junho 25, 2011

Concurso de Ganadarias em dia de infortúnio

Dia 24 de Junho, dia de São João, Santo Padroeiro que dá o nome à Feira taurina, dia de corrida de toiros Concurso de Ganadarias, este ano na verdadeira acepção da palavra, com o anúncio de seis ganadarias, três continentais e três insulares, num verdadeiro confronto, que se quer saudável, entre todos os intervenientes desta corrida.

A disputar a melhor lide a cavalo tínhamos os cavaleiros Vítor Ribeiro, Tiago Pamplona e João Moura Jr.; a melhor pega os Grupos de forcados da Tertúlia Tauromáquica Terceirense, Aposento de Turlock e Ramo Grande; o prémio de bravura e apresentação as ganadarias de Palha, Veiga Teixeira, Murteira Grave, Rego Botelho, Casa Agrícola José Albino Fernandes e João Gaspar.

A Vítor Ribeiro saiu em sorte os toiros de Palha e Casa Agrícola José Albino Fernandes, com muito sentido e agressividade o primeiro, voluntarioso o segundo. O da margem sul teve que se de arrimar para lidar o da Adema, entregando-se mais o toiro no final da lide, permitindo ao cavaleiro acabar a lide em plano superior. A lide do Albino foi desenhada com mais intenção, destacando-se as sorte frontais, encurtecendo as distancias, pisando terrenos de compromisso, deixando em todo o alto três ferros curtos de mérito.

Tiago Pamplona teve por diante o melhor lote da corrida cabendo-lhe em sorte os toiros de Rego Botelho, algo escorrido de carnes mas de grande entrega na lide, e de Murteira Grave, nobre e com trapio. A estes o jovem terceirense lidou com brio, destacando-se a lide do primeiro com ferros soberbos e de excelente preparação e brega, com abordagens frontais, rematando e bem as sortes, no da Galeana, esteve correcto na lide acusando contudo o peso do nome da ganadaria, efectuando uma lide em crescendo e após a cravagem de dois ferros ao violino saiu sob enorme ovação dos tendidos.

João Moura Jr. pelo quinto ano consecutivo pisava a arena da Monumental de Angra do Heroísmo, duas lides de empaque onde a intuição nata deste cavaleiro de Monforte ficaram bem patentes, Moura Jr. lida com perfeição, tem o toureio na cabeça, jovem de idade mas maduro na concepção do seu toureio, viu-se evoluir pela arena angrense um caso sério da tauromaquia mundial. Dono de um conceito familiar, não deixou este jovem cavaleiro de lidar de frente, cravando ao estribo rematando as sortes como mandam os cânones. Lidou toiros de João Gaspar e Veiga Teixeira, ambos de bonitas hechuras mas com comportamentos disitintos, nobre o primeiro e reservado o segundo, tendo a ambos lidado com intenção, destaca-se a lide do seu segundo, pecando apenas pela sua decisão de colocar mais um ferro a pedido do público, que após uma tentativa falhada de um de palmo e na preparação de mais um, caiu por terra o seu cavalo Belmontin, fulminado por um ataque cardíaco. Morreu na arena um toureiro coberto pelos capotes dos bandarilheiros, cobrindo-se de desgosto o público que enchia a praça em dia de São João. Forte ovação de carinho recebeu o jovem Moura.

Foi atípica a prestação dos forcados sendo apenas pegados quatro dos seis toiros a concurso, o da Casa Agrícola José Albino Fernandes, que embateu com violência nas tábuas aquando da colocação para a pega, rachou junto pela cepa um piton. Na primeira tentativa de Álvaro Dentinho da T.T.T., acabou por se partir por completo, inutilisando-se para a pega, sendo de pronto recolhido. O de Veiga Teixeira foi recolhido aos curros para que se prestar auxilio ao cavalo de Moura Jr. para de lá não mais sair. Preparava-se para o pegar o forcado Manuel Pires dos forcados do Ramo Grande.

As restantes pegas foram efectuadas por José Vicente da T.T.T., muito bem à primeira tentativa, na pega da tarde, pelo Aposento de Turlock pegaram Darren Mountain e Fernando Machado Jr, ambos ao primeiro intento, com destaque para a pega de Mountain, pelo Ramo Grande pegou à terceira tentativa César Pires, com uma ajuda muito carregada.

Dirigiu com acerto Carlos João Avila assessorado pelo veterinário José Paulo Lima.

Duarte Bettencourt

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