julho 20, 2015

Noite de João Pamplona e dos forcados da Tertúlia.


O público preencheu cerca de 1/4 de casa da Monumental Praça de Toiros Ilha Terceira, para receber um "Espectáculo Misto" organizado pela Tertúlia Tauromáquica Terceirense e pelo Grupo de Forcados Amadores da Tertúlia Tauromáquica Terceirense, duas entidades autónomas que se juntaram para a realização deste espectáculo.
Mais uma vez e para que pudessem ser lidados novilhos, e não será a última vez esta temporada, anunciou-se em letras pequenas que ao abrigo do regulamento tauromáquico açoriano este espectáculo tinha a designação de Novilhada. Não deixa de ser curioso que uma das entidades organizadoras deste espectáculo defendia a verdade e seriedade da festa brava açoriana, com a implementação da idade mínima de 4 anos para os toiros a serem lidados nas corridas em solo açoriano. Queriam seriedade e agora brincam com ela? Esta foi uma das causas da pouca afluência de público às bancadas da Praça de Toiros Ilha Terceira, entre outras com certeza.

Em praça estiveram os cavaleiros de alternativa Tomás Pinto e João Pamplona, o matador de toiros Cesar Jimenez e os forcados organizadores da Tertúlia Tauromáquica Terceirense. Lidaram-se toiros e novilhos de Mario Vinhas e Herdeiros de Manuel Vinhas, Rego Botelho, Casa Agrícola José Albino Fernandes, Vegahermosa e João Gaspar. Abrilhantou a corrida a Sociedade Filarmónica Rainha Santa Isabel das Doze Ribeiras dirigida pelo maestro Durval Festa e dirigiu o espectáculo o Director de Corrida Carlos João Ávila coadjuvado pelo médico veterinário Vielmino Ventura.

O grande triunfador da noite foi sem sombra de dúvida o cavaleiro terceirense João Pamplona. Esteve a um grande nível este toureiro do Posto Santo, bregou, lidou, cravou e arrematou as sortes, com classe e mestria. Lidou pela frente um novilho de Rego Botelho, com trapio e bom comportamento, cravou com mestria os dois compridos da ordem com destaque para o excelente segundo onde foram muito bem marcados todos os tempos da sorte. No segundo tércio destaque para o primeiro ferro de frente e ao estribo e para o que finalizou esta sua primeira intervenção. Se neste novilho este a um excelente nível, João ainda elevou mais a fasquia do seu bom toureio, lidou por último o bravo cinqueño de Vinhas, esperou-o à porta gaiola, para lhe cravar três ferros de eleição, muda de montada, esta em dia de estreia, para desenhar sortes de frente e ao estribo, com remates soberbos, pena que o 4 ferro não tenha ficado, pois teria sido um hino ao toureio frontal, sitou em passage cadenciada de frente, carregou a sorte, quarteou-se na cara do toiro e... Pena o toiro ter perdido as mãos no momento da cravagem. João Pamplona esteve em plano de figura, rubricando a melhor lide da temporada açoriana, até ao momento.

Os forcados da Tertúlia, capitaneados por Adalberto Belerique, tiveram esta noite a dupla responsabilidade de organizar o espectáculo e pegar os quatro astados que lhes couberam em sorte. Se na primeira as coisas não correram pelo melhor no que concerne à entrada de público, já na segunda estiveram à altura dos seus pergaminhos, com a execução ao primeiro intento das quatro pegas que foram realizadas por Luís Cunha, numa grande pega num misto de valentia e boa técnica, Tomás Ortins, na pega da noite a aguentar um violento derrote, Pedro Correia, em dia de despedida a realizar um boa pega e Carlos Vieira, a fechar-se muito bem na cara do oponente. Destaque para os restantes ajudas que esta noite estiveram em plano superior.

Pedro Correia mais conhecido por "Pedrão" decidiu abandonar a difícil arte de pegar toiros, foi um forcado valente, excelente ajuda, daqueles que estão lá quando é preciso e não dão muito nas vistas, sendo a consumação das pegas obra dos oito que estão lá dentro. Mais um valente que deixa a jaqueta dos da Tertúlia.

O matador Cesar Jimenez teve a dignidade de se apresentar na nossa praça sem a sua quadrilha, numa clara atitude de apoiar a organização deste espectáculo na redução das despesas. Saíram às ordens do matador madrileno os terceirense Jorge Silva, João Pedro Silva e Diogo Coelho. Jimenez lidou um quatreño da C.A.J. Albino Fernandes de 450 quilos de peso, que não humilhando dificultou o labor do seu "matador", provou a investida com capote, para se seguir um desastroso segundo tércio, lidou por ambos os pitons sacando passes ao albino com a muleta alta, destacando-se a quinta tanda executada pela mão direita. Cesar lidou o segundo do seu lote, pertencente à ganadaria de Rego Botelho, com temple e profundidade aproveitando as boas características deste, que humilhava de maravilha, destaque para a segunda tanda pela direita e para a quarta pela esquerda, a partir daí o toiro deu sinal que iria rachar e foi isto mesmo que aconteceu na tanda seguinte. Pena este toiro não aguentar uma lide inteira. Faltou-lhe fundo.

Tomás Pinto passa sem pena nem glória pela arena da Praça de Toiros Ilha Terceira, andou precipitado na brega e na cravagem dos ferros, lidou sem história um bravo de Vegahermosa. O seu segundo, um manso de João Gaspar mas que não complicou, andou um pouco melhor com destaque para os últimos três ferros curtos, estes com o valor que sabemos que Tomás Pinto tem, mas que infelizmente não pôs em pratica em frente da aficion terceirense.

Nota outra vez negativa para o critério de atribuição de música dada pelo director de serviço.


Duarte Bettencourt

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