junho 10, 2012

Da Terceira a Turlock




Já se passaram uns dias desde que cheguei de uma viagem inesquecível que fiz a terras do tio Sam. Foram precisas cerca de quinze horas de avião para lá chegar, mas valeu a pena. Vale sempre a pena viajar com amigos, visitando amigos e criando novas amizades.
Quando fui convidado pela Associação Turlock Pentecost  a acompanhar a deslocação do Grupo de Forcados Amadores do Ramo Grande à Califórnia, hesitei. Hesitei por várias razões, desde a pessoal e familiar à profissional, mas tudo se compôs para que embarcasse rumo a San Francisco numa viagem irrepetível, onde fomos recebidos como irmãos. Não existem palavras para descrever a forma simpática e acolhedora com que as gentes da diáspora nos receberam, muitas vezes melhor do que nós os recebemos aqui. Não querendo de forma alguma menosprezar ninguém queria deixar aqui um agradecimento especial ao António Machado, ao Manuel Sousa e ao Adão Rocha, pela forma como nos acarinharam nesta deslocação, não querendo jamais esquecer, o James, o Mark, o Johnny, o Sr. Eduardo, o Michael, o Borges, o Jorge e tantos outros que foram incansáveis na nossa receção. Ao Grupo de Forcados Aposento de Turlock um olé profundo e sentido e que continuem com a vossa cruzada por uma melhor festa brava na Califórnia.
Turlock é uma localidade açoriana não tenho dúvidas, nela residem em grande quantidade açorianos dos quatro costados oriundos essencialmente das ilhas de São Jorge e da Terceira. Estar nas Festas em Louvor ao Divino Espirito Santo em Turlock é quase como estar na nossa Ilha, é claro que com as devidas salvaguardas, mas o essencial, o culto ao Divino mantêm-se como na origem. Foi bonito apreciar à manifestação religiosa com mais arreigo nas Ilhas açorianas a cerca de 8 mil quilómetros de distância. Até arrepios senti.
Na segunda-feira, dia 4 de Junho, realizou-se uma corrida de toiros de Gala à Antiga Portuguesa na Praça de Toiros de Stevinson, incluída nas Festas da Turlock Pentecost Association, na celebração do seu 100º aniversário. No cartel encontravam-se os nomes dos cavaleiros Alberto Conde, Rui Santos e Paulo Jorge Ferreira e dos forcados Amadores de Turlock, do Aposento de Turlock e do Ramo Grande, que lidaram e pegaram toiros da ganadaria do Pico dos Padres de Manuel Sousa Jr.
Na incerteza da realização da corrida, primeiro pelo estado da arena após uma grande chuvada e depois pela grande entrada de público na praça que excedia em muito a sua lotação, deu-se inico à função depois de três desfiles, a presentação das rainhas da festa, as cortesias à antiga portuguesa e as cortesias propriamente ditas.
Alberto Conde toureou com montadas da Coudelaria Agualva, atingindo o clímax das suas atuações com a receção à porta gaiola do seu primeiro e com um ferro à gaiola ao segundo do seu lote, que empolgou o público presente. Obteve ferros de mérito em duas lides de nível. Deu merecida volta em ambas as lides. Foi especialmente bonito rever o Alberto a tourear depois de por cá ter passado no início da carreira do cavaleiro terceirense Rui Lopes, pena não tenha mais oportunidades na terra onde o viu nascer.
Rui Santos viu a cara e a coroa da moeda, nas lides aos seus oponentes. No primeiro uma má escolha das montadas dificultou o que parecia fácil, com uma lide de mais a menos. No seu segundo armou o taco e brindou a afición californiana com uma boa atuação, com empolgantes cites, cravagens ao estribo e consequentes remates. O cavaleiro Rui Santos montou cavalos da jovem prometedora coudelaria Luso Canadiana de Élio Leal.
Paulo Jorge Ferreira, cavaleiro português radicado nos EUA, foi o triunfador da corrida com duas lides de entrega, baseadas nas boas regras do toureio a cavalo à portuguesa com desplantes menos ortodoxos mas do agrado do público presente. Paulo Jorge Ferreira monta cavalos da Coudelaria Martins, uma quadra de grande valor e num excelente momento de forma.
Pelos Amadores de Turlock pegaram Michael Lopes à primeira tentativa e Donald Mota à quarta muito bem ajudado por Michael Lopes.
Foram caras pelos do Aposento de Turlock Jr. Machado, na pega da noite, e Darren Mountain ambos à primeira tentativa.
Saltaram as tábuas pelos forcados do Ramo Grande Miguel Pires à segunda tentativa e César Pires à primeira, denotando-se um excelente momento do grupo da Praia na altura de ajudar.
Por último uma referência especial ao curro da ganadaria do Pico dos Padres com uma apresentação irrepreensível, uma mobilidade incrível e com nobreza quanto baste. Sem dúvida um excelente curro em qualquer praça do mundo, queria poder um dia apreciar ao desempenho dos toiros do Manuel de Sousa com bandarilhas a sério, e sonhando, porque não aqui na Ilha Terceira.
E foi assim a minha primeira experiência taurina por terras da américa, mais uma a acrescentar à minha vida de aficionado.

Duarte Bettencourt

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