derrote e a viagem do seu oponente.

Após saída e recolha de “Cartelino” por problemas de locomoção, saiu à arena o “Guarda”, irmão pleno do toiro que foi lidado em 2009, na Praça de Toiros Ilha Terceira, pelo matador de toiros “El Juli”. Este “Guarda” foi bravo deste o piton até à bolota, não se cansou de investir no capote, para as bandarilhas e na muleta de Antonio Ferrera, que lhe ministrou uma lide de entrega, saber e sabor intensos, que fez saltar das cadeiras uma praça que em delírio sentido gritava olés. Duas voltas para toureiro, uma delas na companhia do irmão do ganadero António Baldaya. Pediu-se volta à arena do “Guarda” na companhia dos cabrestos, este não encabrestou mas ouviu estrondosa ovação à sua bravura. Mais um toiro de vacas, e dos bons, vai ter a ganadaria terceirense de Rego Botelho.

Lidou o “Descornado” Luis Bolivar em substituição de Alejandro Talavante, que apresentou um atestado por doença (?), mas que já estava bom na sexta-feira para tourear em Madrid, coisas! A lide do colombiano foi discreta com o toiro investir a meia altura. O matador esteve esforçado não atingindo contudo o nível desejado.

Após o intervalo Luís Rouxinol lidou o “Helado” que deixou mais uma vez o perfume da sua bravura, o cavaleiro esteve por debaixo do astado, executando contudo uma lide inteligente destacando-se a brega e colocação do terceiro ferro curto e para o par de bandarilhas, este sim de frente e com verdade.

Para a pega deste toiro foi escolhido o forcado José Vicente, que sem ter entrado nos terrenos do toiro, se fechou à córnea em viagem longa consumando ao primeiro intento.

A lide do “Variado”, número 23, outro bravo de Rego Botelho que não foi devidamente aproveitado numa lide a duo, onde se cravou ferros e mais ferros sem interligação entre os dois cavaleiros anunciados. Nota para a presença em Praça do “Zézito” montado por Luís Rouxinol, nascido também ele em terras terceirenses na Coudelaria Lima Duarte.

Adalberto Belerique saltou as tábuas para não consumar a sua sorte, sendo que há terceira tentativa, depois de ter estado mal a recuar e ter adiantado as mãos ao segundo intento, ficar fora da cara do “Variado” sendo ajeitado pelos companheiros que lhe recolocaram na cara deste. Assobiado ainda na praça, assobiado quando os cavaleiros lhe foram chamar para a volta e simplesmente vaiado aquando da saída pela porta dos cavalos no final da corrida. Foi triste que por uma atitude menos positiva do cabo dos Amadores da Tertúlia Tauromáquica Terceirense tenham sido assobiados um grupo de jovens e valentes forcados terceirenses.

Antonio Ferrera saiu à arena lisboeta com ganas de triunfo grande, mas o pior toiro da corrida lhe tirou a hipótese sonhada da saída em ombros. No capote ainda se sonhara com durabilidade da qualidade da investida do “Bandarino”, mas já na muleta se comprometia com as viagens curtas da sua investida não deixando hipótese de triunfo ao seu “matador”, pena foi que mesmo sem dar duas voltas no segundo não lhe tivessem sacado em ombros no final da corrida, pois a lide ministrada ao “Guarda” foi de indulto e quem indulta sai forçosamente pela porta grande, mas são estes os critérios do Campo Pequeno e há que os respeitar.

O sétimo da noite de nome “Lagunero” fez que com pela sua bravura fosse novamente chamado a dar volta à arena o ganadero de Rego Botelho. Lide de grande entrega de Luis Bolivar com muletazos profundos e templados, que fizeram de novo brotar os olés das bocas dos aficionados presentes, uma boa faena coroada com duas voltas à arena.

Noite de glória para o ganadero José Baldaya em reconhecimento pelo grande trabalho desenvolvido no legado deixado por seu pai Gaspar Baldaya do Rego Botelho.

Abrilhantou e de que maneira a Filarmónica Recreio Serretense enchendo de bom som a Catedral do Toureio a Cavalo.

No final e como bons terceirenses que somos sentamos praça num dos bares do exterior da praça e falamos toda a noite do que ocorrera no seu interior.

Duarte Bettencourt

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