julho 04, 2015

ALICE NO PAÍS DOS MANTEQUILLAS - Artigo de Opinião de António D´Almeida Bello


Alice era uma menina que preguiçosamente vivia com a sua irmã até ao dia em que caiu numa toca de coelho que a transportou para um lugar fantástico, sempre numa lógica do absurda característica dos sonhos.
O que Alice não sabia é que, para além do País das Maravilhas, existe um outro, muito circular e fechado, mas também com um humor perturbado e sem sentido, povoado por alguns clones carinhosamente chamados Mantequillas.
Os Mantequillas já são uma marca patenteada, protegidos por uma redoma de vidro flácido que se criou no seu mundo virtual e que transforma qualquer paquiderme num formador de opinião.
Opinar, julgar, maltratar, censurar, desaprovar, estranhar, reprochar, vituperar, estropiar, são algumas das características festivas que exercem sobre todos aqueles que repugnam o sentido patriótico da monarquia tauromáquica.
Estes bombardeiros de barbaridades que reflectem preconceitos cobertos com véu tendem a reproduzir-se se nada vier a ser feito em contrário.
Recentemente e pelas mãos dos Mantequillas de tudo um pouco aconteceu, contra a vontade dos aficionados não fanáticos, das pessoas não politizadas, e dos autarcas e governantes sem medo da teoria do absolutismo.
No País dos Mantequillas,  a escolha das ganadarias é regida sobretudo pela racionalidade, onde se exclui todas as que durante os últimos cinco anos se prepararam para 2015. Entenderam e mal, muito mal, que haviam de repugnar o touro bravo da Ilha e Região e os ganadeiros que das praças e da corda lá vão vivendo.
Para surpresa de Alice, os comentadores tauromáquicos locais e os nossos emigrantes também são adubados de tais conceitos imorais, sendo publicamente maltratados e isolados no barulho ensurdecedor que se transformou o directo da praça.
E quando um grupo de forcados da ilha deu conhecimento em tempo oportuno da ilegalidade que a entidade promotora e delegados tauromáquicos estavam a cometer, os Mantequillas vieram a público dizer que a valentia desses forcados é pura ilusão e que o exemplo máximo eram os outros que, num jeito de sincera solidariedade, como de boa ovelha adestrada se tratasse, vieram dobrar os companheiros da forcadagem e ainda com direito a prémio de melhor pega.
Alice não queria acreditar no que ia assistindo e mais surpresa ficou quando na televisão assombrou Mantequilla de braços cruzados e com ar frouxo e vegetativo, abanando a cabeça em jeito de concordância com todos os actos de censura que o Mantequilla – mor ia deletrando.
E a cabeça lá continua abanando - como quem oferece amendoins a um macaquinho, agora na praça e nos cafés, bancos ou expulso por ele(s), na rua ou na lua, defendendo intransigentemente todos os actos reprováveis de um concurso questionado e refutado veementemente por tantas e tantas outras pessoas.
Alice aprendeu que nessa terra os Mantequillas têm medo de um debate aberto, porque partem de uma opinião fechada, concluída e privada. Engodam uns tantos com bilhetes, marisco e festas privadas, que toda a opinião acaba por ser uma contra opinião.
Escusado será dizer que Mantequilla, elemento de Direcção de uma afamada Tertúlia, é o mesmo que está em estágio para futuro Director de Corrida. Não sabemos agora que sonho fará parte da história de Alice: se nos Açores continuará esta promiscuidade hermafrodita ou se pelo contrário, a praça para este delegado será uma outra bem diferente dos seus anseios e inquietudes.

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