junho 26, 2016

O Bravo toiro de Francisco Sousa


A ganadaria de Francisco Sousa teve este sábado uma grandiosa estreia, o toiro ferrado a fogo com o número dois, foi bravo do principio ao fim e teve direito a prémio. Esta ganadaria adquiriu a antiguidade de 2016, mas há muito que cria gado bravo. O registo do seu ferro reporta o longínquo ano de 1927, na década de noventa por impulso da atual responsável, Laura Sousa, decidiram enveredar pela lide na corda dos seus produtos e em 2011 adquirem vacas e semental à ganadaria continental do Eng. Ruy Gonçalves, inscrevendo-se na Associação Portuguesa de Criadores de Toiros de Lide. Hoje, dia 25 de Junho, fez-se história nesta ganadaria, antiguidade conquistada com justo prémio ao melhor toiro do Concurso de Ganadarias da Feira de São João 2016. Olé!

Tarde sombria em dia de futebol e toiros. Uns optaram pelo futebol, outros pelos toiros e alguns na bancada da praça a ver os toiros e a ouvir o relato pelo rádio, mesmo assim a lotação da praça atingiu os três quartos de casa forte.

Lidaram-se toiros das ganadarias de Juan Pedro Domecq, Murteira Grave, Rego Botelho, Casa Agrícola José Albino Fernandes, João Gaspar e Francisco Sousa. Todos de excelente apresentação destacando-se o primeiro de perfeitas hechuras e o quinto que perdeu trapio com a colocação das bolas de couro, que imponente que era sem elas, mas são as contingências da tourada à portuguesa. Ganhou o prémio de apresentação o primeiro toiro com o número cento e vinte e cinco da ganadaria de Juan Pedro Domecq. Em termos de comportamento todos cumpriram, com destaque para o primeiro, quinto e sexto da ordem, um bravo de vacas.

Marcos Bastinhas teve a sorte do seu lado, mas com saber e intuição lidou bem o Bravo "cadelinha" deixando-o partir de largo, dando-lhe todas as vantagens, cravando de alto a baixo, levando ao rubro o público presente. Recebeu-o à porta gaiola, como houvera feito no primeiro do seu lote, para deixar dois soberbos ferros compridos. Nos curtos e no mesmo registo deixou ferro de antologia, para finalizar com o par de bandarilhas marca registada da família Bastinhas. Grande lide e Grande toiro. Estavam encontrados os triunfadores da tarde. Pena o exagero da volta à arena na companhia das suas montadas, tirou brilho ao triunfo. Na lide do RB destaca-se a forma como recebeu o toiro, mostrando ao que vinha, crava um excelente ferro comprido para depois no segundo tércio cravar dois bons ferros curtos, o primeiro e o segundo, rematados com garbo e toreria, finaliza com um de palmo seguido de um par de bandarilhas por dentro.

Tiago Pamplona esteve mais uma vez em toureiro, lidou com mestria os seus dois oponentes, destaca-se a lide do "murteira" onde o cavaleiro da Quinta do Malhinha mostrou os seus dotes de excelente equitador e melhor lidador, esteve soberbo a lidar. Cravou bons ferros curtos bregando bem e colocando o toiro em su sitio, grande foi o primeiro ferro do segundo tércio, com ligeira batida ao piton contrário, pisando os terrenos do toiro cravando ao estribo, finalizou a sua lide com um de palmo, saindo sob grande ovação. No seu segundo de JG, esteve novamente toureiro lindando muito bem o astado, pena que este se tenha lesionado no final da lide tirando brilho ao que de muito bom lhe foi feito.

Gilberto Filipe repetiu cartel por ter sido o triunfador da últims edição, mas este ano andou uns furos abaixo do registo do ano transato. Na lide do Domecq andou acertado nos compridos com duas tiras bem desenhadas, nos curtos destaque para o terceiro ferro com o toiro a partir de largo, rematou a lide com um de palmo em grande velocidade e à meia volta. Na lide do "albino" cravou dez ferros (!) porfiou onde não tinha de porfiar e saiu sob alguns protestos, deu volta a reboque do forcado, este sim merecedor de volta. Mais uma vez os toureiros banalizam as voltas à arena que estas deixam de ter o valor merecido.

Amadores da Tertúlia Tauromáquica Terceirense tiveram uma tarde de êxitos, primeiro com Helénio Melo numa grande pega ao primeiro intento, com grandes ajudas do grupo, João Pedro Ávila ao primeiro intento esteve soberbo no cite, num misto de grande experiência, técnica e braços, justo merecedor do prémio à melhor pega e Luís Cunha ao segundo intento aguentando violento derrote do toiro de Francisco Sousa.

O Grupo de Forcados Amadores de Santarém, grupo de pergaminhos firmados, passou pela arena angrense sem grande brilho, foram solistas David Inácio e João Grave à primeira e o terceirense João Brito à terceira tentativa.

Dirigiu bem e com critério Rogério Silva, assessorado pelo veterinário José Paulo Lima. Nos acordes a banda filarmónica da Terra Chã com excelentes registos musicais.

Duarte Bettencourt

Concurso de Ganadarias

Melhor Lide - Marcos Bastinhas ao sexto toiro
Melhor Pega - João Pedro Ávila ao quarto toiro
Melhor Toiro - toiro número dois da Ganadaria de Francisco Sousa

Melhor Apresentação - toiro número cento e vinte e cinco da Ganadaria de Juan Pedro Domecq

0 comentários: