Feira de São João começa amanhã

A Feira de São João deste ano tem o seu inicio, amanhã dia 21 de Junho, com uma Corrida Concurso de Ganadarias...

Triunfo de Tiago Pamplona e Sérgio Aguilar no Festival de Beneficência

Há já algum tempo que não tinha o prazer de tomar notas numa corrida de toiros...

Comunicado - Grupo de Forcados Amadores do Ramo Grande - Feira de São João 2015

"O Grupo de Forcados de Amadores do Ramo Grande anuncia que não pegará no Concurso de Ganadarias da Feira de São João 2015 "

agosto 06, 2015

Corrida das Festas da Praia


Realizou-se no passado dia 3 de Agosto na Praça de Toiros Ilha Terceira, pelas 18 horas e 30 minutos, a nona edição da Corrida das Festas da Praia, corrida esta que surgiu com o aparecimento do Grupo de Forcados Amadores do Ramo Grande, que a 7 de Agosto de 2007 teve a sua estreia, e que estreia. Este ano a corrida contou com as presenças dos cavaleiros Rui Salvador, Tiago Pamplona e Manuel Telles Bastos, que lidaram um curro de toiros da ganadaria da Casa Agrícola José Albino Fernandes, gerador de grande polémica por altura da Feira de São João deste ano, mas que criou na Corrida das Festas da Praia uma, ainda maior expectativa, um curro com idade, peso e trapio, à altura dos pergaminhos da Corrida da Praia. Pegaram estes mesmos astados os Grupos de forcados amadores da Tertúlia Tauromáquica Terceirense e do Ramo Grande, em dia de aniversário pelos seus pequenos, mas grandes, oito anos de existência.

O seu, a seu dono. Manuel Pires realizou uma pega histórica ao consumar ao primeiro intento a pega da tarde, a mesma foi realizada ao sexto toiro da corrida, o "Artista". O Manuel esteve valentíssimo recebendo a investida pronta do astado, para depois em viagem difícil, aguentando o que parecia impossível de aguentar e com as grandes ajudas de Miguel Toste e Vítor Enes, concretizar o maior momento taurino desta temporada, até à data. O público vibrou e eclodiu das bancadas, exigindo duas voltas ao valente do Ramo Grande.
A corrida no que toca aos forcados contou também com excelentes pegas, todas elas ao primeiro intento. Pelo grupo da Tertúlia, que se mostrou uma vez mais coeso nas ajudas, foram solistas, e que solistas, João Pedro Ávila fechando-se muito bem na cara do toiro, com o grupo a dar vantagens, Carlos Vieira também numa excelente pega tecnicamente perfeita e bem fechado de braços e pernas na cara do toiro e Tomás Ortins numa pega enorme de querer e poder. Pelos do Ramo Grande pegaram ainda Luís Valadão que esteve muito bem com o toiro, que ao perder as mãos dificultou e de que maneira a viagem do forcado e as ajudas do grupo, que esteve muito bem, já César Pires teve uma pega atribulada, tendo sido ajudado pelos colegas a ficar na cara do toiro.

Pelos marialvas destaque para o cavaleiro da Torrinha, Manuel Telles Bastos na lide do sexto toiro da tarde, com três soberbos ferros compridos à tira, com o "Xerico", e depois com a "Rosa" a rubricar a faena da tarde, com ferros de mérito ao estribo e em todo o alto. Que bem monta a cavalo este Telles, e que classicismo, mão esquerda nas rédeas e tricórnio na cabeça, assim dá gosto ver evoluir um cavaleiro à portuguesa pela arena. Na sua primeira lide, Manuel recebeu o terceiro da ordem com um enorme ferro à porta gaiola, aproveitando a excelente saída do seu oponente, rubrica três bom ferros curtos com o "Romano", vindo o toiro a menos e também a restante lide, com dois ferros de menor impacto seguidos de toques na montada.

Rui Salvador, jovem veterano da nossa tauromaquia, destacou-se pela sua experiência e conhecimento do toiro bravo, ao terminar a lide do quarto toiro da tarde, com três ferros enormes, ao estribo, daqueles impossíveis, com destaque para o último, o  ferro da tarde, montando o excelente "Vice-Rei". No seu primeiro Salvador andou correcto mas sem deslumbrar, com destaque para os dois últimos ferros do segundo tércio.

Tiago Pamplona esteve aquém das expectativas, esteve melhor no seu primeiro com destaque para os ferros compridos utilizando o seguro "Cagancho", onde se viu boa brega e boa consumação das sortes, destaque desta lide vai para para os segundo e terceiros ferros curtos, montando o "Bastinhas", onde o cavaleiro partiu recto pisando os terrenos, carregando bem a sorte e a deixar em todo o alto dois bons ferros. No seu último, o quinto da tarde, e por culpa da não cravagem de três ferros, a lide não resultou. Bem a humildade do cavaleiro em não querer dar volta à arena, muitos deviam-lhe seguir o exemplo.

O curro da Casa Agrícola José Albino Fernandes, gerador de grande expectativa, apresentou-se soberbo com peso e trapio, mas faltando alguma chispa em relação ao comportamento, note-se que todos eles se deixaram lidar, mas quase todos tiveram o mesmo senão, paravam-se no momento da reunião dificultando o labor aos seus lidadores. Destaque para a beleza do primeiro toiro da corrida, o salgado "Agualimpa", número 374 e com 530 quilos de peso e para os quinto e sextos toiros da corrida, o "Agradecido" número 367 lidado por Tiago Pamplona e "Artista" número 380 lidado por Manuel Bastos, os de melhor comportamento. Como se diz na gíria taurina, os toiros são como os melões, só  quando se abrem é que sabe se são bons ou não.

O público preencheu 3/4 de casa forte em tarde de bom tempo.

Dirigiu a Corrida o director Carlos João Ávila, assessorado pelo Dr. Vielmino Ventura. Acompanhou a corrida a Filarmónica Sociedade Recreio Lajense, mais conhecida pela Sociedade Velha das Lajes.


Duarte Bettencourt

julho 20, 2015

Noite de João Pamplona e dos forcados da Tertúlia.


O público preencheu cerca de 1/4 de casa da Monumental Praça de Toiros Ilha Terceira, para receber um "Espectáculo Misto" organizado pela Tertúlia Tauromáquica Terceirense e pelo Grupo de Forcados Amadores da Tertúlia Tauromáquica Terceirense, duas entidades autónomas que se juntaram para a realização deste espectáculo.
Mais uma vez e para que pudessem ser lidados novilhos, e não será a última vez esta temporada, anunciou-se em letras pequenas que ao abrigo do regulamento tauromáquico açoriano este espectáculo tinha a designação de Novilhada. Não deixa de ser curioso que uma das entidades organizadoras deste espectáculo defendia a verdade e seriedade da festa brava açoriana, com a implementação da idade mínima de 4 anos para os toiros a serem lidados nas corridas em solo açoriano. Queriam seriedade e agora brincam com ela? Esta foi uma das causas da pouca afluência de público às bancadas da Praça de Toiros Ilha Terceira, entre outras com certeza.

Em praça estiveram os cavaleiros de alternativa Tomás Pinto e João Pamplona, o matador de toiros Cesar Jimenez e os forcados organizadores da Tertúlia Tauromáquica Terceirense. Lidaram-se toiros e novilhos de Mario Vinhas e Herdeiros de Manuel Vinhas, Rego Botelho, Casa Agrícola José Albino Fernandes, Vegahermosa e João Gaspar. Abrilhantou a corrida a Sociedade Filarmónica Rainha Santa Isabel das Doze Ribeiras dirigida pelo maestro Durval Festa e dirigiu o espectáculo o Director de Corrida Carlos João Ávila coadjuvado pelo médico veterinário Vielmino Ventura.

O grande triunfador da noite foi sem sombra de dúvida o cavaleiro terceirense João Pamplona. Esteve a um grande nível este toureiro do Posto Santo, bregou, lidou, cravou e arrematou as sortes, com classe e mestria. Lidou pela frente um novilho de Rego Botelho, com trapio e bom comportamento, cravou com mestria os dois compridos da ordem com destaque para o excelente segundo onde foram muito bem marcados todos os tempos da sorte. No segundo tércio destaque para o primeiro ferro de frente e ao estribo e para o que finalizou esta sua primeira intervenção. Se neste novilho este a um excelente nível, João ainda elevou mais a fasquia do seu bom toureio, lidou por último o bravo cinqueño de Vinhas, esperou-o à porta gaiola, para lhe cravar três ferros de eleição, muda de montada, esta em dia de estreia, para desenhar sortes de frente e ao estribo, com remates soberbos, pena que o 4 ferro não tenha ficado, pois teria sido um hino ao toureio frontal, sitou em passage cadenciada de frente, carregou a sorte, quarteou-se na cara do toiro e... Pena o toiro ter perdido as mãos no momento da cravagem. João Pamplona esteve em plano de figura, rubricando a melhor lide da temporada açoriana, até ao momento.

Os forcados da Tertúlia, capitaneados por Adalberto Belerique, tiveram esta noite a dupla responsabilidade de organizar o espectáculo e pegar os quatro astados que lhes couberam em sorte. Se na primeira as coisas não correram pelo melhor no que concerne à entrada de público, já na segunda estiveram à altura dos seus pergaminhos, com a execução ao primeiro intento das quatro pegas que foram realizadas por Luís Cunha, numa grande pega num misto de valentia e boa técnica, Tomás Ortins, na pega da noite a aguentar um violento derrote, Pedro Correia, em dia de despedida a realizar um boa pega e Carlos Vieira, a fechar-se muito bem na cara do oponente. Destaque para os restantes ajudas que esta noite estiveram em plano superior.

Pedro Correia mais conhecido por "Pedrão" decidiu abandonar a difícil arte de pegar toiros, foi um forcado valente, excelente ajuda, daqueles que estão lá quando é preciso e não dão muito nas vistas, sendo a consumação das pegas obra dos oito que estão lá dentro. Mais um valente que deixa a jaqueta dos da Tertúlia.

O matador Cesar Jimenez teve a dignidade de se apresentar na nossa praça sem a sua quadrilha, numa clara atitude de apoiar a organização deste espectáculo na redução das despesas. Saíram às ordens do matador madrileno os terceirense Jorge Silva, João Pedro Silva e Diogo Coelho. Jimenez lidou um quatreño da C.A.J. Albino Fernandes de 450 quilos de peso, que não humilhando dificultou o labor do seu "matador", provou a investida com capote, para se seguir um desastroso segundo tércio, lidou por ambos os pitons sacando passes ao albino com a muleta alta, destacando-se a quinta tanda executada pela mão direita. Cesar lidou o segundo do seu lote, pertencente à ganadaria de Rego Botelho, com temple e profundidade aproveitando as boas características deste, que humilhava de maravilha, destaque para a segunda tanda pela direita e para a quarta pela esquerda, a partir daí o toiro deu sinal que iria rachar e foi isto mesmo que aconteceu na tanda seguinte. Pena este toiro não aguentar uma lide inteira. Faltou-lhe fundo.

Tomás Pinto passa sem pena nem glória pela arena da Praça de Toiros Ilha Terceira, andou precipitado na brega e na cravagem dos ferros, lidou sem história um bravo de Vegahermosa. O seu segundo, um manso de João Gaspar mas que não complicou, andou um pouco melhor com destaque para os últimos três ferros curtos, estes com o valor que sabemos que Tomás Pinto tem, mas que infelizmente não pôs em pratica em frente da aficion terceirense.

Nota outra vez negativa para o critério de atribuição de música dada pelo director de serviço.


Duarte Bettencourt

julho 04, 2015

Algumas considerações - Festival dos Capinhas


A edição do Festival dos Capinhas 2015 ficou uma vez mais envolta em polémica, em relação à atribuição dos prémios a concurso, polémica esta que seria escusada, se:
  •  A composição dos jurados do concurso fosse tornada pública e devidamente anunciada;

  • Fossem criados critérios de avaliação quanto ao desempenho do toiro na arena, toiro este que deve, em meu entender, ser apreciado em relação ao seu comportamento como toiro da corda. A estes critérios seriam atribuídos pontos, pontos estes que somados entre um jurado composto por elementos em número ímpar, atribuísse o prémio ao melhor toiro;

  • Os prémios atribuídos aos capinhas deviam-se subdividir em: sorte de guarda-sol, sorte a corpo limpo e sorte de capa. Não é possível avaliar, se um capinha é melhor que o outro, se por exemplo um desempenha na perfeição a sorte de guarda-sol e um outro que executa, nessa mesma perfeição, um passe a corpo limpo.

Tenham em consideração que a continuar como está, corremos o risco, que de ano para ano, a afluência de público seja cada vez menor, pondo em risco um espectáculo que é acima de tudo uma homenagem ao capinha, ao toiro da ilha e em geral à nossa Tourada à Corda.

Duarte Bettencourt

Quem perdeu e quem ganhou. - Artigo de Opinião de Francisco Sales


Agora que acabou a Feira de São João à que reflectir sobre alguns aspectos. 

Quem perdeu e quem ganhou.


Perdeu o terceirense que gosta de toiros e que vibra com os concursos de ganadarias terceirenses, ganadarias estas que tem feito um esforço enorme para estar a altura desta importante Feira e pelo que vimos nesta Feira estão bem melhores que muitas das apresentadas. Até a balança esteve generosa. 


Perdeu quem já anda há anos a tentar vender a Ilha como destino turístico, único no mundo, para ver toiros à moda de Espanha. O turista não vem à Terceira ver estas corridas pois pode vê-las bem mais perto. 


Ganhou os ditos intelectuais em tauromaquia, que mais uma vez impuserem a sua vontade contra tudo e contra todos para satisfazer o seu capricho. Mais uma vez ficou provado pela bilheteira que o terceirense não gosta das ditas touradas picadas, mas eles continuam a insistir numa coisa já gasta. 


Já agora, a censura praticada, é qualquer coisa do terceiro mundo. 


Quando se trabalha com dinheiros públicos tem que haver um certo cuidado.


Espero que este ano tenha servido de lição e que para o ano seja bem melhor, com toiros terceirenses, porque os temos, que não haja mais censuras e que sejamos todos a trabalhar para o mesmo. 


Não tenham medo de apostar nas ganadarias terceirenses porque são iguais às grandes ganadarias portuguesas, até os nossos artistas são tão bons como os outros. 


Saudações taurinas. 


Francisco Sales

ALICE NO PAÍS DOS MANTEQUILLAS - Artigo de Opinião de António D´Almeida Bello


Alice era uma menina que preguiçosamente vivia com a sua irmã até ao dia em que caiu numa toca de coelho que a transportou para um lugar fantástico, sempre numa lógica do absurda característica dos sonhos.
O que Alice não sabia é que, para além do País das Maravilhas, existe um outro, muito circular e fechado, mas também com um humor perturbado e sem sentido, povoado por alguns clones carinhosamente chamados Mantequillas.
Os Mantequillas já são uma marca patenteada, protegidos por uma redoma de vidro flácido que se criou no seu mundo virtual e que transforma qualquer paquiderme num formador de opinião.
Opinar, julgar, maltratar, censurar, desaprovar, estranhar, reprochar, vituperar, estropiar, são algumas das características festivas que exercem sobre todos aqueles que repugnam o sentido patriótico da monarquia tauromáquica.
Estes bombardeiros de barbaridades que reflectem preconceitos cobertos com véu tendem a reproduzir-se se nada vier a ser feito em contrário.
Recentemente e pelas mãos dos Mantequillas de tudo um pouco aconteceu, contra a vontade dos aficionados não fanáticos, das pessoas não politizadas, e dos autarcas e governantes sem medo da teoria do absolutismo.
No País dos Mantequillas,  a escolha das ganadarias é regida sobretudo pela racionalidade, onde se exclui todas as que durante os últimos cinco anos se prepararam para 2015. Entenderam e mal, muito mal, que haviam de repugnar o touro bravo da Ilha e Região e os ganadeiros que das praças e da corda lá vão vivendo.
Para surpresa de Alice, os comentadores tauromáquicos locais e os nossos emigrantes também são adubados de tais conceitos imorais, sendo publicamente maltratados e isolados no barulho ensurdecedor que se transformou o directo da praça.
E quando um grupo de forcados da ilha deu conhecimento em tempo oportuno da ilegalidade que a entidade promotora e delegados tauromáquicos estavam a cometer, os Mantequillas vieram a público dizer que a valentia desses forcados é pura ilusão e que o exemplo máximo eram os outros que, num jeito de sincera solidariedade, como de boa ovelha adestrada se tratasse, vieram dobrar os companheiros da forcadagem e ainda com direito a prémio de melhor pega.
Alice não queria acreditar no que ia assistindo e mais surpresa ficou quando na televisão assombrou Mantequilla de braços cruzados e com ar frouxo e vegetativo, abanando a cabeça em jeito de concordância com todos os actos de censura que o Mantequilla – mor ia deletrando.
E a cabeça lá continua abanando - como quem oferece amendoins a um macaquinho, agora na praça e nos cafés, bancos ou expulso por ele(s), na rua ou na lua, defendendo intransigentemente todos os actos reprováveis de um concurso questionado e refutado veementemente por tantas e tantas outras pessoas.
Alice aprendeu que nessa terra os Mantequillas têm medo de um debate aberto, porque partem de uma opinião fechada, concluída e privada. Engodam uns tantos com bilhetes, marisco e festas privadas, que toda a opinião acaba por ser uma contra opinião.
Escusado será dizer que Mantequilla, elemento de Direcção de uma afamada Tertúlia, é o mesmo que está em estágio para futuro Director de Corrida. Não sabemos agora que sonho fará parte da história de Alice: se nos Açores continuará esta promiscuidade hermafrodita ou se pelo contrário, a praça para este delegado será uma outra bem diferente dos seus anseios e inquietudes.

junho 30, 2015

Cartaz da Feira da Graciosa 2015


Corrida Mista a 18 de Julho - Organização dos Forcados da T.T.T.


No próximo dia 18 de Julho, pelas 21h30m, as portas da Praça de Toiros Ilha Terceira abrem-se para receber uma Corrida Mista promovida pelo Grupo de Forcados Amadores da Tertúlia Tauromáquica Terceirense. O cartel é composto pelos cavaleiros Tomás Pinto, que se apresenta entre nós e por João Pamplona. A lide a pé estará a cargo do matador de toiros César Jimenez. Pegam os toiros o grupo de forcados organizador. Será lidado um curro de 6 toiros de distintas ganadarias. Não percam dia 18 de Julho na Praça de Toiros Ilha Terceira.

ADOLFO - Artigo de Opinião de António D´Almeida Bello

por António D´Almeida Bello

ADOLFO

“Nós temos que fazer sentir ao poder político, que nos manifestamos a favor da sustentação da nossa Festa e das nossas ganadarias”, por Adolfo Lima, presidente da Assembleia Geral da Tertúlia Tauromáquica Terceirense.
Respeitando estas sábias palavras, Arlindo Teles e restantes membros da Direcção da TTT, congratularam-nos, por oito mil euros, um Miura rejeitado noutras praças por terras de nuestros hermanos. Em tons amiúdes e em tetracorde diz-se por lá: “Quem são aqueles tolos das ilhas dos Açores?”.
No último comunicado da Direcção da Tertúlia Tauromáquica Terceirense, posto a circular poucas horas antes da corrida de 28 de junho, entitula-se a ”Direcção da Tertúlia Tauromáquica Terceirense, como organizadora do dito festejo”. Fez-se luz. Então a entidade organizadora das corridas de São João 2015 não é a Tertúlia Tauromáquica Terceirense, instituição de utilidade pública, mas apenas e só os exemplares que compõem a Direcção desta mesma Tertúlia, onde se inclui os idóneos director de corrida e médico veterinário do Concurso de Ganadarias.
Dito dessa forma, podemos balizar bem o fio que separa uma instituição bem sucedida de um grupo de amigos criados à sombra.
Vamos por partes.
Na apresentação da corrida, há três meses, segundo a Direcção da TTT, foram apresentados todos os intervenientes no espectáculo tauromáquico do passado dia 21 de junho e o Grupo de Forcados Amadores do Ramo Grande conhecia a ordem de saída dos toiros. O GFARG  diz o contrário, mas a Direcção da TTT continua a afirmar perante os aficionados que este grupo de forcados, também dessa terra mas menos urbes, mentem com todos os dentes.
Mas mais aldrabões existem ou então não percebem o idioma terceirense desta semi-nua Direcção. Bruno Cardoso suplente da Direcção da TTT, Vitor Ribeiro e a Associação Portuguesa de Criadores de Toiros de Lide (APCTL), são alguns desses exemplos.
Imagine-se, vem esta mesma Associação Portuguesa de Criadores de Toiros de Lide (APCTL), no dia 27 de Junho,  clarificar Arlindo Teles e José Parreira que entre 2000 e 2015 se pode “concluir que em nenhum concurso de ganadarias de Évora foi utilizada a antiguidade espanhola.” E que em Vila Franca, segundo esta mesma APCTL, também prevaleceu a antiguidade defendida pelo Grupo de Forcados Amadores do Ramo Grande. E esta heim!?
Todos estes esclarecimentos foram remetidos para o correio electrónico da gerência de Arlindo Teles & Associados, Lda, e já antes, em 2010, também o parecer à proposta de Regulamento Geral dos Espectáculos Tauromáquicos de Natureza Artística subscrita por vários signatários tinha sido remetida para a Assembleia Legislativa por gerencia@arlindoteles.com. Mas a Tauromaquia dos Açores e a Tertúlia Tauromáquica Terceirense igualmente têm serviços de consultoria ou mediação imobiliária?
E entende esta Direcção que bom mesmo é viajar. Nas excursões taurinas a Espanha, para participação em feiras e afins, tanto evocadas nas assembleias gerais da TTT, como são descriminadas as muitas despesas realizadas?
Quanto ao sr. Vinhas, fez muito bem marcar uma posição. Viva a Feira de São João 2016. 
Também a Associação Nacional de Grupo de Forcados vem dizer por escrito que a lei existe e é para ser cumprida por todos os grupos. Será que se referiam ao artigo 37º da Constituição da República Portuguesa, onde ninguém, nem mesmo um cabo de forcados, pode impedir ou limitar por qualquer tipo ou forma de censura o direito que todos têm de exprimir e divulgar livremente o seu pensamento?
Mas parece que Duarte Bettencout não foi caso isolado. Em 2012 já Arlindo Teles acusava os órgãos de comunicação social de “falta de isenção”. Ou seja, como não prestam culto ao dito cujo que é administrador desta Direcção há mais de 10 anos, importa marginalizar.
E o toiro da ganadaria Rego Botelho, com peso da rés superior a 560 kg, convidado a participar na corrida do passado dia 24 de Junho, também foi outro dos visados. Logo após o sorteio, soube o toiro, que iria ser pegado por 18 forcados do Grupo de Forcados Amadores da Tertúlia Tauromáquica Terceirense, com direito a volta na praça, e num acto de pura rebeldia chamou a atenção do médico veterinário da dor que sentia na unha esquerda de uma patinha, sendo-lhe atestado abate directo e imediato, para tristeza do cabo de forcados, Adalberto Belerique, que já tinha escrito um novo email e agora já nada pode fazer sobre os direitos de imagem deste espécime.

Comunicado da Direcção da Tertúlia Tauromáquica Terceirense

Em relação à recusa do Grupo de Forcados Amadores do Ramo Grande na corrida celebrada em Angra do Heroísmo no passado 21 de Junho, a Direcção da Tertúlia Tauromáquica Terceirense, como organizadora do dito festejo, quer esclarecer a sua postura através dos seguintes pontos:
1- O Grupo de Forcados Amadores do Ramo Grande decidiu não participar na corrida para que estava contratado por volta do meio-dia do mesmo dia 21, por não estar de acordo com a ordem de lide de dois dos toiros do concurso de ganaderias, em concreto o da divisa espanhola de Jandilla, destinado ao segundo lugar e com 560 quilos de peso, com o qual o grupo devia executar a primeira das suas pegas e o da ganaderia portuguesa Vinhas, destinado ao terceiro lugar, com 465 quilos, cabendo ao GFATTT. Esta recusa, a poucas horas do início do festejo, não deixa de ser surpreendente, tendo em conta que, desde há cerca de três meses, quando a feira foi apresentada na sua presença, o Grupo de Forcados Amadores do Ramo Grande tinha conhecimento de qual seria a ordem exacta de saída dos seis toiros da corrida;
2- Não havendo nenhum critério regulamentar que constitua norma absoluta, para estabelecer a dita ordem de lide, a organização da TTT decidiu recorrer ao critério utilizado normalmente para estes casos nas corridas concurso de ganaderias integrando toiros de ferros não inscritos na Associação Portuguesa de Criadores de Toiros de Lide (APCTL), em outras praças portuguesas, em especial a de Évora, onde tem lugar o concurso de ganaderias mais prestigiado do país, durante cinco anos também denominado “Concurso Ibérico de Ganaderias”, aquando de participação de divisas espanholas e portuguesas, conforme informação recebida em anexo, bem como em corridas semelhantes realizadas em França e Espanha.
3- Segundo este critério, nestas corridas a ordem de lide dos toiros estabelece-se segundo a data de antiguidade determinada pela apresentação em Madrid de cada ganaderia. Em caso de não ter essa antiguidade reconhecida, o resto das ganaderias participantes, lidam os seus toiros tendo em conta a antiguidade de inscrição na Associação Portuguesa de Criadores de Toiros de Lide (APCTL).
4- Atendendo a estes critérios, a ordem de lide da corrida do passado 21 de Junho em Angra do Heroísmo ficou ordenada da seguinte forma: Miura, Jandilla, Vinhas (as três com antiguidade em Madrid), Rego Botelho, Assunção Coimbra e João Gaspar. Esta ordem de lide foi validada pela entidade competente na Região Autónoma dos Açores, a Inspecção Regional das Actividades Culturais dos Açores (IRACA) e seguida tanto pelo Director da Corrida, como pelos próprios ganaderos, assim como pelo Director de Lide, Luís Rouxinol, e os restantes cavaleiros, que foram Vitor Ribeiro, Gilberto Filipe, Tiago Pamplona, Rui Lopes e João Pamplona.
5- Há que considerar que, ainda que a antiguidade em Portugal da ganaderia Vinhas (1950) seja anterior à da espanhola Jandilla (1951), assim não acontece com respeito à apresentação em Madrid de ambas, pois Jandilla adquiriu-a em 1951 e Vinhas em 1972. Questionado sobre este assunto, o representante da ganaderia portuguesa, Sr. Mário Vinhas, expressou (como consta em documento anexo), a sua aceitação da “ordem de saída dos toiros definida pelo Director da corrida, conforme estava anunciado no cartel e reconhecendo o critério de antiguidade do debute em Madrid”. Além disso, o Sr. Vinhas esclareceu que não tinha nenhum problema em que “nenhum dos seus toiros fosse lidado por qualquer toureiro ou cavaleiro tauromáquico”.
6- Além de todas estas considerações, é muito importante assinalar que em nenhum documento legal ou regulamentar se reconhece aos grupos de forcados o direito a determinar ou alterar a ordem de lide dos toiros da corrida. Este aspecto foi também sublinhado num comunicado (também anexo) remetido pela Associação Nacional de Grupos de Forcados. Desta forma, nesta corrida do dia 21 de Junho, na qual alternavam com os Amadores da Tertúlia Tauromáquica Terceirense, aos forcados do Ramo Grande correspondia, por menor antiguidade, pegar os toiros destinados aos segundo, quarto e sexto lugares, fosse qual fosse o seu ferro.
Portanto, e em consonância com todas estas considerações, a organização da Feira de São João considera-se isenta de toda a culpa ou responsabilidade sobre a decisão unilateral adoptada pelo Grupo de Forcados Amadores do Ramo Grande contratados para este festejo.

Artigos de Opinião

O blog Terceira Taurina apareceu em Janeiro de 2006, com o intuito de dar a conhecer a Festa Brava na Ilha Mais Taurina do Mundo de forma livre e independente. Esta atitude editorial tem trazido alguns dissabores, que felizmente são colmatados com o apoio dos que se revêem neste blog. 
As portas do TT estiveram e estão sempre abertas à opinião dos outros, pois vivemos em democracia  e todos temos o direito à opinião, mesmo que esta seja divergente. Por isso o TT pública qualquer tipo de opinião, seja em comunicado ou artigo assinado, sendo toda a responsabilidade de quem assina os referidos escritos. Portanto estejam a vontade em escrever para o TT pois este blog nunca censurou ninguém e não será agora que o fará.

Duarte Bettencourt

Novilhada à Espanhola

Uma novilhada com matadores de toiros e com cortesias dignas de uma primeira praça espanhola, para mim e para muitos felizmente, não passou de uma encenação barata, demonstrativa da intenção da organização em mostrar aos outros aquilo que não é nosso e ainda por cima com o intuito de com isso captar turistas. E por falar em turismo... Quando se viaja a outro destino que não o nosso, procura-se saber algo mais do lugar que visitamos, a sua história, a sua cultura. Nós, terceirenses, somos possuidores de uma cultura inigualável e é esta cultura, que é tão nossa, que o turista que nos visita quer encontrar. Não acredito que um turista francês ou espanhol se desloque à nossa ilha para assistir a um espectáculo como o de ontem, podendo tê-lo com verdade a poucos quilómetros de sua casa. O turista visita-nos para viver a nossa cultura, e onde se baseia a nossa cultura taurina? Nem preciso escrever pois todos os que lêem estas linhas o sabem. O turista quer estar na nossa Festa e entrosar-se com ela, se houver uma tourada de praça, com certeza a irá ver, mas tirem isso das vossas cabeças, não vem nenhum turista à Terceira para ver touradas de praça!

Vamos ao que interessa pois esta conversa dava panos pra mangas.

Foram lidados três novilhos da ganadaria Jandilla, de jogo desigual, destacando-se o bravo “Impagado” lidado por Juan Leal e que saiu em sétimo lugar da ordem. A ganadaria de Rego Botelho lidou 5 novilhos, também de jogo desigual, destacando-se o bravo lidado em quarto lugar por Manuel Dias Gomes, que foi baptizado com o nome “Anónimo”. Os pesos oscilaram entre os 415kg e os 520kg, com uma média final de peso de 463kg.

Ninguém se manifestou, comeram, calaram e ainda se divertiram, para que é que interessa mesmo uma lei? Para nada, digo eu. Impunidade até quando?

Possa, já ia começar outra vez, mais mangas? Não. Vamos à frente.

Juan Leal um toureiro francês que foi acolhido pelos terceirenses como um dos seus, pode-se dizer um grande toureiro e um grande senhor. Saiu em ombros pela porta grande da Praça de Toiros Ilha Terceira, depois de uma lide de entrega desde o primeiro minuto. Recebe o Jandilla à porta dos sustos, para depois de joelhos em terra dar lances com tremendismo, para acabar com chicuelina rematando por revolera. Delírio nas bancadas. De seguida por lopecinas muito bem desenhas, seguidas de afarolado de joelhos e é colhido pelo ventre sem gravidade. Segue-se um quite de Dias Gomes por gaoneras e tafalleras de bom corte. Segundo tércio com uma excelente actuação da dupla de bandarilheiros terceirense, João Pedro Silva e Gonçalo Toste que receberam uma estrondosa ovação após o seu desempenho com as bandarilhas. Leal recebe o “Impagado”, um bravo de Jandilla, de joelhos em terra provando a sua investida, pondo no bolso o público presente, experimenta a direita do oponente com passes de grande profundidade, pena o vento forte que foi uma constante em todo o decorrer desta novilhada. Provou a esquerda com naturais templadíssimos rematados com passes de peito, volta à direita com passes isolados mas templados, inicia a sétima tanda por circulares, outro e mais outro rematados com passe de peito mirando el tendido, com os pés fincados na arena lida o astado à volta do seu corpo e ouve mais uma estrondosa ovação. Remata a lide por bernardinas, simulando recibiendo em sorte contrária. Duas voltas à arena e saída em ombros pela porta grande. Juan no seu primeiro andou esforçado, mas o seu oponente não deixou mostrar o que lhe ia dentro. O novilho nº 46 de Rego Botelho cedo perdeu recorrido, tendo o seu lidador baseado a sua faena em passes isolados.

Manuel Dias Gomes, um dos dois substitutos de Ferrera (mais uma com mangas), em dia de aniversário recebeu o melhor novilho de Rego Botelho, um novilho com muito recorrido e que humilhava de maravilha. Dias Gomes recebe o “Anónimo” com uma afarolada seguida de verónica, prova de seguida a investida do bravo novilho, repete por verónicas e parons rematando por revolera. Na muleta inicia a lide com passes por alto rematando com passe de peito pela esquerda, prova o excelente piton direito do astado. A terceira tanda, pela direita, foi de grande qualidade, com muito temple e mando, com o novilho a humilhar com classe. Pela esquerda perde a muleta, e pasme-se, a música continua. Outra vez dois pesos e duas medidas quanto ao critério do Director de Corrida. Volta à esquerda com passes isolados para no final da lide e já pela direita optar pelas cercanias, pelos circulares e circulares invertidos. Finaliza a sua lide por manoletinas mirando o tendido. No seu segundo e último da longa novilhada, Dias Gomes deixou pouco a contar, com o novilho de Rego Botelho a ficar sem passes logo pelo inicio do terceiro tércio, deixando sem opções o mais jovem matador de toiros português.

Diego Urdiales, toureiro de luta e um trabalhador incansável, não teve um lote à sua altura, mostrando contudo ofício. Oficio este que mostrou na lide do quinto novilho, um manso rabão de Jandilla, sacando passes de mérito, mostrando a todos a sua capacidade lidadora.

Jiménez Fortes veio substituir Antonio Ferrera e passa por esta novilhada, sem pena nem glória, pouco também podia fazer com o lote que lhe coube em sorte, dois mansos de procedência idêntica.

Foi com meia casa que o público terceirense brindou esta novilhada com matadores de toiros, coisa que não acontece em mais lugar nenhum do mundo. Olha se calhar poderá ser um chamariz turístico, quem sabe?


Duarte Bettencourt

junho 29, 2015

Corrida das Crianças

Nas bancadas da  Praça de Toiros Ilha Terceira sentiu-se bom ambiente na manhã de quinta-feira, a quando da realização da Corrida das Crianças, incluída no programa das Sanjoaninas 2015.

Foram lidadas reses da ganadaria de Rego Botelho, para o cavaleiro Manuel Sousa e para o novilheiro João Silva “El Juanito”. As pegas estiveram a cargo do Grupo Juvenil da Tertúlia Tauromáquica Terceirense.

As crianças ocupavam cerca de meia casa, numa manhã de exaltação à Festa, numa tourada que se mantém ao longo anos a criar aficion e futuros aficionados.

Manuel Sousa, jovem cavaleiro filho de emigrantes terceirenses radicados na Califórnia, apresentou-se entre nós na lide de um novilho, com trapio e peso a mais para um espectáculo destes. Montou cavalos da família Pamplona mostrando conhecimentos da arte de marialva. Monta bem e tem noção do conceito de toureio à portuguesa, lidou com acerto e com ferros de mérito o novilho de Rego Botelho, que para além do bom trapio que apresentou, também deu bom jogo.

“El Juanito” apresentou-se entre nós na lide de um eral de muita qualidade da ganadaria de Rego Botelho. Este refugiou-se em tábuas no final da lide, lide esta que foi muito extensa, não se esperando outro resultado. Juanito mostrou qualidades e conhecimento da arte de Montes, lidou com temple e profundidade por ambos os pitons, este bravo de Rego Botelho.

Pegaram os Juvenis da Tertúlia bem e à primeira o novilho de RB, acusando algum nervosismo, próprios de quem tem pela frente um novilho com aquele trapio, note-se para este tipo de espectáculo, mas que não criou problemas aos forcados da TTT. Foi pegada também uma novilha pelos Juvenis, onde tivemos a oportunidade de observar ao desempenho dos mais pequeninos, que com a sua presença ali disseram bem alto que a figura do forcado amador na Ilha Terceira tem o futuro garantido.


Duarte Bettencourt

junho 27, 2015

A FORÇA DA FRAQUEZA por António D´Almeida Bello

António D´Almeida Bello
A FORÇA DA FRAQUEZA

Terceira, Festa de toiros e do Forcado Amador.
Na Terceira reina a paixão pelo toiro e pela cultura taurina, aliás muito própria dessa terra. As suas gentes são aficionadas e apaixonadas.
É o caso da Tertúlia Tauromáquica Terceirense (TTT) e dos seus associados. Fundada na década de 60 do século passado, a TTT é uma das instituições de utilidade pública mais respeitada nos últimos anos, e por via disso, das que mais subsídios públicos recebe do Governo Regional dos Açores e do munícipio de Angra do Heroísmo. Nos últimos anos, mais de meio milhão de euros foi o valor atribuído a esta instituição com o objectivo de desenvolver a cultura taurina, açoriana por sinal, através de congressos e espectáculos taurinos.
Com tanto reconhecimento, público e institucional, impunha-se um trabalho exemplar, imparcial e idóneo dos seus órgãos democraticamente eleitos, em representar a associação em juízo e em todos os actos públicos e particulares.
A actual Direcção da TTT com os dividendos públicos anseia, enganada por sinal, por um registo de dignificação das corridas espanholas em preterição da cultura local, enraizada até ao tutano por estes açorianos terceirenses. É preciso “atingir os patamares de Espanha”, dizem-nos.
Mas vão ainda mais além. Oito mil euros por um valentaço Miura e chutar para canto touros da ilha e mais ainda, um curro completo de uma ganadaria local, já antes comprometida, é no mínimo desprezível. Já em 2009, aquando da data dos 25 anos da inauguração da Praça de Toiros, também um outro José Albino Fernandes, por lapsus, foi o único dos fundadores da TTT que não constou no quadro de azulejos ali colocado.
Como de artistas falamos, no dia  21 de Junho de 2015, perante uma Praça bem constituída por aficionados, a Direcção da Tertúlia Tauromáquica Terceirense leu e distribuiu um comunicado, onde vem dizer, que o “Grupo de Forcados Amadores do Ramo Grande, decidiu hoje recusar-se pegar toiros que lhe cabiam em sorte” e no dia seguinte, um segundo comunicado, onde iluminam o povo, estranhando que este mesmo grupo de forcados  “tivesse aguardado até ao último momento, ou seja, a confirmação da presença do toiro Miura na corrida e à visualização dos toiros que compunham o lote a concurso, para aí tomarem tão drástica e inusitada decisão.”
Perante terceirenses e emigrantes açorianos, ao por em causa a imagem e a honorabilidade de um grupo de forcados da terra, tanto acarinhado pelo povo, é um acto de quem não sabe onde está, para o que vai e de onde vem.
Mas agora também sabemos que os cem mil euros atribuídos pelo munícipio de Angra do Heroísmo não chegam para apoiar as touradas à corda das freguesias do concelho nem os direitos de imagem das corridas de praça. E ainda entendem que, censura deve fazer parte das Corridas de São João.
No dia 23 de Junho de 2015, em horário nobre e numa entrevista para o Telejornal da RTP Açores, Arlindo Teles, presidente da Direcção da Tertúlia Tauromáquica Terceirense referindo-se ao comentador taurino Duarte Bettencourt diz que, “Naturalmente que tivemos que advertir o meio de comunicação que tinha essa pessoa a comentar, que por razões óbvias, como o grupo (Grupo de Forcados Amadores da Tertúlia Tauromáquica Terceirense) dizia que não actuaria, que esse comentador não podia estar presente no trabalho. Nunca dissemos que tinha que se fazer a transmissão por exemplo sem comentador, dissemos foi que aquele em concreto não poderia fazer comentário, não impussémos nenhum comentador em concreto, aquele é que não podia estar porque o grupo assim o impôs e tem esse direito como entidade detentora dos direitos de imagem.”
E por fim, mas não no fim, o mesmo artista - não desta mas de outras praças, utilizando o seu correio electrónico pessoal remeteu no dia 21 de Junho de 2015 para Adam Rocha, do site Califórnia Taurina - que mais não é do que um sítio visualizado por milhares de emigrantes açorianos - e com o conhecimento de José Gabriel Meneses e José Lima, Presidente e Vice-Presidente da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo, e do próprio Adalberto Belerique, Cabo do GFATTT, uma mensagem onde, outras também dizia: “Lembramos que o GFATTT não permite o uso de imagens suas comentadas pelo Sr. Duarte Bettencourt, conforme se pode verificar pelo mail reencaminhado abaixo”.
Um presidente da Direcção da TTT a expor a nú uma posição do grupo de forcados da TTT? Algo inédito em terras terceirenses, espanholas e mexicanas.
Seria correcto e admissível censurar o director de corrida, Carlos João Lourenço Ávila, secretário da Assembleia Geral da TTT? Ou José Paulo Rodrigues Pacheco de Lima, médico veterinário, da Direcção da TTT?
Considerando que, o respeito deve existir tanto nas acções como nas palavras, dentro e fora da praça, de todos os intervenientes, em especial os que têm a responsabilidade de aproximar grupos e não os dividir, aproximar aficionados e não os ludibriar, importa convidar a emigrar para o Reino de Espanha todos os que dos Açores e da Tauromaquia querem instituir um Reino.

junho 25, 2015

São João, São João dá cá um balão...

Dia de São João na cidade de Angra do Heroísmo é vivido e sentido por todos de um modo muito especial. A tauromaquia faz parte deste viver e sentir o São João, e é com grande expectativa que os terceirenses acodem à Praça de Toiros Ilha Terceira para assistirem à corrida neste dia festivo.
Mas como se diz na gíria a "montanha pariu um rato", foi assim que eu me senti após entrada na praça de toiros e ter observado o boletim onde se anunciava a ordem e o peso dos toiros.
A indignação é geral, pois com a polémica ausência da ganadaria da Casa Agrícola José Albino Fernandes, ganadaria de renome considerada o "Benfica" das ganadarias terceirenses, esperava-se ver sair toiros com tamanho, peso, e trapio e não foi o que aconteceu hoje. À excepção do trapio os toiros de Assunção Coimbra eram pequenos e os seus pesos oscilaram entre os 400kg e os 425kg e também esperava encontrar uma corrida com três toiros da ganadaria de Rego Botelho e outros tantos de Assunção Coimbra, o que não aconteceu.
Mas deixemos os pesos de uma balança, que umas vezes, um toiro pesa 380kg se for de uma ganadaria e pesa 400kg se tiver um ferro de outra.

Depois das cortesias vêm a corrida e nela actuaram os cavaleiros Luís Rouxinol, Vitor Ribeiro e Gilberto Filipe, as pegas estas foram executadas pelos Amadores da Tertúlia Tauromáquica Terceirense e pelos Amadores do Aposento da Moita.

Luís Rouxinol recebeu vestido de bordeaux e ouro o toiro número 8 da ganadaria de Rego Botelho, que saiu bravo. No primeiro tércio Rouxinol crava dois excelentes ferros à tira, cravados  de alto a baixo e em su sitio. No segundo tércio lidou com maestria, cuidando da brega, cravando ferros de valor. Finalizou a lide dando vantagens ao oponente cravando mais um bom ferro. No seu segundo, um manso de Assunção Coimbra com o número 95, que melhorou de comportamento com o desenrolar da lide, Rouxinol pisou os terrenos do toiro, forçando-o a investir, cravando ferros de boa nota. Cravou quanto a mim o ferro da Feira, o quinto do segundo tércio, um de palmo, deixando o toiro partir arredondando-se num palmo de terreno, cravando um ferro de antologia.

Vítor Ribeiro recebe o toiro 108 de Assunção Coimbra, um manso que elegeu os médios como terreno de conforto, com dois ferros compridos, destacando-se o último. Na segunda parte da lide Ribeiro pisou terrenos de compromisso deixando ferros de boa nota aproveitando ao máximo a pouca mangada que o Coimbra tinha no momento do ferro. O seu segundo, outro Coimbra este com o número 81 e que teve melhor comportamento que os seus irmãos de camada, Vítor cravou três compridos, com destaque para o rematar das sortes, como ditam as regras. Nos curtos Ribeiro cravou ferros com emoção mas de colocação traseira que tiraram algum brilho às sortes.

Gilberto Filipe lidou o 100 de Assunção cravando dois compridos de boa nota, o cavaleiro continental esteve bem a mexer com o toiro, rematando bem as sortes. Nos curtos o comportamento tardo do oponente no momento do ferro, fez com que o cavaleiro entrasse pelos terrenos do toiro e crava-se ferros de boa nota, com destaque para os dois últimos. Lidou o ultimo toiro da corrida outro Coimbra com o ferro número 80, executando duas tiras de excelente nota. No segundo tércio da lide executada as este bravo, Gilberto crava dois bons ferros, finalizando a sua lide com um ferro a pedido, também de boa nota, saindo sob a ovação do público presente.

Pelos Amadores da Tertúlia pegaram João Silva, à primeira, João Sousa, à terceira e Carlos Vieira à primeira tentativa.

Pelos do Aposento da Moita foram caras José Maria Bettencourt, à primeira, Leonardo Mathias à terceira e Martim Oliveira à primeira na pega da tarde.


Duarte Bettencourt

junho 23, 2015

COMUNICADO - In Diário Insular de 23 de Junho - GFARG

COMUNICADO



O Grupo de Forcados Amadores do Ramo Grande vem, por este meio, esclarecer os terceirenses do seguinte:
- O Grupo de Forcados de Amadores do Ramo Grande não pegou no Concurso de Ganadarias da Feira de São João 2015 que se realizou no passado dia 21 de Junho de 2015 por não ser cumprido, com a conivência do senhor director de corrida, o disposto no n º 6 do artigo 43º do Decreto Legislativo Regional nº 11/2010/A que regulamenta os espectáculos tauromáquicos na Região Autónoma dos Açores;
- De acordo com essa regra legal, que desde há muito vigora, nos espectáculos tauromáquicos de concurso de ganadarias as reses a lidar devem sair por ordem de antiguidade das respectivas ganadarias e a direcção da corrida decidiu, contra e arbitrariamente, que as reses a lidar na corrida de hoje sairiam por ordem diversa.
- A ordem correcta, segundo informação fidedigna da Associação Portuguesa de Criadores de Toiros de Lide teria de ser;
a) Ganadaria Miura - 30/04/1849;
b) Ganadaria Vinhas - 17/9/1950;
c) Ganadaria Jandilla - 03/09/1951;
d) Ganadaria Rego Botelho - 21/6/1964;
e) Ganadaria Assunção Coimbra - 27/7/1988;
f) Ganadaria João Gaspar - 26/6/2013;
- Quando nos apercebemos da irregularidade, pelas 12h00 do dia do espectáculo, chamámos a atenção ao senhor director de corrida para que no âmbito das suas competências fizesse cumprir a lei e para que fossem feitas as devidas correcções;  
- No entanto, este e a entidade promotora da corrida foram intransigentes no não cumprimento da lei regional e insistiram em manter a ordem dos toiros, numa atitude de quero, posso e mando que lamentamos;
- Apesar disso, o Cabo do Grupo de Forcados várias vezes se disponibilizou para encontrar uma solução com o acordo de todos os intervenientes, desde que as regras e a lei fossem cumpridas por todos;
- A organização insistiu em ordenar à sua vontade, mesmo com a consciência de estar a cometer uma ilegalidade;
- Lamentamos tudo isto mas não podemos compactuar com esta postura da organização;
- Não confundimos a organização da Feira de São João com o Município de Angra do Heroísmo entidade que certamente está alheia a estes procedimentos ilegais ou com os aficionados angrenses que muito estimamos, nem com o Grupo de Forcados Amadores da Tertúlia Tauromáquica Terceirense cuja história e percurso muito respeitamos e admiramos;
- Pegamos sempre os toiros que nos saem em sorte. Sempre assim foi. Nunca algum toiro ficou por pegar, independentemente da sua idade, peso ou tamanho. Não é isso que está em causa nesta questão;
- A decisão que tomámos foi muito difícil. Decidimos, em nome da dignidade e da verdade ficar de fora da Corrida onde qualquer forcado deste país quer pegar;
- Mas fizemo-lo em nome de princípios dos quais não abdicamos e tudo faremos para que comportamentos deste tipo sejam banidos definitivamente da Festa Brava;






Comunicado da Direcção da TTT

COMUNICADO

Face à desinformação que circula neste momento nas redes sociais quanto ao episódio de recusa, por parte do Grupo de Forcados Amadores do Ramo Grande, em pegar os toiros que lhes cabiam na corrida do passado dia 21 de Junho, torna-se imperioso, por parte da Tertúlia Tauromáquica Terceirense, proceder aos seguintes esclarecimentos:
1- A corrida, concurso de ganaderias, era composta por seis ferros de procedências distintas, duas espanholas, 2 de Portugal continental e 2 açorianas;
2- Para efeitos de antiguidade, a inscrição na “Unión de Criadores de Toros de Lidia” (associação de ganaderos espanhóis) conta o ano de debute da ganaderia em Madrid, enquanto em Portugal, para o mesmo efeito, conta o ano em que a ganaderia tenha corrido um toiro com o seu ferro em qualquer praça;
3- Havendo ganaderias que estavam inscritas quer na associação Portuguesa de Criadores de Toiros de Lide, quer na “Unión de Criadores de Toros de Lidia”, havia que ter um critério para atribuir a antiguidade e assim determinar a ordem de lide;
4- Desde o início da assunção da organização da Feira de São João por parte da TTT, o critério adoptado tem sido o internacionalmente aceite por todos os países taurinos, incluindo Portugal, no qual prevalece a data do debute em Madrid e só depois se aplicam os critérios definidos por cada associação nacional;
5- Assim sendo, Miura era a ganaderia mais antiga, com o debute em Madrid a ocorrer em 1849, seguida de Jandilla em 1951 e Vinhas em 1972. Ora o GFARG pretendia a alteração da ordem de lide baseado no facto de a inscrição da ganaderia Vinhas na Associação Portuguesa de Criadores de Toiros de Lide ser de 1950, uma ano antes do debute de Jandilla em Madrid e 20 anos antes do debute da mesma ganaderia Vinhas nessa praça, esquecendo o critério previamente definido e aprovado pela Inspeção Regional de Actividades Culturais – IRACA, autoridade competente nesta matéria, anunciado na apresentação do cartel e nunca contestado (lembramos que já o ano passado, com ganaderias espanholas em presença, havia sido esse o critério e novamente, sem qualquer contestação);
6- Cabe à organização e não ao GFARG, definir os critérios pela qual pretende reger os espectáculos que organiza e transmiti-los atempadamente aos intervenientes, que neste caso, não manifestaram qualquer discordância. De resto, o Regulamento Geral dos Espectáculos Tauromáquicos de Natureza Artística da Região Autónoma dos Açores define que o Delegado Técnico Tauromáquico, Director de Corrida, agindo em conformidade com o Art. 21.º d), decide em caso de dúvida ou divergência, cabendo-lhe a última palavra, portanto; 
7- A ordem de lide nos concursos de ganaderias organizados pela TTT tem sido sempre por antiguidade (baseado na recomendação do Regulamento Regional de Tauromaquia e nos critérios supra definidos) e, nas restantes corridas, por sorteio efectuado pelos artistas intervenientes. A nenhum grupo de forcados cabe determinar a ordem de lide de uma corrida, sujeitando-se sempre ao sorteio ou à antiguidade das ganaderias em presença;
8- A haver alguma voz discordante à ordem de lide, teriam de ser os ganaderos e/ou os cavaleiros, que aceitaram como normal e coerente o critério apresentado;
9- Estranhamos assim o silêncio do GFARG durante o tempo que mediou o anúncio do cartel (há 3 meses atrás) e a confirmação da ordem de lide no dia da corrida;
10- Mais se estranha que tivessem aguardado até ao último momento, ou seja, à confirmação da presença do toiro Miura na corrida e à visualização dos toiros que compunham o lote a concurso, para aí tomarem tão drástica e inusitada decisão, comprometendo a organização e os colegas alternantes e demonstrando total desrespeito pelo público;
Os valores que definem os forcados e que constam do comunicado posto a circular ontem pelo GFARG devem ser, em nosso entender demonstrados na arena e não no papel.

A Direcção da TTT

junho 22, 2015

Corrida Concurso de Ganadarias - Feira de São João 2015 - Actualizado

Triunfo de Gilberto Filipe na lide do melhor toiro da tarde, o Tabaquero  da ganadaria  Vinhas, com o número 37 que pesou 465 quilos. Melhor pega para José Vicente em dia de despedida e a melhor apresentação foi para o toiro Bamero de Assunção Coimbra.

Depois de anunciados os vencedores fica a pergunta: Quem eram os jurados deste concurso de ganadarias?
Não sei, não fomos informados.

Passemos à analise da corrida.

Luís Rouxinol de regresso à nossa ilha, acusa a meu ver o desgaste de quem vem à nossa terra de forma ininterrupta nos últimos anos, recebeu o "terrorífico" Miura, que de terrorífico não tinha nada, cravando no astado dois bons ferros de alto a baixo, com o toiro a reagir mal ao castigo, muda de montada e opta pela batida ao piton contrário para a cilhas passadas deixar o primeiro ferro curto. O comportamento do toiro piora com o desenrolar da lide, ficando cada vês mais em curto, Rouxinol entra pelo toiro dentro para deixar um bom ferro. O toiro dificulta a colocação da ferragem pondo a cara alta no momento da reunião. No final crava um soberbo ferro de palmo pondo toda a carne no assador. "Mangueira", habitualmente usado com segunda ajuda, sente dificuldade ao recuar na cara do toiro, fazendo-o ensarilhar, fechando-se com garra à segunda, corrigindo o erro anterior.

Vítor Ribeiro regressa à nossa praça como o triunfador da Feira do ano transacto, lida o Jandilla mas deveria ter lidado o Vinhas. Dada a uma incompatibilidade com o seu criador, a organização opta por ludibriar todos os presentes alterando a antiguidade desta ganadaria, que é portuguesa e em Portugal conta a antiguidade portuguesa e não a espanhola.
Já à alguns séculos que os espanhóis saíram da Terceira, será que ficaram por aí alguns descendentes?
Para vossa informação a antiguidade da ganadaria Vinhas data de 17 de Setembro de 1950 e a de Jandilla data de 3 de Maio de 1951. Esta foi quanto a mim a principal razão pela qual o Grupo de Forcados Amadores do Ramo Grande não aceitou pegar a corrida, não pactuando com esta situação. O cabo Filipe Pires honrando a jaqueta do seu grupo, teve a coragem e a dignidade de demonstrar à aficion terceirense e não só, que a lei parece que é para ser usada só para alguns.
Mas o Vítor Ribeiro lidou o Jandilla e nele cravou dois ferros compridos, o primeiro à tira e algo descaído, perdendo no segundo o centro da sorte. Troca de montada para deixar o primeiro curto à garupa e descaído, seguindo-se um cravado de "raiva" de boa nota, a partir daqui o toiro começa-se a parar no momento da reunião dificultando a labuta ao seu lidador. Finaliza a sua lide com um excelente ferro em todo o alto. Para a pega deste Jandilla saltou pela última vez as tábuas o valente forcado da Tertúlia Tauromáquica Terceirense José Vicente, uma grande pega para um grande forcado em dia de despedida, destaque para a boa ajuda de Bruno Furtado que saiu da arena meio combalido.

Gilberto Filipe, nome menos sonante entre nós, veio à Terceira com a garra que o caracteriza, dizer bem alto que merece aquela oportunidade. Lidou o Vinhas, o melhor toiro da corrida, mas não começou da maneira mais auspiciosa, deixando dois ferros compridos sem história. Depois de mudar de montada a história foi bem diferente, uma boa brega, seguida de viagens rectas, deixando ao estribo ferros de excelente nota, lidou e bregou mostrando ser um bom calção. No final, já com outra montada, deixa um ferro curto desajustado abrindo ligeiramente o quarteio. Foi uma surpresa para alguns mas para mim não, já cá tinha estado e sempre denotou um grande sentido de lide e o grande cavaleiro que é, oxalá surgem mais oportunidades. O jovem Carlos Vieira, desculpem não saber o seu segundo nome, fechou-se ao primeiro intento sem dificuldades de maior.

Segunda parte da corrida. Uma ilha de toiros que apresenta apenas dois no seu concurso maior. Que pena ver até onde isto chegou.

Tiago Pamplona após duas passagens em falso, deixa ficar os dois ferros da ordem, nota para a brega desenvolvida ao toiro de Rego Botelho. Muda de montada e  recebe a investida do oponente na garupa do seu cavalo, crava de alto a baixo deixando ambiente, o toiro dá uns arreões de manso investindo com violência, mostrando ao que vem, mas Tiago dá-lhe a lide possível. Destaque para o segundo ferro curto e para o de palmo com que finaliza a sua única lide nesta feira que é nossa e que deveria ser sua também. Para a pega deste Rego Botelho, que se antevia vir a dar trabalho ao grupo da Tertúlia, salta à arena Luís Cunha, para ficar à terceira quarta tentativa com a ajuda de dezoito elementos do seu grupo. Não se entende o porquê da sua volta à arena, humildade é o que se pede.

Rui Lopes lidou o toiro mais bonito deste concurso de ganadarias, tratou-se do Coimbra, de muito bom tipo, o cavaleiro da Ribeirinha deixa três ferro compridos com destaque para o último. Ao primeiro ferro curto o toiro mostra a sua crença nos tercios, obrigando o cavaleiro a colocar os ferros pelo corredor de dentro. Com uma só oportunidade nesta Feira, ou se apanhava um bom toiro ou poderia acontecer o que aconteceu ao Rui. João Pedro Ávila pegou este Coimbra ao segundo intento depois de no primeiro ter aguentado barbaridades sem ajuda dos seus companheiros.

João Pamplona teve pela frente o segundo melhor toiro da corrida, pena tenha sido lidado diminuído. O toiro de João Gaspar apresentou durante a lide uma claudicação da mão direita dificultando com isso a sua lide. Mas o jovem terceirense, que teve para ficar de fora desta sua/nossa feira, deu uma lição de bem saber lidar, esteve em toureiro e teve quanto a mim a lide mais bem conseguida desta corrida, sabendo explorar o melhor deste Gaspar. Veio com ganas de triunfo esperando à porta dos sustos o seu oponente, deixou três ferros compridos de eleição. Crava, depois de mudar de montada, quatro ferros curtos soberbos para finalizar a lide com um quinto a pedido, de igual nota. Pena os jurados, aqueles que ninguém sabe quem são, não terem tido a mesma opinião que a minha. Pegou este toiro João Silva, ao primeiro intento e sem problemas de maior, adiantando contudo ligeiramente as mão aquando da reunião.

Fica aqui a primeira crónica da Feira se São João deste ano sem o lápis azul da censura.

Até à próxima.

Duarte Bettencourt

Nota correctiva: Por ter sido censurado pela organização da Feira, a Direcção da T.T.T e pelo Grupo de Forcados da T.T.T., na pessoa do seu Cabo, torna-se para mim muito mais difícil obter os nomes dos forcados intervenientes nas pegas, por isso não obtive a informação do último nome do forcado Carlos Vieira, a ele as minhas desculpas. Quanto ao erro do número de tentativas realizadas ao quarto toiro de Rego Botelho, foi mesmo erro meu ao tirar o apontamento da referida pega, as minhas desculpas também ao visado Luís Cunha.

Duarte Bettencourt