agosto 03, 2012

Algumas considerações sobre a Internet e a Festa Brava



in Festa na Ilha de 2012

Longos vão os anos em que para se saber o resultado de uma corrida de toiros se tinha de esperar pela chegada do carteiro.
Fui-me habituando a ler no papel aquilo que dois ou três escreviam, donos da verdade absoluta, que impunham com as suas ideias e convicções a apreciação de uma corrida.
Com a revolução da internet veio a disseminação, de forma gratuita, da informação à distância de um clik. Com a internet chegou também a proliferação de sites e blogs dedicados à tauromaquia onde a informação outrora aguardada pelo carteiro, chega agora aos nossos computadores e telemóveis praticamente em direto.
É verdade que a internet trouxe coisas más, mas em prol da tauromaquia algumas até foram boas. Enumerando apenas três das muitas que há, começo pela já citada rapidez com que se obtêm a informação, a proximidade à festa brava que a internet pôs à disposição do comum aficionado e o surgimento de novos valores quer no domínio da escrita quer no da imagem.
Hoje em dia acedendo a vários sites de informação taurina, é possível ler cinco ou seis artigos de opinião sobre a mesma corrida, ver quatro ou cinco galerias fotográficas e a assistir a pequenos vídeos das atuações dos artistas intervenientes. Com toda esta informação podemos tirar as nossas próprias ilações sobre o resultado real de uma corrida.
Para aqueles que dizem em tom soberano, que o que interessa é o que fica escrito no papel, digo-lhes que até podem ter alguma razão, mas o que é escrito na internet é sem dúvida nenhuma mais lido do que o que é escrito em papel. Podem eles menorizar o trabalho dos cibernautas taurinos, dizendo que se escreve com graves erros de português, mas não podem de forma alguma menosprezar o impacto positivo que a internet teve e tem atualmente na tauromaquia portuguesa e não só.
Mas a internet não trouxe só mais proximidade às apreciações sobre as corridas de toiros, trouxe também a possibilidade dos vários intervenientes na festa poderem promover os seus trabalhos ou os seus eventos. Os cavaleiros e matadores de toiros, por exemplo, com as suas páginas pessoais conseguiram aproximar-se mais dos seus fãs, mostrando o seu local de trabalho, as suas montadas, a sua história, o seu traje de luces, dando a conhecer o lado mais pessoal da figura.
Deu também a possibilidade às ganadarias de bravo de mostrarem o seu trabalho, os seus toiros, aproximando o comum mortal à criação da rês brava, aproximando-o assim à terra. Pormenor de elevada importância nos dias de hoje, pois o afastamento das pessoas do campo é cada vez maior levando-as, por exemplo, a crer que criar um cão numa varanda de um apartamento qualquer, numa cidade qualquer, é o mais natural e recomendável para o animal, levando muitos, que estando ausentes do cheiro e do contacto com a terra, a transformarem-se em antis de qualquer coisa. Hoje na moda o anti-taurinismo alicerçado numa cultura citadina e de total ausência de contato com a terra.
A internet também abriu as portas a novos valores que vieram trazer uma lufada de ar fresco ao panorama taurino. Surgiram novos críticos, com novas ideias e conceitos, surgiram novos fotógrafos, com novas perspetivas e interpretações. A internet foi sem dúvida a plataforma de lançamento e visibilidade destes novos valores, que com ela tiveram projeção a nível mundial.
A internet é uma ferramenta de vital importância para a tauromaquia. Todos temos o dever de a usar em prol da defesa e promoção da Festa Brava.

Duarte Bettencourt 

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