junho 25, 2016

" Grandioso Espetáculo"


A Praça de Toiros Ilha Terceira, abriu hoje as suas portas para receber a primeira corrida da Feira de São João deste ano sob o título de "Grandioso Espetáculo", nome encontrado pela organização desta Feira para contornar a legislação em vigor, que obriga à lide de toiros de quatro anos, lei esta que foi levada avante por iniciativa da instituição que hoje organiza a Feira de São João, curiosidades. Ao menos este ano foi anunciado no início do espetáculo que no mesmo se iriam lidar novilhos e o paseillo foi à "portuguesa", ou seja sem os figurantes picadores do ano passado. Melhorias são sempre bem vindas.

O cartel da corrida, vou chamar-lhe assim, era constituído pelos matadores Daniel Luque, Juan Leal e José Garrido na lide de novilhos bem apresentados da ganadaria terceirense de Rego Botelho.

Corrida bem dirigida por Carlos João Ávila, e bem assessorada pelo médico veterinário Vielmino Ventura. Nos acordes musicais, e bons que eram, a Associação Cultural do Porto Judeu.

Três quartos de casa no dia mais tradicional da tauromaquia açoriana.

Os novilhos como já referi anteriormente bem apresentados, quer ao nível de peso quer ao nível de trapio, uns com mais cara que outros, mas elogia-se no geral o cuidado posto na apresentação deste curro. Infelizmente algumas peripécias aconteceram neste dia, como a morte após embate violento num burladero do terceiro da ordem e o rachar de unhas do quarto, quinto e sexto da tarde. No geral os novilhos humilharam de maravilha, à exceção do quinto mais montado em cima investindo a meia altura, nota para as várias volta de campana que foram muito prejudiciais ao desempenho dos astados. Destaco o primeiro, terceiro e quarto da ordem, o primeiro com um excelente trapio e extraordinário galope, o terceiro pelo recorrido que apresentou e boas investidas, pena a sua falta de força que o levou a perder as mãos por várias vezes e o quarto que mesmo debilitado continuou a investir, mais em curto pela lesão, mas com qualidade . Nota-se um melhoramento significativo no desempenho dos novilhos da ganadaria de Rego Botelho, já fazia falta. Olé!

Juan Leal provou porque foi novamente escolhido pela organização para compor o cartel da corrida apeada. O francês esteve bem na lide do seu primeiro novilho, recebeu-o por tafalleras mescladas por verónicas, é violentamente colhido sem consequências, remata a série com revolera, seguiu-se um quite muito ovacionado por Zapopinas mais conhecidas por Lopecinas. O segundo tércio foi marcado pela alternativa de Gonçalo Toste, mais um bandarilheiro terceirense, cedida pelo também terceirense João Pedro Silva. Leal recebe o RB com um passe cambiado pelas costas, seguido de circular invertido ou em redondo rematado com passe de peito, inicia pela direita com o novilho a humilhar de maravilha com passes ligados de temple e mando com a muleta a meia altura, prova a esquerda do oponente dando este sinal de rachar, apercebendo-se da condição do novilho opta por tourear em redondo não retirando a muleta da cara deste, peca por prolongar a faena. Colhido ao simular deu volta sob grande ovação, de pé. O triunfador da tarde mais uma vez. O seu segundo não houve grande história para contar, pois foi recolhido no inicio do terceiro tércio, destacando-se os dois magníficos pares de bandarilhas por João Pedro Silva, que foi obrigado a desmonterar-se para receber enorme ovação.

Daniel Luque foi ovacionado no final da primeira lide a um novilho que começou bem com um extraordinário galope e humilhar bem mas que foi ao longo da lide ficando cada vez mais em curto, obrigando o matador a toureá-lo por passes isolados explorando o seu melhor piton, o esquerdo. Destaque para o grande par de bandarilhas de Jorge Silva. Mas foi a sua segunda lide a novilho jabonero, que mostrou o toureio que leva dentro, lidou com intenção o RB que se lesionou, sacando tudo o que ele tinha para dar. Iniciou a lide com passes por baixo rematados por trincheirazo e passe de peito, pela direita um série muito templada, seguem-se duas sérias de naturais por passes isolados mas de grande perfume, terminando com um passe cambiado sem estoque, de sua autoria, galvanizando as bancadas. Volta muito aplaudida, a segunda foi um exagero.

José Garrido mostrou na arena angrense a finura do seu toureio. O de Badajoz é dotado de grandes qualidades técnicas e artísticas , é com certeza um dos novos valores apontado a grande figura. A lide do seu primeiro foi pautada pelo mando e temple empregados na sua muleta, levou o toiro de fora para dentro com mando e poderio, pela direita a mandar bem na investida do oponente que tinha um excelente recorrido mas era parco de forças, seguiram-se várias séries pela direita de bom som, prova a esquerda com duas tandas rematadas por passe de peito, volta à mão destra com passes de grande temple, segue-se um circular invertido e finaliza com toureio de cercanias, rematando a faena por manoletinas. Deu volta sob grande ovação. No seu segundo não há grande história para contar, foi o de pior comportamento da corrida e que acabou por ser recolhido por lesão. Destaque para o par de bandarilhas de Diogo Coelho.

Assim foi a primeira da feira.

Amanhã há mais.

Saudações tauromáquicas.


Duarte Bettencourt

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