agosto 03, 2011

Rui Salvador, João Pedro Ávila da TTT e “Malandro” de João Gaspar.

Noite de Concurso na Corrida de Toiros incluída nas Festas da Praia 2011, com praça cheia em ambiente extraordinário.
Os prémios foram entregues sem contestação ao cavaleiro Rui Salvador pela sua lide ao quinto toiro da noite, ao forcado João Pedro Ávila da Tertúlia Tauromáquica Terceirense, à pega ao primeiro intento, ao primeiro da corrida e ao toiro “Malandro” número 122 de ferro Irmãos Toste pertença da ganadaria de João Gaspar, que foi lidado em primeiro lugar por João Moura, com os prémios ao melhor toiro e ao de melhor apresentação.
O cartel era composto por João Moura, Rui Salvador e Rui Lopes, pelos forcados amadores da Tertúlia Tauromáquica Terceirense, do Redondo e do Ramo Grande e com toiros das ganadarias terceirenses de Rego Botelho, Casa Agrícola José Albino Fernandes e João Gaspar.

O maestro João Moura teve quanto a mim a melhor prestação da corrida e a melhor prestação que alguma vez obteve na arena angrense. Na sua primeira lide recebeu o astado número 122 de João Gaspar (JG) no “Flamenco”, com dois ferros compridos, destacando-se a execução do primeiro, abordando o toiro à tira, cravando ao estribo, rematando a sorte de forma irrepreensivel. Para o segundo tércio sacou o “Spartacus” com três bons ferros, com sites vistosos em terra a terra vibrantes, destacando-se a colocação do segundo ferro de frente e ao estribo, rematado com galope a duas pistas marca da casa, com o toiro a roçar com os seus pitons a garupa do cavalo. Com o “Pinguim” cravou mais três, sendo dois de palmo, com destaque para o último mais cingido e vibrante. O toiro de JG cumpriu para a função, mostrando um bom galope com investida nobre, sendo premiado com o prémio ao melhor toiro da corrida. Aqui é preciso salientar o seguinte, o prémio a atribuir era o de melhor toiro e não o do mais bravo, pois se assim fosse este prémio não teria sido entregue, pois todos os toiros apresentados pecaram na presença de bravura. Este toiro arrecadou também o prémio apresentação por ser o toiro mais em tipo no encaste da ganadaria, não sendo contudo aquela estampa que se quer ver num toiro de lide. Para a pega saltou em regresso à função de caras o forcado da TTT, João Pedro Ávila numa pega ao primeiro intento, com o toiro a fugir ao grupo pela direita afocinhando com o forcado na cara, ajudado posteriormente pelo grupo, numa pega vibrante que chegou aos tendidos.
No seu segundo, quarto da ordem, que ostentava o número 301 da Casa Agrícola José Albino Fernandes (CAJAF), um toiro com pouco trapio para uma corrida concurso, Moura andou vulgar no primeiro tércio a despachar a ferragem da ordem, no segundo tércio elevou a sua actuação com a colocação do terceiro curto com remate vibrante, finalizando a lide com um grande ferro de palmo saindo sob grande ovação. Nota negativa para a atitude do cavaleiro de Monforte acudindo aos seus bandarilheiros para colocarem em sorte o toiro da CAJAF. Para a pega deste “albino” foi chamado a concretiza-la o forcado Leonardo Gonçalves dos forcados da TTT, que consumou ao terceiro intento com ajuda carregada dificultando o que parecia fácil, se o forcado tivesse optado por trazer o toiro toureado no primeiro intento concerteza teria concretizado a pega sem problemas de maior, já na segunda tentativa fechou-se mal de pernas e de braços, rodando sobre os pintons do toiro quando este virou a cara para o lado esquerdo.

Rui Salvador recebeu o segundo da noite, com o número 60 da ganadaria de Rego Botelho (RB), com o “Quilas” com dois ferros a despachar, já com o “Negolfo” andou vulgar com destaque para o quarto ferro da ordem, de excelente brega e colocação do astado, precedido de excelente abordagem e cravagem da bandarilha. Saltou à arena Nuno Oliveira pelos amadores do Redondo, que foi dobrado por Rui Grilo concretizando a pega ao quinto intento, à meia volta e a sesgo, depois de quatro tentativas inglórias com culpas para os ajudas, que dificultaram ainda mais as dificuldades que o de RB apresentava.
No quinto da noite, o cavaleiro de Tomar, saiu montado no “Vice-rei” com dois excelentes ferros de frente e ao estribo como mandam as regras, o toiro de JG, que ostentava o número 127 no costado, cedo elegeu como querença adquirida a porta dos cavalos, descaindo durante a lide para o terreno de tábuas, mas de lá saindo sem dificuldade, Rui optou por lidar o exemplar marcado a fogo com o ferro dos Irmãos Toste, nos terrenos de dentro cravando ferros de valor em sortes sesgadas, montando o “Uno”, ferros estes que chegaram com grande impacto às bancadas pela verdade e emoção com que foram executados, o quinto ferro foi brindado à Associação Filarmónica Cultural e Recreativa de Santa Bárbara da Fonte do Bastardo, finalizando a lide com um grande ferro, com o toiro nos tércios, saindo sob grande ovação. A lide deste quinto toiro valeu o prémio à melhor faena da corrida. O júri responsável pela atribuição dos prémios a concurso foi composto pelo crítico Pedro Pinto, pelo embolador Francisco Parreira e pelo responsável pela organização da Feira da Graciosa João Mendonça. Para a pega deste toiro de JG foi escolhido o forcado Carlos Silva dos amadores do Redondo, que foi dobrado pelo colega Hélder Delgado, que concretizou a pega ao terceiro intento, bem ajudado pelo contra caras, nas duas tentativas iniciais o grupo voltou a complicar o que já era complicado, começando pela dificuldade de entrar nos terrenos do toiro pelo forcado da cara e pela colocação do toiro para a pega, pormenor de grande importância que só foi corregido ao terceiro intento, colocando o toiro a favor da querença adquirida.

Rui Lopes literalmente entalado entre duas figuras do toureio recebeu o toiro número 304 da CAJAF, mais um toiro de fraca presença para um concurso de ganadarias, montado no “Sublime” cravando dois compridos com destaque para o primeiro, sacou o “Violino” para deixar três ferros curtos sem grande historia. Para a sorte de caras saltou as tábuas César Pires pelos amadores do Ramo Grande (RG) executando a sua sorte de forma irrepreensivel, com o toiro a não dificultar.
No último da noite o cavaleiro do “Ilhéu”recebeu o astado de RB com dois compridos, para os curtos sacou o “Quarteio”, cavalo dos quiebros que no caso concreto e pelas caracteristicas do oponente não terá sido a melhor escolha, pois o toiro era tardo na investida e com uma investida curta, apertando depois da sorte com vontade em fazer mal. Não conseguiu cravar os dois primeiros curtos, deixando com o ruço o terceiro, trocou de montada e aqui com o “Violino” consegui cravar os ferros com melhor desempenho indo em crescendo terminando com um de palmo em terrenos de dentro. Para a pega deste manso foi chamado Manuel Pires, que após duas violentas tentativas, a segunda com o grupo a fechar mal deixando no lado direito da formação uma pequena abertura, abertura esta que viu o toiro, desfeiteando o grupo numa tentativa de grande emoção, acabou por pegar ao terceiro intento em ajuda carregada, no final e na volta à arena convidou a partilhar as palmas o contra caras Miguel Pires.

Dirigiu com elevada qualidade José Valadão coadjuvado pelo Dr. Vielmino Ventura.

A acompanhar o festejo e bem esteve a Filármonica da Fonte do Bastardo regida pelo Maestro Sérgio Melo.

Duarte Bettencourt

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