Antiga entrevista com Francisco Parreira.

Francisco Parreira, aficionado, embalsamador, embolador e criador de cavalos.

Relembrar a Corrida comemorativa dos 35 anos do Grupo da Tertúlia.

No ano que comemoram 45 anos, relembro a Corrida comemorativa dos 35 anos do Grupo da Tertúlia.

junho 27, 2016

Bastinhas, Martins e o bravo de JAF


Dia de comemorações, primeiro o cinquentenário da Tertúlia Tauromáquica Terceirense e depois os quarenta anos a pegar toiros do Grupo de Forcados Amadores de Turlock.

O dia apresentou-se cinzento com algum chuvisco à mistura não convidando a assistir a uma corrida de toiros. Num domingo, em final de festa, a Praça de Toiros Ilha Terceira registou cerca de meia casa de público.

Do cartel faziam parte os cavaleiros Gilberto Filipe, Marcos Tenório Bastinhas e João Pamplona, as pegas estiveram a cargo dos Amadores da Tertúlia Tauromáquica Terceirense e dos Amadores de Turlock. Os toiros pertenciam às ganadarias locais da Casa Agrícola José Albino Fernandes e João Gaspar.

Abrilhantou a corrida a Sociedade Filarmónica Lira Açoriana de Livingston, da Califórnia.

Dirigiu bem a corrida Carlos João Ávila assessorado por Vielmino Ventura.

Os toiros apresentados pelas ganadarias presentes cumpriram no geral, com destaque para o último toiro da corrida, o toiro número quatrocentos e onze, pertencente à ganadaria da Casa Agrícola José Albino Fernandes, que foi simplesmente Bravo. Todos os toiros de excelente apresentação à exceção do lidado em quinto.

As pegas foram executadas pelos da Tertúlia, por intermédio de Carlos Vieira, Tomás Ortins e João Silva, todos ao primeiro intento. O brinde de João Silva foi para ele com certeza, de grande sentimento, pois fez o pedido de casamento à sua futura esposa Emiliana Gaspar. Olé!

Pelos Amadores de Turlock foram solistas João Salvação à quarta tentativa, David Sanchez e George Martins, ambos à primeira, tendo este último concretizado a pega da Feira.

Marcos Bastinhas voltou a triunfar com um toureio alegre e comunicativo, chegou com força às bancadas sagrando-se o máximo triunfador da Feira de São João. No primeiro cravou um excelente ferro cumprido de praça a praça, para nos curtos inovar pela colocação de um curto, seguido de um palmo, para finalizar a lide com dois bons pares de bandarilhas, galvanizando o público presente. No seu segundo optou por utilizar as montadas menos utilizadas nesta deslocação à Ilha Terceira, mas mesmo assim a sair em triunfo, destaca-se o segundo ferro comprido a dar vantagem ao toiros, o terceiro curto a quiebro e o último par de bandarilhas, que precedeu um outro de frente, mas que infelizmente só ficou meio par.

João Pamplona foi à porta gaiola receber o seu primeiro oponente para de seguida lhe cravar um bom ferro, crava no segundo tércio um ferro curto de frente e ao estribo de grande valor, destaque ainda para o ferro com que finalizou a sua primeira lide a partir em direção ao toiro num galope cadenciado pisando os terrenos do toiro para cravar de alto a baixo um excelente ferro curto. No seu segundo andou mais aliviado muito por causa da batida ao piton contrário com que baseou a lide a este toiro, destaca-se o terceiro ferro comprido e o também terceiro curto com o toiro a favor da crença.

Gilberto Filipe andou vulgar. Despois do êxito na temporada passada passou pela arena angrense sem pena nem glória. No primeiro da tarde não pisou terrenos de compromisso resultando as sortes aliviadas, não deu e bem, volta. No seu segundo deixou novamente um amargo de boca, com varias passagens em falso e com um toureio demasiado vulgar para o cabeça de cartaz da Feira de São João.

Para o ano há mais, e espero que da parte da organização haja mais cuidado na elaboração dos carteis, no que toca ao toureio a cavalo. O aficionado terceirense merece este cuidado. Esta é a nossa corrida, à Portuguesa. 
Olé e até pró ano. 
Saudações.


Duarte Bettencourt

junho 26, 2016

O Bravo toiro de Francisco Sousa


A ganadaria de Francisco Sousa teve este sábado uma grandiosa estreia, o toiro ferrado a fogo com o número dois, foi bravo do principio ao fim e teve direito a prémio. Esta ganadaria adquiriu a antiguidade de 2016, mas há muito que cria gado bravo. O registo do seu ferro reporta o longínquo ano de 1927, na década de noventa por impulso da atual responsável, Laura Sousa, decidiram enveredar pela lide na corda dos seus produtos e em 2011 adquirem vacas e semental à ganadaria continental do Eng. Ruy Gonçalves, inscrevendo-se na Associação Portuguesa de Criadores de Toiros de Lide. Hoje, dia 25 de Junho, fez-se história nesta ganadaria, antiguidade conquistada com justo prémio ao melhor toiro do Concurso de Ganadarias da Feira de São João 2016. Olé!

Tarde sombria em dia de futebol e toiros. Uns optaram pelo futebol, outros pelos toiros e alguns na bancada da praça a ver os toiros e a ouvir o relato pelo rádio, mesmo assim a lotação da praça atingiu os três quartos de casa forte.

Lidaram-se toiros das ganadarias de Juan Pedro Domecq, Murteira Grave, Rego Botelho, Casa Agrícola José Albino Fernandes, João Gaspar e Francisco Sousa. Todos de excelente apresentação destacando-se o primeiro de perfeitas hechuras e o quinto que perdeu trapio com a colocação das bolas de couro, que imponente que era sem elas, mas são as contingências da tourada à portuguesa. Ganhou o prémio de apresentação o primeiro toiro com o número cento e vinte e cinco da ganadaria de Juan Pedro Domecq. Em termos de comportamento todos cumpriram, com destaque para o primeiro, quinto e sexto da ordem, um bravo de vacas.

Marcos Bastinhas teve a sorte do seu lado, mas com saber e intuição lidou bem o Bravo "cadelinha" deixando-o partir de largo, dando-lhe todas as vantagens, cravando de alto a baixo, levando ao rubro o público presente. Recebeu-o à porta gaiola, como houvera feito no primeiro do seu lote, para deixar dois soberbos ferros compridos. Nos curtos e no mesmo registo deixou ferro de antologia, para finalizar com o par de bandarilhas marca registada da família Bastinhas. Grande lide e Grande toiro. Estavam encontrados os triunfadores da tarde. Pena o exagero da volta à arena na companhia das suas montadas, tirou brilho ao triunfo. Na lide do RB destaca-se a forma como recebeu o toiro, mostrando ao que vinha, crava um excelente ferro comprido para depois no segundo tércio cravar dois bons ferros curtos, o primeiro e o segundo, rematados com garbo e toreria, finaliza com um de palmo seguido de um par de bandarilhas por dentro.

Tiago Pamplona esteve mais uma vez em toureiro, lidou com mestria os seus dois oponentes, destaca-se a lide do "murteira" onde o cavaleiro da Quinta do Malhinha mostrou os seus dotes de excelente equitador e melhor lidador, esteve soberbo a lidar. Cravou bons ferros curtos bregando bem e colocando o toiro em su sitio, grande foi o primeiro ferro do segundo tércio, com ligeira batida ao piton contrário, pisando os terrenos do toiro cravando ao estribo, finalizou a sua lide com um de palmo, saindo sob grande ovação. No seu segundo de JG, esteve novamente toureiro lindando muito bem o astado, pena que este se tenha lesionado no final da lide tirando brilho ao que de muito bom lhe foi feito.

Gilberto Filipe repetiu cartel por ter sido o triunfador da últims edição, mas este ano andou uns furos abaixo do registo do ano transato. Na lide do Domecq andou acertado nos compridos com duas tiras bem desenhadas, nos curtos destaque para o terceiro ferro com o toiro a partir de largo, rematou a lide com um de palmo em grande velocidade e à meia volta. Na lide do "albino" cravou dez ferros (!) porfiou onde não tinha de porfiar e saiu sob alguns protestos, deu volta a reboque do forcado, este sim merecedor de volta. Mais uma vez os toureiros banalizam as voltas à arena que estas deixam de ter o valor merecido.

Amadores da Tertúlia Tauromáquica Terceirense tiveram uma tarde de êxitos, primeiro com Helénio Melo numa grande pega ao primeiro intento, com grandes ajudas do grupo, João Pedro Ávila ao primeiro intento esteve soberbo no cite, num misto de grande experiência, técnica e braços, justo merecedor do prémio à melhor pega e Luís Cunha ao segundo intento aguentando violento derrote do toiro de Francisco Sousa.

O Grupo de Forcados Amadores de Santarém, grupo de pergaminhos firmados, passou pela arena angrense sem grande brilho, foram solistas David Inácio e João Grave à primeira e o terceirense João Brito à terceira tentativa.

Dirigiu bem e com critério Rogério Silva, assessorado pelo veterinário José Paulo Lima. Nos acordes a banda filarmónica da Terra Chã com excelentes registos musicais.

Duarte Bettencourt

Concurso de Ganadarias

Melhor Lide - Marcos Bastinhas ao sexto toiro
Melhor Pega - João Pedro Ávila ao quarto toiro
Melhor Toiro - toiro número dois da Ganadaria de Francisco Sousa

Melhor Apresentação - toiro número cento e vinte e cinco da Ganadaria de Juan Pedro Domecq

junho 25, 2016

" Grandioso Espetáculo"


A Praça de Toiros Ilha Terceira, abriu hoje as suas portas para receber a primeira corrida da Feira de São João deste ano sob o título de "Grandioso Espetáculo", nome encontrado pela organização desta Feira para contornar a legislação em vigor, que obriga à lide de toiros de quatro anos, lei esta que foi levada avante por iniciativa da instituição que hoje organiza a Feira de São João, curiosidades. Ao menos este ano foi anunciado no início do espetáculo que no mesmo se iriam lidar novilhos e o paseillo foi à "portuguesa", ou seja sem os figurantes picadores do ano passado. Melhorias são sempre bem vindas.

O cartel da corrida, vou chamar-lhe assim, era constituído pelos matadores Daniel Luque, Juan Leal e José Garrido na lide de novilhos bem apresentados da ganadaria terceirense de Rego Botelho.

Corrida bem dirigida por Carlos João Ávila, e bem assessorada pelo médico veterinário Vielmino Ventura. Nos acordes musicais, e bons que eram, a Associação Cultural do Porto Judeu.

Três quartos de casa no dia mais tradicional da tauromaquia açoriana.

Os novilhos como já referi anteriormente bem apresentados, quer ao nível de peso quer ao nível de trapio, uns com mais cara que outros, mas elogia-se no geral o cuidado posto na apresentação deste curro. Infelizmente algumas peripécias aconteceram neste dia, como a morte após embate violento num burladero do terceiro da ordem e o rachar de unhas do quarto, quinto e sexto da tarde. No geral os novilhos humilharam de maravilha, à exceção do quinto mais montado em cima investindo a meia altura, nota para as várias volta de campana que foram muito prejudiciais ao desempenho dos astados. Destaco o primeiro, terceiro e quarto da ordem, o primeiro com um excelente trapio e extraordinário galope, o terceiro pelo recorrido que apresentou e boas investidas, pena a sua falta de força que o levou a perder as mãos por várias vezes e o quarto que mesmo debilitado continuou a investir, mais em curto pela lesão, mas com qualidade . Nota-se um melhoramento significativo no desempenho dos novilhos da ganadaria de Rego Botelho, já fazia falta. Olé!

Juan Leal provou porque foi novamente escolhido pela organização para compor o cartel da corrida apeada. O francês esteve bem na lide do seu primeiro novilho, recebeu-o por tafalleras mescladas por verónicas, é violentamente colhido sem consequências, remata a série com revolera, seguiu-se um quite muito ovacionado por Zapopinas mais conhecidas por Lopecinas. O segundo tércio foi marcado pela alternativa de Gonçalo Toste, mais um bandarilheiro terceirense, cedida pelo também terceirense João Pedro Silva. Leal recebe o RB com um passe cambiado pelas costas, seguido de circular invertido ou em redondo rematado com passe de peito, inicia pela direita com o novilho a humilhar de maravilha com passes ligados de temple e mando com a muleta a meia altura, prova a esquerda do oponente dando este sinal de rachar, apercebendo-se da condição do novilho opta por tourear em redondo não retirando a muleta da cara deste, peca por prolongar a faena. Colhido ao simular deu volta sob grande ovação, de pé. O triunfador da tarde mais uma vez. O seu segundo não houve grande história para contar, pois foi recolhido no inicio do terceiro tércio, destacando-se os dois magníficos pares de bandarilhas por João Pedro Silva, que foi obrigado a desmonterar-se para receber enorme ovação.

Daniel Luque foi ovacionado no final da primeira lide a um novilho que começou bem com um extraordinário galope e humilhar bem mas que foi ao longo da lide ficando cada vez mais em curto, obrigando o matador a toureá-lo por passes isolados explorando o seu melhor piton, o esquerdo. Destaque para o grande par de bandarilhas de Jorge Silva. Mas foi a sua segunda lide a novilho jabonero, que mostrou o toureio que leva dentro, lidou com intenção o RB que se lesionou, sacando tudo o que ele tinha para dar. Iniciou a lide com passes por baixo rematados por trincheirazo e passe de peito, pela direita um série muito templada, seguem-se duas sérias de naturais por passes isolados mas de grande perfume, terminando com um passe cambiado sem estoque, de sua autoria, galvanizando as bancadas. Volta muito aplaudida, a segunda foi um exagero.

José Garrido mostrou na arena angrense a finura do seu toureio. O de Badajoz é dotado de grandes qualidades técnicas e artísticas , é com certeza um dos novos valores apontado a grande figura. A lide do seu primeiro foi pautada pelo mando e temple empregados na sua muleta, levou o toiro de fora para dentro com mando e poderio, pela direita a mandar bem na investida do oponente que tinha um excelente recorrido mas era parco de forças, seguiram-se várias séries pela direita de bom som, prova a esquerda com duas tandas rematadas por passe de peito, volta à mão destra com passes de grande temple, segue-se um circular invertido e finaliza com toureio de cercanias, rematando a faena por manoletinas. Deu volta sob grande ovação. No seu segundo não há grande história para contar, foi o de pior comportamento da corrida e que acabou por ser recolhido por lesão. Destaque para o par de bandarilhas de Diogo Coelho.

Assim foi a primeira da feira.

Amanhã há mais.

Saudações tauromáquicas.


Duarte Bettencourt